Categoria: Ponto de Vista

07.06.17

Anitta leva representatividade gorda aos palcos…

E gordofobia para as redes sociais.

A cantora Anitta lançou semana passada o clipe de sua nova música gravado na gringa com direito a dançarina gorda e fomos todos a loucura. Foi sem dúvidas um passo bem positivo em prol da representatividade de corpos. Podia ser melhor? Podia sim, mas foi algo inovador vindo de uma cantora pop, todo mundo comemorou e eu também.

 

No último sábado dia 03/06 ela se apresentou na Globo com sua nova música, foi nesse dia que a “diva pop” fez também a apresentação das novas bailarinas do seu ballet. O que poderia ter sido maravilhoso e muito representativo, acabou se tornando algo infeliz, tamparam demais as bailarinas gordas e ainda as deixaram no fundo da apresentação. Os comentários dos fãs (ou haters) estavam questionando por qual motivo as meninas gordas estavam vestidas com roupas e as outras de lingerie.

Em um grupo de militância eu e mais uma galera problematizamos bastante, e tentamos mostrar que aquilo não estava bom, que a gente merece muito mais.

Contrariando a expectativa da galera que dizia “você reclamam de tudo” “reclamar não leva a nada” as queixas foram ouvidas e ontem quando a cantora se apresentou no Música Boa os looks já não estavam mais discrepantes.

Sei que o look da Thais Carla (maravilhosa por sinal) foi montado no dia, é possível ver que o cropped é uma blusa amarrada e não é ainda um look no “padrão” da outra bailarina, mas foi gratificante perceber que correram e deram um jeito de melhorar e espero que sigam melhorando.

A apresentação de ontem foi bem linda por sinal, confiram no vídeo abaixo.

Embora no momento das problematizações tenha sido apontado as falas e ações gordofóbicas da Anitta, eu escolhi não focar nisso e lá no fundo eu tinha esperança que isso seria o passado dela (mesmo que tivesse coisas da semana passada).

Hoje mal acordei e já tinha mais uma piadinha gordofóbica postada por ela, uma galera fez uma paródia da música atual relacionando a alguém gordo e compulsivo. E o que a Anitta fez? Não só compartilhou como deixou claro que á a paródia da sua vida.
Nós sabemos o quanto mulheres magras se dizendo gordas são prejudiciais à saúde emocional de mulheres realmente gordas, posicionamentos assim vindos de uma personalidade pop afetam diretamente a autoestima de milhares de mulheres e meninas que acompanham o seu trabalho.

 

Essas atitudes da Anitta só mostram o quanto o mercado se aproveita cada vez mais de causas sociais, claro que eu quero e fico feliz com o fato dela colocar gordas no ballet, mas aí ela vem e nos lembra o quanto errados somos em ser gordos e o quanto isso é odiável no seu ponto de vista.

Eu sei que a vontade de vibrar com a Thais Carla é imensa, eu também estou vibrando e sei o quanto ela é maravilhosa e merecedora de estar ali.

Mas a gente não precisa passar a mão na cabeça e achar que a Anitta é boazinha, enquanto ela segue propagando que o corpo gordo é inferior aos outros.

Que todos os dias a gente exalte as gordas, mas não dê créditos de boa garota para quem está frequentemente debochando e propagando o ódio/pavor ao corpo gordo.

23.05.17

Parem de glamourizar a perda de peso alheia!

O corpo humano é mutável, no decorrer da vida a gente engorda e emagrece muitos kgs, isso independente de ser gordo ou não. Vários fatores influenciam diretamente no peso das pessoas e é no mínimo sem noção ficarmos apontando o peso alheio, quando se trata de perda de peso é muito comum vermos pessoas comentando e até comemorando.
Nós sabemos muito bem que existe uma cultura focada no emagrecimento a qualquer custo, mas as vezes as pessoas e a mídia perdem a noção e criam matérias ridículas sobre o tema.

Recentemente duas manchetes foram destaque por terem títulos de péssimo gosto.

O cantor Arlindo Cruz perdeu peso por estar com a saúde totalmente debilitada, não faz sentido a mídia dar destaque a uma perda de peso ocorrida com tanto sofrimento após um AVC e 30 dias de UTI.

Já a atriz viveu um luto e ainda perdeu um emprego, não sei se ela emagreceu por fazer dieta, ou foi mesmo fruto de um processo depressivo após as perdas. Mas eu poderia apostar que mais vale ter o pai vivo, que estar “gata” ou mais magra. Este título é no mínimo bizarro.

As pessoas podem estar morrendo ou em sofrimento emocional agudo, mas se elas estiverem emagrecendo sempre vai ter quem acredite que é vantagem passar por aquela situação.

Quem nunca ouviu algo do tipo após aquela gripe brava? Infelizmente a sociedade em geral é doente e acredita que emagrecer é sempre uma vitória.

Sei que ainda vivemos muito inseridos nessa cultura que comenta sim o corpo das pessoas, mas as coisas estão melhorando (graças a desconstrução) e espero que as pessoas, a mídia e a sociedade em geral percebam que não tem lógica comentarmos as mudanças do corpo alheio.

09.05.17

Preconceito não é opinião!

A internet é um mundo paralelo maravilhoso (no meu ponto de vista), mas ela dá “poder” para as pessoas fazerem o que quiser, a parte ruim é que muitas pessoas escolhem despejar seus preconceitos (que julgam ser opiniões) nas mais diversas situações e isso é algo muito assustador.
Ao abrir qualquer matéria em grandes sites, é possível ver que nos comentários 90% são de pessoas que entraram exclusivamente para julgar e reclamar de algo, muitas vezes nem tem relação nenhuma com a pauta.
Em uma escala bem menor, o blog (incluindo as redes sociais), também é brindado com esse tipo de “opinião” constantemente. Como não aceito comentários anônimos e como o assunto do blog as pessoas ainda acham que tudo bem julgar (ainda não é comum processos relacionados a gordofobia) e vez ou outra vira um show de horrores.
Ontem foi um desses dias, eu postei uma foto que eu considero lindíssima com uma representatividade maravilhosa do amor, da vida e com uma mulher gorda.

Algumas seguidoras resolveram dar “sua opinião” que exalava preconceito. Disseram que a foto era feia, que era desnecessária, que nudez do corpo é ruim e outros comentários do tipo, mas o pior é que mais uma vez resolveram começar a julgar a saúde da moça da foto.

Essa é a foto em questão… Eu não consigo achar nada menos do que LINDA!

A Thais Carla que é uma dançarina sensacional, um pouco do trabalho dela pode ser visto aqui

Não existe nenhum meio de se medir a saúde de uma pessoa só observando seu corpo, não existe limite predefinido do que é um gordo saudável e um gordo doente, isso não é medido em balança nem em fita métrica.

Parem hoje mesmo de julgar a saúde alheia, saúde é algo pessoal e ninguém deveria se intrometer nisso.

Se vocês conseguem julgar a saúde de alguém só olhando uma foto, eu indico patentearem o método (contém ironia). 

Vamos entender que opinião que já define um só jeito de ser/fazer, nada mais é do que um preconceito “disfarçado”.

03.05.17

Entrevista de Peso: Marco Magoga

Faz tempo que quero fazer posts com entrevistas aqui no blog, mas sempre algo me atrapalhava e eu ia deixando para depois. Com o apoio de um amigo, eu consigo, hoje, lançar uma nova tag no blog, que é a #EntrevistadePeso, onde entrevistaremos pessoas gordas que andam fazendo a diferença com suas ações e que merecem ser vistas.

Para começarmos em grande estilo, hoje vocês vão conhecer quem é o Marco Magoga, que é um cara bem engajado na causa gorda e tem muito a acrescentar quando o assunto é Gordofobia.

 

1- Marco o que levou você a ser um militante contra a gordofobia?

Acho que o maior motivo que leva qualquer pessoa a militar contra gordofobia é… a própria gordofobia. Eu sempre fui gordo, mas nem sempre tive clareza de como sofria com a opressão gordofóbica diariamente. Como qualquer outra pessoa gorda criada nessa sociedade que naturaliza o corpo gordo como errado, eu acreditava que qualquer coisa ruim que acontecia comigo exclusivamente por causa do meu corpo (não caber/quebrar cadeiras, não achar roupas, levar bronca de médicos mesmo com resultados bons de exames físicos, piadinhas, entre tantas outras coisas) eram minha culpa.
Eu também tive uma formação cristã protestante muito forte. E o discurso de boa parte das igrejas cristãs na atualidade naturaliza ao extremo a gordofobia. Então acho que isso foi um fator para que eu aceitasse passivamente a ideia de que era meu corpo que estava errado, e não as estruturas de poder da sociedade. Até que no final da adolescência eu comecei a ler outras coisas, buscar outras fontes de conhecimento e ouvir pessoas que não faziam parte do meu cotidiano. Comecei a ler sobre feminismo, sobre movimento negro, sobre resistência lgbt, e minha mente e visão de mundo começou a se expandir muito. Comecei então a ter contato com o discurso de body positivity, e um belo dia eu descobri um blog que mudou minha vida: o www.gordaesapatao.com.br. Eu acho que a gente da militância tem que aprender a ser grato por quem nos formou e abriu caminho pra que a gente pudesse estar aqui hoje, e por isso nunca perco uma oportunidade de agradecer à Jész Ipólito por ter me ensinado tanto e ter aberto minha mente para o que era gordofobia. Acredito que o Marco militante nasceu ali, lendo aqueles textos (e tantos outros depois).
Demorou um pouco até que eu tivesse segurança pra escrever sobre o assunto, entretanto. Comecei no A Coisa Toda como colunista de moda, até que o Dudx Araújo percebeu o potencial dos meus textos que falavam sobre vivências gordas e me convidou pra ter uma coluna sobre o assunto. E aí O Grande Close nasceu e tem sido minha maneira de retribuir tudo o que eu recebi de conhecimentos através da militância online.

 

2- O que significa ser uma pessoa gorda em nossa atual sociedade?

Ser gordo atualmente significa duas coisas: que você é doente e que você é culpado por isso. É por isso que além de sofremos com a falta de acessibilidade (que vai desde não encontrar roupas que nos sirvam até não ter acesso a um aparelho público ou a um equipamento de saúde), não há uma preocupação genuína (nem do poder público e nem da iniciativa privada) em prover essa acessibidade.
Há uma preocupação (que ainda precisa ser maior, inclusive) em criar espaços que atendam pessoas cadeirantes, por exemplo, mas o mesmo quase nunca acontece com uma pessoa gorda. E por quê? Porque se parte do pressuposto que a “culpa” de ser gordo é sua, então se você quer o acesso pleno a um produto ou serviço é SUA RESPONSABILIDADE emagrecer. Isso é um processo muito cruel porque além de oprimidas pessoas gordas são responsabilizadas pela própria opressão que sofrem. E é algo estrutural, ou seja, não nasce apenas de ações individuais (piadas, casos de preconceito, falha de design), mas é todo um sistema que autoriza que essa opressão seja naturalizada e se perpetue.

 

3- Quais seriam as principais pilares da gordofobia?

A meu ver, o primeiro é o discurso biomédico, que avalia o corpo gordo como doente e coloca a tal da “obesidade” como causa de muitas outras doenças. Perceba que a “doença obesidade” (que tem um número próprio na Classificação Internacional de Doenças) tem como sintomas somente… ser gordo. Sempre que se fala dos malefícios de ser gordo há sempre um discurso do “vir a ser”: a POSSIBILIDADE maior de enfarto, a POSSIBILIDADE de desenvolver diabetes, sempre a POSSIBILIDADE. E nisso constrói-se a ideia de que o corpo gordo é sempre doente e que o corpo não gordo é sempre saudável, o que não é verdade. Muitas pessoas gordas sofrem de negligência médica simplesmente porque o médico atribui qualquer sintoma ao “excesso de peso”, e isso impede muitas vezes que a saúde seja tratada como deve, como algo multifatorial, e seja erroneamente associada somente ao biotipo.
O segundo pilar é a mídia. A mídia é a responsável por difundir os conceitos do setor biomédico para a população de maneira mais diluída possível, e o faz de duas formas: através do medo e da espetacularização. Na categoria medo temos programas “científicos” como o Bem Estar e as matérias de jornal que reafirmam o quão perigoso é ser gordo. Já a espetacularização são os realities de perda de peso, as piadas, os personagens caricatos, os estereótipos de gordo comilão e desajustado… Isso sedimenta desde cedo na cabeça das pessoas que o corpo gordo é doente e motivo de riso. Aliado à divulgação de padrões de beleza cada vez mais irreais, essa demonização do gordo cumpre o papel social de fortalecer o sistema gordofóbico.
O terceiro pilar é o resultado dos dois primeiros. O senso comum. Essa ciência “torta” diluída pela mídia, que também constrói imagens estereotipadas de pessoas gordas faz com que conceitos negativos sobre pessoas gordas se tornem verdades “absolutas”. Isso justifica a gordofobia familiar revestida de “cuidado”, os programas de emagrecimento malucos, o grande número de pessoas que se submete a cirurgias bariátricas (uma cirurgia de alto risco) somente porque introjetou que é tão terrível ser gordo que qualquer sacrifício é válido.

4- E qual seria a melhor forma de combate-la?

Não há respostas fáceis a essa questão, mas a principal delas é: despatologizando o corpo gordo. Ser gordo não é sinônimo de ser doente assim como ser magro não é sinônimo de ser saudável. E sabemos que não foi sempre assim. Houve um tempo em que pessoas gordas é que eram sinônimo de saúde. Em tempos antigos, onde havia escassez de alimento, ser gordo era considerado fartura. Veja só, nosso corpo nem sempre foi considerado doente, mas sempre houve uma associação com alimentação que não cabe. Nem todo gordo come demais ou de menos, e essa noção do “gordo comilão” ajuda e muito no aumento de casos de distúrbios alimentares.
Mas enfim, a primeira noção que precisamos ter em mente é que saúde é multifatorial: o que leva cada um a ser considerável saudável ou não é um estudo a ser feito caso a caso. Não há peso ideal (então não há sentido na expressão “acima do peso”), não há dieta única que sirva pra todo mundo, não há programa de exercícios que seja apropriado pra qualquer um, e, mais importante, meu biotipo – ou a forma como as pessoas percebem meu corpo – não tem nada a ver com meu estado de saúde ou com características de personalidade. O fato de eu ser gordo ou magro é só mais uma característica pessoal, não um valor moral nem tampouco um atestado de saúde.
A conscientização das pessoas através de militâncias e debates é muito importante também, mas para pessoas gordas o mais interessante é sair IMEDIATAMENTE de todos os círculos tóxicos possíveis. Nem sempre isso é possível, mas se afaste o quanto puder de pessoas que te acham doente e menos digno de qualquer coisa só por ser gordo. E se cerque de pessoas gordas, nem que seja virtualmente, porque ninguém precisa estar sozinho. Eu não tenho palavras pra descrever o quanto amigos gordos – presenciais e virtuais – me ajudaram e ajudam a ser uma pessoa melhor.
O fim real da gordofobia será no momento em que os manuais médicos, a legislação e a mídia mudarem seus discursos sobre pessoas gordas. É algo que não vejo acontecendo a curto prazo, porque precisamos que mais pessoas gordas sejam aliadas nessa causa. Então, leiam! Há blogs e pessoas incríveis pra se inspirar. Leiam o Beleza sem Tamanho, leiam os textos da Rachel Patrício, da Bee Reis, da Jessica Ipólito, da Cida Neves, o Grande Close no A Coisa Toda… ah, são vários! Se não vamos conseguir vencer a gordofobia nessa geração, podemos sim viver melhor e preparar o mundo pras próximas gerações que estão vindo.

Para ler os textos do Marco focados na luta anti gordofobia, é só clicar aqui, e para acompanhar os pensamentos/devaneios dele é só seguir no twitter @marcoaurelioooo.

Traremos muita gente gorda e relevante (de peso nos dois sentidos) para essa sessão do blog, podem aguardar os próximos posts e principalmente indicar pessoas que vocês queiram ver por aqui. ❤

07.04.17

Guest Post: Impacto das “mulheres comuns” na moda plus size

Tenho observado no decorrer dos últimos meses uma fator interessante, que vou definir por: Foto de Modelo Plus Size X Foto de Mulher Comuns (Gordas) – Ambas na divulgação de roupas plus size.

Aqui no Rio de Janeiro o segmento plus size necessita de uma reformulação quanto ao que entendem por “modelo”. Ao realizar a divulgação para o #HashTagBazar percebi uma grande mudança da relação da consumidora em relação à mercadoria oferecida.

Os editoriais e fotos com modelos profissionais são lindas, bem trabalhadas na edição (photoshop/lightroom) e propõe uma divulgação que segue o “padrão” de mercado. Mas a receptividade das consumidoras em relação a estes fotos e editoriais é reduzida, por não haver identificação. Pode parecer mentira, mas percebo isso a cada dia.

O padrão profissional/comercial de modelos plus size agradam aos produtores de moda, mas não conseguem vender o produto que elas querem apresentar no varejo.

Algumas consumidoras tem sua atenção desviada da peça de roupa anunciada, para a pessoa da modelo. Elas ao verem o editorial prendem sua atenção subjetivamente à vontade de estarem no lugar da modelo e não na roupa que está sendo anunciada. Uma foto de uma modelo profissional anunciada por alguma marca gera um efeito emocional positivo, em que muitas mulheres gordas desejarem estar ali. Pois ser modelo seria como uma representação de autoestima, beleza, fama, ser desejada, dinheiro, sucesso e etc. MAS isso ocorre com um percentual pequeno de mulheres.

Mas na maioria das vezes ocorre a não-identificação da consumidora com o conjunto roupa+modelo. Sabendo que o segmento plus size possui sim padrões estéticos corporais, a maioria das consumidoras têm uma reação de indiferença e de dúvida em relação a modelo que está apresentando uma roupa a ser comercializada. A primeira pergunta que vem a mente é: “SERÁ QUE TEM MEU TAMANHO?” ou “SERÁ QUE A ROUPA FICARÁ BEM NO MEU CORPO?”. A maioria das mulheres gordas não se sentem representadas pelas modelos plus sizes e vibram e consomem ao ver mulheres comuns nas imagens.

Como percebi isso? Ao divulgar algumas fotos de clientes do #HashTagBazar usando alguma roupa comprada no evento tive inúmeras surpresas. As fotos tiveram um alcance muito maior que as das modelos profissionais. Proporcionaram para a marca uma divulgação 2X a 3X maior.

mulheres comuns gordas

Fotos com mulheres comuns que tiveram uma ótima repercussão nas páginas de divulgação do HashTagBazar.

A interatividade das consumidoras para com a foto perguntando valor é muito maior também. Ao perguntar as proprietárias da marca constatei que houve uma venda muito maior a partir da foto da cliente, do que da modelo. Quando uma foto de uma mulher gorda, em que ela se apresenta como ela é (barriguda, com papada, com braço grande, com tudo aquilo que os editoriais de moda não mostram) causam a identificação: consumidora – roupa – pessoa. E o resultado é perceptível no volume de vendas.
Disseram-me uma vez que fotos de “gordas tronchas” não servem para catálogos. Disseram-me que era necessário selecionar castings para mostrar a beleza da mulher gorda e para isso era necessário estabelecer padrões de modelos plus size.

E hoje percebo que não é bem assim. Quero a pessoa que uma vez me disse que “gorda troncha” não serve para modelar, me explique como o percentual de venda e de visibilidade comercial que ela é no mínimo 2X maior que a da modelo padrãozinho? Como explicar que a foto de uma modelo e uma consumidora, simultaneamente, postadas com a mesma peça de roupa em uma página de evento consegue ter diferença de alcance muito maior. A foto da cliente com a roupa tem em média 70% maior de curtidas que a da modelo? Como justificar que a foto da cliente possui numero maior de comentários perguntando sobre o valor e como adquirir a peça que a da modelo?
O mercado mudou. E se manter ligada a padrões pode significar prejuízos ou vendas menores.

Franz Wasielewski

Fotógrafo e assistente de produção do #HashTagBazar