Categoria: Ponto de Vista

07.04.17

Guest Post: Impacto das “mulheres comuns” na moda plus size

Tenho observado no decorrer dos últimos meses uma fator interessante, que vou definir por: Foto de Modelo Plus Size X Foto de Mulher Comuns (Gordas) – Ambas na divulgação de roupas plus size.

Aqui no Rio de Janeiro o segmento plus size necessita de uma reformulação quanto ao que entendem por “modelo”. Ao realizar a divulgação para o #HashTagBazar percebi uma grande mudança da relação da consumidora em relação à mercadoria oferecida.

Os editoriais e fotos com modelos profissionais são lindas, bem trabalhadas na edição (photoshop/lightroom) e propõe uma divulgação que segue o “padrão” de mercado. Mas a receptividade das consumidoras em relação a estes fotos e editoriais é reduzida, por não haver identificação. Pode parecer mentira, mas percebo isso a cada dia.

O padrão profissional/comercial de modelos plus size agradam aos produtores de moda, mas não conseguem vender o produto que elas querem apresentar no varejo.

Algumas consumidoras tem sua atenção desviada da peça de roupa anunciada, para a pessoa da modelo. Elas ao verem o editorial prendem sua atenção subjetivamente à vontade de estarem no lugar da modelo e não na roupa que está sendo anunciada. Uma foto de uma modelo profissional anunciada por alguma marca gera um efeito emocional positivo, em que muitas mulheres gordas desejarem estar ali. Pois ser modelo seria como uma representação de autoestima, beleza, fama, ser desejada, dinheiro, sucesso e etc. MAS isso ocorre com um percentual pequeno de mulheres.

Mas na maioria das vezes ocorre a não-identificação da consumidora com o conjunto roupa+modelo. Sabendo que o segmento plus size possui sim padrões estéticos corporais, a maioria das consumidoras têm uma reação de indiferença e de dúvida em relação a modelo que está apresentando uma roupa a ser comercializada. A primeira pergunta que vem a mente é: “SERÁ QUE TEM MEU TAMANHO?” ou “SERÁ QUE A ROUPA FICARÁ BEM NO MEU CORPO?”. A maioria das mulheres gordas não se sentem representadas pelas modelos plus sizes e vibram e consomem ao ver mulheres comuns nas imagens.

Como percebi isso? Ao divulgar algumas fotos de clientes do #HashTagBazar usando alguma roupa comprada no evento tive inúmeras surpresas. As fotos tiveram um alcance muito maior que as das modelos profissionais. Proporcionaram para a marca uma divulgação 2X a 3X maior.

mulheres comuns gordas

Fotos com mulheres comuns que tiveram uma ótima repercussão nas páginas de divulgação do HashTagBazar.

A interatividade das consumidoras para com a foto perguntando valor é muito maior também. Ao perguntar as proprietárias da marca constatei que houve uma venda muito maior a partir da foto da cliente, do que da modelo. Quando uma foto de uma mulher gorda, em que ela se apresenta como ela é (barriguda, com papada, com braço grande, com tudo aquilo que os editoriais de moda não mostram) causam a identificação: consumidora – roupa – pessoa. E o resultado é perceptível no volume de vendas.
Disseram-me uma vez que fotos de “gordas tronchas” não servem para catálogos. Disseram-me que era necessário selecionar castings para mostrar a beleza da mulher gorda e para isso era necessário estabelecer padrões de modelos plus size.

E hoje percebo que não é bem assim. Quero a pessoa que uma vez me disse que “gorda troncha” não serve para modelar, me explique como o percentual de venda e de visibilidade comercial que ela é no mínimo 2X maior que a da modelo padrãozinho? Como explicar que a foto de uma modelo e uma consumidora, simultaneamente, postadas com a mesma peça de roupa em uma página de evento consegue ter diferença de alcance muito maior. A foto da cliente com a roupa tem em média 70% maior de curtidas que a da modelo? Como justificar que a foto da cliente possui numero maior de comentários perguntando sobre o valor e como adquirir a peça que a da modelo?
O mercado mudou. E se manter ligada a padrões pode significar prejuízos ou vendas menores.

Franz Wasielewski

Fotógrafo e assistente de produção do #HashTagBazar

09.02.17

Dietas: o que ninguém te conta sobre elas

As dietas existem desde sempre, porém mais recentemente elas vêm ganhando um espaço maior.
Os motivos principais para se fazer dieta são dois:

1) controlar o peso corporal/forma física (ficar mais magra, ficar mais forte, ganhar mais peso, ter menos barriga, etc) e

2) controlar uma questão de saúde (colesterol alto, diabetes mellitus, hipertensão, etc.).
Mas o que é uma dieta?
Para a ciência da nutrição, ninguém faz uma dieta porque todo mundo tem uma dieta. Ela significa a alimentação consumida por uma pessoa. Ela é quase a mesma coisa que “alimentação”. Na ciência da nutrição dizemos: “O José tem uma dieta normoproteica”, que significa que a alimentação dele tem a quantidade normal (que ele precisa) de proteínas*.
Para o restante do planeta, fazer dieta ou estar de dieta significa fazer uma alimentação diferente, geralmente uma alimentação onde se retira parcialmente ou totalmente algum nutriente ou grupo alimentar. Por exemplo, as pessoas dizem “estou fazendo a dieta da proteína”, e nessa dieta a prioridade é comer alimentos que contenham proteínas* e não comer alimentos ou comer poucos alimentos que contenham carboidratos*. Em todo o texto eu estou falando destas dietas.
Só para exemplificar: dieta da sopa, do abacaxi, da USP, de Atkins, Dukan, da lista do pode e não pode, detox, do tipo sanguíneo, da lua, entre milhares de outras.

Qual dieta funciona mais?
Essa é uma dura verdade que eu trago: nenhuma.
Muitos estudos que comprovam eficácia de dieta, do ponto de vista de perda de peso, em sua maioria são estudos de curto tempo e/ou sob ambientes extremamente controlados. Isso porque eu nem estou citando os estudos que comprovam que elas não funcionam ou as que sequer têm algum estudo científico comprovando alguma coisa.
A título de curiosidade: de cada 100 pessoas que emagrecem fazendo uma dieta, apenas 5 delas conseguem manter o peso em até 2 anos. CINCO!
Antes que você pense “Ah, mas isso é uma questão de determinação/foco/força de vontade”, trago outra verdade: não é. E a indústria por trás das dietas adora que você pense assim, porque isso leva você a uma nova dieta (mesmo que seja a mesma, só que com outro nome).
Se as dietas apenas não funcionassem, tudo bem, afinal, se uma pessoa tentasse uma dieta para emagrecer e não emagrecesse, que mal teria, não é mesmo? Entretanto, o problema é bem maior: elas têm efeitos colaterais e riscos.

O que acontece depois delas?
As dietas ativam um mecanismo que funciona na forma de um ciclo (veja a imagem abaixo).

Nesse ciclo, a pessoa inicia se “sentindo gorda”, considerando isso um problema. Em seguida ela pensa em uma solução para esse problema. Na maioria das vezes, essa solução é uma dieta (às vezes ela não tem nome, mas algo como “nunca mais vou comer doces”, por exemplo). Nessa dieta, como já mostrei para você, ela necessariamente exclui ou limita muito algum alimento ou nutriente. Essa limitação gera automaticamente um desejo pelo proibido. Em algum momento (horas, dias, semanas ou meses) esse desejo irá ser maior que a proibição e a pessoa se revolta contra a dieta. Nesse momento a pessoa irá comer esse alimento, muitas vezes com voracidade ou escondido ou em grande quantidade. A consequência disso é a geração de uma grande sensação de culpa, e essa culpa será direcionada para corpo (“eu estou muito gorda”), que por sua vez irá levar novamente ao pensamento de dieta (“eu nunca mais vou comer isso”).
Além de todo esse sofrimento que passa batido e é encarado como normal, o que acontece é o inverso do desejado: a pessoa ganha mais peso do que tinha inicialmente. Esse vai e vem do peso, chamado de “efeito sanfona” ou “efeito ioiô” é uma das coisas mais danosas para saúde.

O queridinho do momento: o jejum intermitente.
Esse assunto é muito polêmico. Existem pessoas defensoras ferrenhas do jejum intermitente, desde pesquisadores até pessoas que o praticam.
O jejum intermitente é basicamente um método de administração da alimentação baseada em ficar alguns longos períodos em jejum. A justificativa é que isso reduziria o peso e melhoraria indicadores de saúde do corpo.
Porém, a prática pode ter alguns efeitos colaterais: dores de cabeça, irritação, queda do açúcar no sangue, deficiências vitamínicas, cansaço, etc. O mais importante deles é: ganhar o peso perdido novamente, entrando no ciclo acima novamente. Eu não considero o jejum intermitente como um cuidado, mas sim como uma atitude danosa.
Deixo algumas questões para reflexão: Qual a diferença entre fazer esse jejum intermitente e o comportamento de uma pessoa com anorexia nervosa? Por quanto tempo eu planejo fazer essa “dieta”? Como eu vou comer depois que eu parar de fazer? Se eu tivesse um filho de 4 anos, eu deixaria ele fazer essa “dieta”, em nome da sua saúde?
Minha ideia com esse post é apenas alertar você que as dietas podem ser muito tentadoras, mas igualmente perigosas!

*Todas as palavras marcadas com * se referem a nutrientes, ou seja, substâncias que existem nos alimentos, essenciais para o nosso corpo funcionar bem.

04.01.17

Que 2017 seja Espetacular!

O ano que passou foi difícil para a maioria das pessoas, seja por falta de grana ou outros problemas, foi um ano que realmente precisava se findar para que fosse possível uma renovação nas nossas esperanças. Para mim teve muita ansiedade e estresse por conta do TCC, mas eu sobrevivi e estou aqui pronta para ter um ano espetacular.

Quem mais espera que o Ano Novo seja espetacular? Se você assim como eu deseja que ele seja, é importante que a gente faça por merecer, pois infelizmente nada cai do céu.

Eu não farei listas nem traçarei objetivos para se ter um bom ano, pois acredito que isso é algo muito individual,e só nós mesmas podemos definir o que é ideal de se fazer ou não.

Mas eu tenho uma meta que é a cada dia ser mais feliz e realizada que no dia anterior, logicamente que nem todos os dias serão bons, mas é importante é que no próximo dia eu consiga ter um dia bem melhor.

Não existe uma formula para se ter um ano espetacular, mas é preciso que exista em cada uma de nós disposição para recomeçar e tentar sempre fazer o nosso melhor.

Para o Blog eu almejo que o neste ano eu consiga dar ainda mais visibilidade para outras mulheres, para que possamos juntas ajudar e incentivar que outras minas se descubram maravilhosas.

E vocês o que esperam para este ano que se inicia?

17.12.16

Fluvia Lacerda na Playboy brasileira!

Hoje, logo que acordei, uma amiga me marcou em uma matéria que contava uma super novidade, vamos ter Fluvia Lacerda na Playboy e ela vai ser na CAPA, com direito a fotos nuas.
Sei que para muita gente esse tipo representatividade é vista como algo negativo, mas eu sigo acreditando que precisamos ocupar todos os lugares, até aqueles que nem deveriam existir mais. Somos uma parcela mínima de mulheres que já se reconhecem como bonitas e sensuais, a maioria das gordas ainda se julgam feias por causa dos seus corpos. Ter alguém como a Fluvia na capa de uma revista masculina, acaba fortalecendo a autoestima de muitas delas.

Fluvia Lacerda na Playboy

Fluvia, nossa diva máster e uma das modelos plus size mais requisitadas do mundo, escolheu fazer suas fotos na Amazônia que é sua “terra” do coração.  Por enquanto, o ensaio não está disponível, mas a Fluvia Lacerda é sempre tão maravilhosa que separei mais fotinhos dela com looks diversos, mostrando aqui o motivo pelo qual ela é a primeira mulher com medidas plus size a estar na capa da Playboy.

Uma mulher linda e segura de si é a melhor definição para a Fluvia e não poderia ser outra a estar no lugar dela. <3

Em entrevista ao jornalista Bruno Astuto (aqui) ela declarou: “A base do meu trabalho é apoiar essa revolução feminina no planeta, essa é minha luta. O meu discurso é que as pessoas precisam se aceitar do jeito que elas são. A vida é muito curta para se importar com padrões impostos. Temos que viver, não nos importar com paranoias e reformatar esse aprendizado eterno, essa perpetuação de automassacre que aprendemos de geração em geração.”

Muito mais que uma mulher linda, a Fluvia sempre foi uma pessoa que deixou claro seu amor próprio e incentivou as pessoas a se amarem do jeitinho que são.

Eu sei e ela também sabe toda a problemática da objetificação do corpo feminino em revistas masculinas, mas sabemos também que em toda revolução é preciso dar a cara a tapa e fazer o que nem sempre é considerado “correto”, mas sim, o que permite quebrar um novo paradigma.

Que essa edição seja um sucesso e que outros tipos de corpos possam invadir as capas da revista, forçando a mídia a entender  que sim: todo corpo é lindo.

 

17.10.16

Se tiver representatividade, eu vou elogiar!

Semana passada, a internet ficou em alvoroço com a notícia da Ju Romano na Playboy, por um lado, muita gente comemorando a representatividade e por outro, muita gente problematizando a situação, eu me incluo nas que comemoram mais essa conquista e é sobre isso que eu quero papear com vocês hoje.

Eu sei que vivemos em uma sociedade machista, onde a mulher é vista como objeto e que algumas mídias só reforçam isso, causando grandes danos sociais à imagem da mulher. Mas ainda assim, eu acho muito maravilhoso ver que as gordas estão ocupando esses espaços.

Sei que muita gente pensa, qual vantagem em ter o corpo gordo sexualizado? Para mim nenhuma, já que eu já sei o meu valor, independente do que a mídia diz. Mas para a sociedade no todo, isso é muito importante, já que milhares de mulheres se acham horríveis só por serem gordas, se consideram abomináveis e não dignas de serem vistas como uma mulher sensual.

Para essas mulheres, essa representatividade em meios “sensuais e sexuais” faz toda a diferença, ver um corpo semelhante tendo destaque como sexy na mídia é a certeza de que elas também podem ser lindas e sensuais. Por outro lado, os meninos começam a ter contato com corpos gordos e sensuais e param de temer assumir para os colegas que têm um relacionamento com uma menina gorda.

O que os homens pensam ou não pensam está bem distante de ser a prioridade da minha luta, mas se eles mudarem os paradigmas, teremos menos mulheres sofrendo com relacionamentos bostas, em que o mocinho tem vergonha delas. Então, por fim, é sim necessário que essa mudança ocorra e eu acredito que a imagem de mulheres gordas em revistas masculinas, propaganda de cerveja e até na divulgação do vídeo game é a naturalização da gorda como mulher bela e gostosa, assim como qualquer mulher.

E essa naturalização do corpo gordo não é o que buscamos? Então, baseado nisso, eu só vejo vantagens em termos mulheres gordas em todas as mídias.

Teve gorda na propaganda da Cerveja Budweiser

via GIPHY

Teve gordas em trailer do joguinho Mobile Strike

 

E na semana que vem teremos a Ju Romano na Playboy!

gorda-na-playboy

Vocês podem até achar que isso tudo só alimenta fetichistas, mas eu preciso lembrar vocês que fetichistas não precisam disso para se alimentarem, eles sabem muito bem onde encontrar mulheres gordas sensuais, já a nossa sociedade que prega um só padrão de beleza, precisa.

Sei que essa é apenas a minha opinião e respeito quem pensa diferente de mim, mas convido vocês a pensarem um pouco nas mulheres que ainda não possuem nenhum contato com o gordativismo, e compreenderem, que para elas, essa representatividade pode fazer toda a diferença.