Tag: gordofobia

10.01.17

Verão sem Neuras

Este ano o nosso #ProjetoVerãoSemNeuras deu uma evoluída básica haha, para começar eu encurtei a hashtag e o nome em si, agora vocês vão ver nas imagens apenas Verão Sem Neuras. O corte foi mesmo para focar no objetivo, que é viver o verão em sua plenitude com o corpo que temos.
Outro ponto é que depois de 4 anos apenas no Facebook, agora temos um Instagram só para a postagem das fotos é o @veraosemneuras e já tem um monte de linda por lá.

O últimos meses foram complicadinhos para mim e acabou que ainda não tinha conseguido vir contar sobre essas novidades, e convidar vocês todas para participar, é sempre muitooooooo legal ver vocês inspirando e se inspirando através do #VerãoSemNeuras.

 

O projeto #VerãoSemNeuras só existe e é sucesso nos últimos 5 anos por causa de vocês, sem vocês ele não teria a menor graça, então eu aguardo a foto de todassss para eu poder compartilhar no Instagram e no Facebook.
Precisa ser foto de biquíni? Claro que não, precisa apenas ser foto curtindo o verão da forma que você se sente confortável, o que não vale é ficar em casa passando calor.
Para quem ainda não se sente livre para curtir, eu indico que clique aqui e leia este texto que foi o motivador de tudo isso. *_*

Como está sendo este verão de vocês, já se sentem merecedora de curtir?  Espero que sim, pois este é o foco. <3

05.01.17

Gordas que arrasam com Cabelos Coloridos

Oi gente! Eu estou um bom tempo sem escrever aqui, com isso acumulei algumas dívidas, uma delas era falar de meninas com cabelos coloridos! No ano passado eu decidi pintar meu cabelo de rosa, era um sonho de infância, por isso decidi não continuar adiando. Eu gostei da experiência e um dia posso escrever para vocês mais sobre ela (Mais dividas!), mas hoje vou falar de três meninas lindas e de suas experiências do lado colorido da força! Convidei três meninas lindas, com cabelos maravilhosos que me encantaram:

• Jessy Lehmert, 23 anos de Jaraguá do Sul-SC https://www.facebook.com/rarabiscadawww.instagram.com/rarabiscada www.youtube.com/tattooandplay

• Jaqueline, 23 anos de Rio Claro-SP https://www.facebook.com/jaqueh.mrs?fref=ts


• Néli, 25 anos do Rio de Janeiro – RJ https://www.facebook.com/lolaxvicious

Todas três usam cabelo colorido já tem muito tempo, uma coisa que se destacou para mim foi a Jessy, que passou por transição capilar, ela sentiu necessidade de mostrar que seu cabelo poderia ser cacheado e colorido, e ficou um absurdo de tão lindo.  Como todas as coloridas, elas escutam algumas coisas chatas, a mais padrão de todas é: o seu cabelo vai cair! Vai ficar careca! Tá estragando o cabelo! Eu particularmente detesto essas gracinhas e também escuto muito. Mas é claro que também tem a galera que apoia, elogia ou que ao menos não se mete. O que já é bom. A Jaqueline morou um tempo nos EUA e lá ela recebia muitos elogios, conseguia se sentir uma estrela com seu cabelo colorido. Aqui no Brasil ela ainda recebe alguns elogios, muitas pessoas perguntam sobre o cabelo e ela vê que as crianças ficam encantadas, mas infelizmente ainda esbarra com alguns conservadores que fazem cara feia, ou como a Néli disse: olham como se fosse um alien. Mas olhar torto é o de menos, triste é quando acham que podem te ofender. A Jessy que mora em uma cidade pequena acaba sendo vítima de ofensas, em uma delas falaram: “já chama a atenção por ser enorme de gorda e ainda quer chamar mais ainda a atenção com esse cabelo de bombril colorido”. Mas ela não levou esse desaforo para casa, rolou um barraco básico. Infelizmente o cabelo colorido ainda afeta muito na hora de encontrar emprego, a Néli é professora de arte, e ainda assim ela se viu obrigada a mudar a cor do cabelo algumas vezes por conta do seu trabalho. É o preconceito nosso de cada dia, como a Jessy falou: “Imagina você: eu gorda, toda tatuada, com esse black power super colorido, piercing na cara indo procurar emprego?” Mas em compensação na vida pessoal as meninas acreditam que o cabelo colorido só afeta positivamente. Elas disseram que se sentem mais bonitas, mais confiantes, com a personalidade mais marcante, mais felizes mesmo e também gostam de despertar a atenção e de com isso conquistar algumas pessoas que se identificam com o estilo delas. Vocês acham que elas são felizes com seus cabelos coloridos? Sim ou com toda certeza? A Jaqueline só mudaria a cor por algo muito extremo, a Néli só por conta de um emprego e a Jessy disse que só se enjoar (já vi que vai demorar).

Esse ano tivemos a primeira modelo plus size desfilando no São Paulo Fashion Week, e para nossa alegria é uma modelo colorida e lindíssima. Eu me senti extremamente representada! Então perguntei as meninas como elas se sentiram vendo a Bia Gremion arrasando na passarela do SPFW:


“Sinto que aos pouquinhos a gente vai ganhando espaço. Agora é só esperar o mundo me notar pra eu sair sambando assim na vida também! HAHAHAH” Jessy

“Olha, ver a Bia ontem desfilando me emocionou, mas nem foi tanto pelo fato do cabelo colorido em si. Eu já estou muito acostumada com cabelos coloridos e não vejo mais tanto como algo revolucionário, pra mim é bem normal. Mas, ela em si ali, foi impactante. Fez não só meu dia, mas como todo esse ano um pouco mais bonito e importante. Tem GORDA na passarela!! Mas claro, aquele cabelo dela é maravilhoso, então só contou mais pontos pra embelezar tudo!” Jaqueline

“A Bia é um amor! Sempre admirei ela desde que a conheci. Acho incrível pelo fato dela ser gorda, colorida então é outro sucesso. Acho super normal, pra mim o cabelo colorido é quase natural.” Néli
Falar com essas meninas foi muito inspirador, eu amo ver essa geração de mulheres empoderadas, que se assumem e assumem o que gostam, ser gorda é resistência e ser colorida também, todo dia que você saí na rua a sociedade te aponta e quando isso não te faz correr em uma farmácia para comprar um remédio milagroso para emagrecer e uma tinta castanha para o cabelo, você está resistindo. E ver que apesar disso essas meninas estão felizes e se amando, ver tantos relatos positivos, isso me motiva. E para motivar mais ainda vocês eu pedi que cada uma enviasse um recadinho:

“Nunca desista de ser quem tu é, nunca desista dos teus gostos ou sonhos porquê dessa vida não se leva nada… APROVEITE cada dia como se fosse o último da sua vida porque afinal… Quem garante que não vai ser hoje? VIVA, não exista. E se precisar de amor pode vir que a tia Jessy tem de sobraaaa!” Jessy
“Eu nunca tive problemas na questão > gordos com cabelo colorido < porque eu já comecei desde muito nova a colorir ele, mas eu sei que existem pessoas gordas e também pessoas negras que sempre me falam “mas isso não combina comigo”. Combina sim ❤ qualquer corte, tipo ou cor de cabelo combinam com você se você se sentir bem e feliz com isso! Pode ter negra gorda de cabelo rosa, azul, amarelo, branco, etc! E não faltam exemplos aí pela internet de como fica maravilhoso. O cabelo é nossa tela em branco que se a gente erra, em pouco tempo a gente tem outra ali pra pintar do jeito que a gente quiser de novo! Nosso corpo é nossa propriedade. Divirta-se com ele!” Jaqueline
“Seja quem você quer ser, e tenha orgulho de ser essa pessoa. Porque não importa o que os outros digam, você se amando e sendo feliz é o mais importante e o que vai mais te trazer felicidade.” Néli

Tem vontade de ser colorida? Se joga!

22.11.16

LAB levou diversidade para o SPFW!

O dia 24/10 foi uma momento histórico para mim e muitas outras pessoas que acompanham o movimento gordo (plus size se preferir), a gatíssima Bia Gremion desfilou na passarela do SPFW. O  que tornou tudo ainda mais maravilhoso aos meus olhos, é ela ser GORDA, dessas que nem as marcas plus size contemplam ou se associam (a Bia veste manequim 60).

Para mim que acompanho esse universo faz anos, foi extasiante essa conquista, infelizmente sou blogayra pobre e não consegui vivenciar ao vivo esta cena, mas aqui de longe eu vibrei por esse momento histórico. <3

LAB levou diversidade para o SPFW

A minha euforia é total por conta da Bia uma mulher gorda na passarela, mas tivemos também um modelo plus size masculino que também arrasou na passarela e ainda a cantora Elen Oléria.

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A Laboratório Fantasma deu um show e sacudiu o mundo da moda, eles levaram para a passarela todos aqueles que sempre são excluídos do mundo da moda: negros, gordos e periféricos. <3
O Emicida declarou: “fiz com a passarela o que eles fez com as cadeia e com as favela, enchi de preto” e eu achei fantástico essa realidade jogada ali na cara da nata fashion da nossa sociedade.
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Muito maravilhoso tudo isso né? Mas aí já vieram me perguntar se cabia nas gordas, já que não existia uma grade separada para o plus size.

Para ter a resposta exata eu pedi ajuda ao Evandro Fióti que é um dos donos da LAB para responder a vocês, ele me explicou que hoje trabalham até o XG no feminino e até o 5G nas peças unissex, disse  também que ainda são pequenos e não conseguiram ainda arriscar em uma grade maior para toda a coleção, mas faz  parte dos planos da LAB.

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Mesmo tendo apena até o XG é possível ver que os tops servem na Bia e cabem também em muitas de nós, já as peças unissex são no estilo oversized, com uma numeração bem ampla que veste com folga pessoas gordas e dá para fazer até de vestido. As peças desfiladas estão disponíveis para venda no site: www.laboratoriofantasma.com.

Eu fiquei extremamente feliz com este desfile, torço para que eles estejam em todas as edições e possam levar ainda mais gordos para as passarelas.  E vocês o que acharam? Contem-me tudo aqui nos comentários.

 

10.11.16

Guest Post: Gorda no Pole Dance?

Quando a Kalli sugeriu que eu escrevesse para o Beleza Sem Tamanho sobre minha experiência com o Pole Dance eu fiquei super feliz, é com muito prazer que hoje conto para vocês a minha experiência como gorda no pole dance.

O pole é uma dança/esporte que, apesar de ter crescido bastante nos últimos tempos no Brasil, ainda não é tão comum e infelizmente carrega bastante preconceito pela ligação com stripper e erotismo em geral.
Não vou falar aqui sobre toda história do pole dance, primeiro porque eu nem sou a pessoa mais indicada para isso e depois, porque minha intenção aqui é outra, é falar um pouco sobre o meu histórico e mostrar para vocês que gorda pode fazer o que quiser, inclusive pole dance!

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No ano passado eu estava buscando alguma atividade física diferente, pois estava há muito tempo parada. Queria fazer alguma luta ou dança (sempre amei dança!). Comecei indo para uma aula de boxe em uma academia e foi uma das piores experiências da minha vida. Sério. Eu saí de lá chorando, e nem foi por ter ‘apanhado’ na luta, foi simplesmente porque eu sentia que não pertencia, que estava sendo julgada o tempo todo, etc. Um pequeno adendo aqui para confessar a vocês que eu não sei pular corda. E o aquecimento era basicamente todo intercalando entre pular corda e fazer flexão. Eu falei que não conseguia pular corda e se eu poderia fazer outra coisa e pessoas riram. Eu fui completamente ignorada. Ficava tentando acompanhar algo que não conseguia, já me achando um lixo.. Enfim, sei que isso nada tem a ver com a atividade em si e sim com o lugar idiota que eu tive o dedinho podre de escolher. E isso tampouco tem a ver com o pole dance, eu sei. Estou falando sobre isso porque sei que muitas gordas evitam alguns esportes coletivos e ambientes do tipo por medo de passarem por situações assim ou do que as pessoas irão achar delas. Eu honestamente não ligo para isso, não me preocupo com esse ponto, mas nessa aula especificamente eu me senti super mal.
Passado um tempinho, lembrei que sempre achei pole dance MUITO legal, lindo demais, mas que parecia impossível. Resolvi procurar estúdios mesmo assim e encontrei algumas opções aqui no Rio de Janeiro. Uma das primeiras mensagens que enviei para o estúdio, depois de já ter combinado de ir à primeira aula, foi algo do tipo “só estou com medo porque tenho zero flexibilidade, força e preparo físico, mas estarei lá”. Acho que esse é justamente o primeiro “impasse” que as pessoas colocam quando pensam em fazer pole dance. Eles me responderam informando que não havia pré-requisitos, que todos começavam no ‘basicão’ e cada um vai evoluindo no seu tempo, trabalhando aos poucos os pontos necessários.

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Isso foi em junho do ano passado. Na primeira aula, vi que seria bem difícil, mas não era impossível – só precisava ter paciência e não desistir. A cada aula eu estava mais apaixonada e conseguindo evoluir mesmo que aos pouquinhos. Queria reforçar aqui que durante esse tempo, é a única atividade que faço e apenas uma vez por semana, ou seja, as evoluções que tive, mesmo que devagar, são realmente apenas por conta das aulas! Quando digo evoluções, me refiro a conseguir fazer os movimentos. Muitas pessoas procuram o pole dance em busca de perda de peso – e aí acham que me refiro a isso como ‘evolução’ –, mas esse não foi um dos meus motivadores e nem algo que eu monitorei durante o período.

gorda-no-pole-dance-1

 

Inicio coreografado e depois cada uma por si 😂❤️

Um vídeo publicado por dreacosta (@dreacosta) em

Me pediram mais trechos da dancinha de ontem! Então juntei os vídeos do insta stories procês verem. 😍

Um vídeo publicado por dreacosta (@dreacosta) em

Sério, se vocês tem vontade, não tenham medo e experimentem! Tenho certeza que se eu consigo, todo mundo consegue! Terão dias muito ruins, nos quais você realmente não vai conseguir fazer a maioria das coisas – odeio quando isso acontece, mas acontece. Mas a maioria deles vai ser diferente, com certeza! Para mim, é muito motivador e libertador. Espero que para quem resolver dar uma chance, também seja! *__*

17.10.16

Se tiver representatividade, eu vou elogiar!

Semana passada, a internet ficou em alvoroço com a notícia da Ju Romano na Playboy, por um lado, muita gente comemorando a representatividade e por outro, muita gente problematizando a situação, eu me incluo nas que comemoram mais essa conquista e é sobre isso que eu quero papear com vocês hoje.

Eu sei que vivemos em uma sociedade machista, onde a mulher é vista como objeto e que algumas mídias só reforçam isso, causando grandes danos sociais à imagem da mulher. Mas ainda assim, eu acho muito maravilhoso ver que as gordas estão ocupando esses espaços.

Sei que muita gente pensa, qual vantagem em ter o corpo gordo sexualizado? Para mim nenhuma, já que eu já sei o meu valor, independente do que a mídia diz. Mas para a sociedade no todo, isso é muito importante, já que milhares de mulheres se acham horríveis só por serem gordas, se consideram abomináveis e não dignas de serem vistas como uma mulher sensual.

Para essas mulheres, essa representatividade em meios “sensuais e sexuais” faz toda a diferença, ver um corpo semelhante tendo destaque como sexy na mídia é a certeza de que elas também podem ser lindas e sensuais. Por outro lado, os meninos começam a ter contato com corpos gordos e sensuais e param de temer assumir para os colegas que têm um relacionamento com uma menina gorda.

O que os homens pensam ou não pensam está bem distante de ser a prioridade da minha luta, mas se eles mudarem os paradigmas, teremos menos mulheres sofrendo com relacionamentos bostas, em que o mocinho tem vergonha delas. Então, por fim, é sim necessário que essa mudança ocorra e eu acredito que a imagem de mulheres gordas em revistas masculinas, propaganda de cerveja e até na divulgação do vídeo game é a naturalização da gorda como mulher bela e gostosa, assim como qualquer mulher.

E essa naturalização do corpo gordo não é o que buscamos? Então, baseado nisso, eu só vejo vantagens em termos mulheres gordas em todas as mídias.

Teve gorda na propaganda da Cerveja Budweiser

via GIPHY

Teve gordas em trailer do joguinho Mobile Strike

 

E na semana que vem teremos a Ju Romano na Playboy!

gorda-na-playboy

Vocês podem até achar que isso tudo só alimenta fetichistas, mas eu preciso lembrar vocês que fetichistas não precisam disso para se alimentarem, eles sabem muito bem onde encontrar mulheres gordas sensuais, já a nossa sociedade que prega um só padrão de beleza, precisa.

Sei que essa é apenas a minha opinião e respeito quem pensa diferente de mim, mas convido vocês a pensarem um pouco nas mulheres que ainda não possuem nenhum contato com o gordativismo, e compreenderem, que para elas, essa representatividade pode fazer toda a diferença.