Tag: gordofobia

31.10.17

O que é Gordofobia? Assistam e divulguem!

O tema gordofobia ainda gera muitas dúvidas, inclusive entre os gordos, não é fácil mesmo entender algo que ainda é muito pouco falado. Mas eu acredito que os vídeos abaixo podem resolver essa questão. Afinal, o que é gordofobia?

A Rachel Patrício participou de um bate papo do canal Comum no youtube, e abordou o tema de forma tranquila e muito detalhada, convido todos vocês a darem play nos vídeos agora mesmo.

A militância anti-gordofobia ainda é muito fraca (pequena e recente) se comparada a outras causas. Por isso, eu peço a quem curtir esses vídeos que divulguem aos seus amigos, só com a divulgação de bons conteúdos que vamos alcançar outras pessoas para participarem ativamente com a gente.

Aqui no blog temos também um FAQ sobre Gordofobia que merece ser lido e espalhado (clica aqui).

Mas mesmo com tanta informação, eu sei que ainda pode existir alguma dúvida. Quer saber mais alguma coisa? Quer falar algo sobre o tema?

Usem os comentários para tirar todas as dúvidas e fazer observações sobre o tema.

 

26.10.17

Peso Bruto – Corpo Gordo em Movimento

Já mostrei aqui no blog algumas gordas dançarinas que arrasam muito, mas isso é aquela pauta que eu não canso de mostrar. Eu acho muito maravilhoso ver o corpo gordo em movimento, vejo de forma muito positiva quando mulheres gordas conseguem destaque com a dança.
Hoje quero apresentar para vocês um pouquinho sobre a Jussara Belchior e seu espetáculo Peso Bruto, soube sobre o espetáculo através do Estadão e fiquei apaixonada, já fui em busca de achar mais sobre seu trabalho.

Jussara é dançarina da Cena 11 (renomada companhia de dança do Brasil), mesmo possuindo medidas incomuns  (100 kgs e 1,55 de altura) para o mundo da dança.


Depois de anos de trabalho com a companhia, Jussara se desafiou a criar um solo para discutir a sua própria condição de bailarina gorda. Para ela, dançar está sempre associado a habitar um lugar onde os gordos não são permitidos: a cena. A questão do corpo gordo na dança é parte constitutiva da sua trajetória: “Eu sempre fui gorda, isso fez parte da minha prática, porque, claro, fez parte da minha vida”. Peso Bruto surge da urgência em dar ênfase a essa preocupação, que é política, mas, sobretudo, artística.


“Vontade de desistir ou de fazer outra coisa, por causa do meu corpo, eu não tive”, conta Jussara, que enfatiza que outra profissão nunca foi uma opção. Começou a dançar aos seis anos, e nunca mais parou. Aos 22 anos, se tornou profissional. Por ter começado no balé e no jazz, e participar de festivais competitivos em São Paulo, a necessidade de emagrecer para continuar a dançar foi uma constante durante a sua vida. “Na verdade, eu dancei como uma pessoa magra quase a minha vida inteira, principalmente pelo tipo de técnica que eu praticava. Tinham exercícios e ideários imagéticos pensados para outros tipos de corpos, sobretudo pelo modo como o peso ficava aparente na movimentação. De certa forma, eu quase não conseguia pensar de outra maneira. Eu estava, ali, fazendo como os magros sendo gorda”.

Busquei no youtube sobre o PESO BRUTO e encontrei um teaser bem maravilhoso, apertem o play. *_*

Jussara Belchior mostra através da sua arte o controle sobre o próprio corpo, controle esse que nós gordos somos sempre julgados por não ter.

Eu desejo muito que este espetáculo rode por muitas outras cidades do país, mostrando que podemos ser/fazer tudo o que quisermos.

Quem for ou estiver em de SP  e puder não deixem de comparecer, nós precisamos ser público em projetos maravilhosos como este.

 

Serviço: PESO BRUTO – Itaú Cultural

Avenida Paulista, 149, telefone: 2168-1776.
6ª e sáb às 20h/dom às 19h.
Grátis. Até 29/10.

 

19.10.17

Por que as mulheres gordas tem “obrigação” de serem hiper femininas?

Uma mulher magra pode vestir um jeans e uma t-shirt básica, prender os cabelos e ir trabalhar tranquilamente com aquele visual “acabei de sair da cama”. Mas as mulheres gordas muitas vezes precisam estar maquiadas, bem alinhadas, com o vestido perfeito e necessitam de um penteado ideal.

hiper femininas

Este era basicamente o visual de 99% das fotos da  Tess quando ela surgiu, era linda também, mas totalmente montada e com fotos super editadas. 

Já olharam ao redor (ou no instagram) e notaram que as gordas mais “descoladas” e “famosas” estão sempre muito produzidas? Vamos além e olhem os stories de blogueiras gordas e blogueiras magras e vai perceber que no dia a dia as magras não ficam justificando não estarem maquiadas e penteadas, já as gordas em sua maioria ou estão de acordo com o esperado ou estão se justificando por não estarem ali “perfeitas”.
Se pararmos para analisar somente os looks, vamos ver que as mulheres gordas estão sempre vestidas de forma impecável com roupas que em geral são produzidas de modo que “moldam” nossos corpos e os transformem sempre em algo mais feminino e menos gordo… ou ao menos, que visivelmente não demonstre o que a sociedade trata como imperfeição (barriga/celulite/ dobrinhas).

  Print do Google imagens quando busquei “Nicolette Mason looks”
Nicolette Mason é uma blogueira plus size super famosa, a única gorda que figura nas listas de tops influenciadoras de moda em geral.

Já se formos analisar looks de mulheres magras vamos perceber que tudo é muito mais simples e prático e bem parecidos entre si. Para mulheres magras tudo bem usar um jeans qualquer com uma blusinha podrinha, ou um vestido de malha soltinho. É clean, é minimalista, é casual sem se importar. É fashion. Para elas está liberado a “tendência de ser/parecer preguiçosa para se vestir e arrumar”, aquele visual clean do tipo “eu nem ligo, acordei e saí assim”; para as meninas gordas isso ainda é visto como sinônimo de desleixo e descuido.

Print do Google imagens quando busquei “Chiara Ferragni looks”
Chiara é considerada a mais influente blogueira de moda do mundo, é a top em várias listas sobre o assunto. 

Vale aqui ressaltar que mulheres negras magras também são mais cobradas pela aparência, um exemplo é a questão dos cabelos que só recentemente puderam libertar sem serem tidas como “sujas” e “preguiçosas”. Então é válido que a gente entenda que a cobrança maior está diretamente relacionada em não estar no padrão de beleza vigente que é branco e magro.

Quando nós gordas nos mantemos montadas, com looks e makes impecáveis, é inegável que seremos mais bem aceitas pela sociedade em geral. Nós precisamos “recompensar” as pessoas por nosso corpos, e quanto mais a gente adere a hiper feminilidade mais perto do padrão aceito ficamos.
Esse excesso é uma “garantia” de não sermos vistas como feias ou desleixadas, ninguém julgaria assim (mentira, algumas pessoas são hater e julgam sim) uma mulher que visivelmente teve trabalho para estar ali com aquela imagem daquele momento. Mulheres arrumadas de acordo com o padrão estético exigido são vistas de forma muito mais positiva em qualquer corpo, mas para as gordas o não estar nesse padrão é também não alcançar respeito social.

Não tem nada de errado em gostarmos de estar sempre bem vestidas, bem maquiadas e com os cabelos impecáveis. Quando questionamos esse excesso não é no sentido que não devemos ser assim, o que não deveria acontecer é essa NECESSIDADE de ser assim para ser mais bem aceitas pela sociedade no nosso dia a dia. Acredito que existam mulheres que tem prazer real em se montar todos os dias (embora eu não seja uma delas hahaha), e elas tem todo o direito de fazerem isso.
Mas a gente que não gosta, precisa questionar e parar de se esforçar para se encaixar nesse estereótipo de gorda aceitável. Não tem como falarmos de aceitação corporal de forma plena se para isso é preciso usar a roupa X e a maquiagem Y.

Nosso corpo não deve/ pode ser moldado pelo que os outros pensam de nós, hoje a mulher gorda é muito mais bem vista que uns anos atrás… mas qual mulher gorda? Sim! A Mulher GORDA que está sendo bem aceita é aquela que demonstra hiper feminilidade (se possível, num perfeito corpo ampulheta, com cinturinha violão e sem barriga – ou numa roupa que a faça parecer assim).

Nós todas que lutamos por maior inclusão do corpo gordo (inclusive quem curte a hiper feminilidade), precisamos reconhecer que existe essa imposição de excesso de feminilidade nas mulheres gordas e questionarmos e mostrarmos que não é preciso se moldar o tempo todo. Não precisamos nos vestir apenas com a moda Pin Up (que disfarça) ou com peças ultra justas que nos tornam mais curvilíneas, existe um mundo de possibilidades na moda e nós também podemos usar o que quisermos.

É importante que a gente tenha ciência que merecemos respeito com qualquer roupa que estivermos, seja vestidas de gala ou a camiseta da nossa banda favorita, nós continuamos sendo a mesma pessoas e não deveríamos ter a nossa saúde e costumes questionados por concluírem que nos vestimos de forma desleixada.

Mais uma vez ressalto, que não há nada de errado com a feminilidade. Errado é a exigência que nós mulheres gordas sofremos para estar sempre hiper femininas.
Assim como todas as mulheres a nossa feminilidade deve desrespeitar apenas a nós.

Vocês já tinham percebido essa questão?

Vamos conversar sobre aqui nos comentários. *_*

 

* Este texto foi indicação de uma leitora, que foi a primeira a ler e me ajudou a finalizar.

** Para saber mais sobre o assunto indico este texto (aqui) completo sobre o tema em inglês.

05.10.17

Ela foi demitida após as fotos que realizou com seu noivo.

Já imaginou fazer fotos que celebram seu amor e seu corpo e vir a ser demitida por conta disso? Infelizmente isso aconteceu essa semana.

Stephanie e seu noivo, fizeram um ensaio de casal onde ela vestia apenas calcinha, mas também não chegava a expor os seios (é seios ainda é tabu). As fotos acabaram viralizando nas redes sociais, pela mensagem de aceitação corporal, amor e cumplicidade.

 

 

Essas fotos ficaram lindas demais. *___*

O resultado imediato foi muito positivo, e eu pude ver essas fotos no meu feed várias vezes, muita gente se sentindo inspiradas e encantadas com as fotos. Com toda a repercussão, ela acabou sendo demitida do seu emprego. (leia aqui)

Eu não sei vocês, mas eu fico chocada ao saber sobre uma notícia como essa. É inacreditável que alguém perca seu emprego por conta de fotos pessoais.

A demissão por si só já é péssimo, mas nesse caso chama atenção que só a mulher foi punida…

A gente sabe que vive em uma sociedade machista, mas fatos como esse são mais uma constatação dessa situação. Outro ponto é o fato de ser um corpo gordo, eu já vi muitos ensaios com mulheres “padrão” que não tiveram suas carreiras prejudicadas.

Nós vivemos em tempos de LIBERDADE (ainda bem), mas infelizmente o CORPO DA MULHER ainda é visto como algo absurdo que não pode ser mostrado (embora a pornografia seja consumido vorazmente).

Que a liberdade da mulher seja também algo real, não tem muita lógica a gente seguir sendo as únicas punidas com o machismo da sociedade em que vivemos.

 

Vocês já tinham visto essas fotos? Concordam que são lindas?

O que pensam a respeito dessa demissão? Contem-me tudo nos comentários. *_*

 

 

16.08.17

Emagrecimento não deveria ser a maior vitória de ninguém.

No programa Masterchef de ontem, aconteceu uma situação deprimente (do meu ponto de vista), mas infelizmente muito comum de se ver. Levaram os 3 vencedores das edições passadas para o programa, no palco do maior programa de culinária da TV brasileira (assista aqui), cada um deles tiveram um tempinho para contar como está sendo a carreira após terem vencido. Enquanto uma participante contou todas as conquistas e cursos que realizou, outra participante declarou ter perdido 39 kgs e que agora tem uma empresa de quentinha low carb.

Conseguem perceber o quanto isso é absurdo? A mulher foi vencedora de um programa que abre mil portas, mas ela, juntamente com nossa sociedade doente, considera como grande vitória o emagrecimento, diminuindo toda a sua competência e colocando em evidência seu corpo magro.
Izabel sofreu muita pressão sobre seu corpo enquanto esteva no programa, várias ofensas gratuitas aconteceram nas redes sociais e é fácil de entender a decisão dela em emagrecer, afinal emagrecimento é pessoal e não tem o que se questionar, mas o que eu considero tóxico é ver uma mulher jovem, com uma carreira brilhante pela frente se resumindo apenas ao emagrecimento.
Toda essa fixação das pessoas por emagrecimento é fruto da Gordofobia que tenta a todo custo culpar e inviabilizar os corpos gordos.
Corpos são mutáveis, engordam e emagrecem várias vezes durante a vida, então, se apegar a um emagrecimento como grande vitória da vida é, no mínimo, algo muito vazio.

Que em um futuro próximo as pessoas parem de supervalorizar o emagrecimento, e se permitam demonstrar competentes em qualquer função, independente do corpo que esteja.