Categoria: plus Size

30.01.18

Guest Post – Sou positiva. Sou soropositiva

Convidei a querida Letícia Assis, para um guest post contando sobre sua vivência como soropositiva, acredito que a experiência dela pode ser um alerta para muitas de nós. 


Há pouco mais de um ano minha vida mudou. Como jornalista, não gosto de enrolar e talvez por isso guardei comigo a forma de resumir assuntos nas primeiras linhas. Em novembro de 2016 descobri portar o vírus do HIV.

Agora, com calma, posso contar como foi e as razões pelas quais há alguns meses resolvi compartilhar essa história.

Tenho 40 anos, sou comunicadora, com formação e carreira em jornalismo. Também sou cozinheira profissional, mantenho uma empresa de eventos e sou cosmetóloga natural, entre outras aventuras.

soropositiva

Tenho uma filha, sou casada há quase uma década e, de alma cigana, já vivi em muitas partes desse Brasil. Dei aulas, aprendi, dei cabeçadas e me permiti. Isso inclui a parte sexual. Porém – ironicamente ou não – apesar de ter sido uma mulher de muita atividade, sempre gostei de ter alguém, de me apaixonar, das delícias e agruras de uma vida a dois. Fiz muito sexo sim, de muitos os tipos, sabores, tons, geralmente precavida de tudo até por ter a lua em virgem. Simm, havia esquecido de mencionar que minha maior amante nessa vida sempre foi a intuição. Graças a ela, conheci mil formas de espiritualidade, da astrologia à umbanda, meu pé no chão, creio, definitivo.

Pois essa canceriana, com ascendente em peixes, lua em virgem, vênus em touro; filha de Iemanjá com Xangô; portadora do Ohikari Messiânico e iniciada na Escola de Mistérios se viu sem chão no dia 28 de novembro de 2016, após 20 dias de coma induzido graças a um quadro de pneumonia severa. Sem chão eu estava mesmo porque ainda não andava e foi na UTI que aquele médico lindo e atencioso me deu a notícia. Ele já tinha contado ao meu marido e à minha mãe. Resolveu ele mesmo me falar, longe de todos, sobre os primeiros indícios do que havia acontecido comigo.

Para minha surpresa, eu estava com esse vírus tão assustador há muito tempo. Meu último teste de sorologia tinha sido feito na gestação da minha filha, hoje com 12 anos. Depois disso, até fiz um teste num posto e nunca fui buscar. Sabe-se lá o porquê… E as razões que me fizeram chegar ao limite do meu corpo. Logo eu, que sempre preferi saber das coisas de cara, por mais doído que fosse, achei que não era importante.

Uma sombra pairava sobre mim. Eu não sabia bem a razão. Só sentia. Mas como nenhum médico desconfiou, nem em pequenas cirurgias, nem olhando meus exames, seguia vivendo. Ao mesmo tempo, mantinha meu namoro e depois meu casamento com o Tiago sem uso de proteção. Secretamente, meu medo maior era que viesse dele algum problema pela visão que ele mesmo tinha do mundo. E não veio. Somos o que se chama de casal sorodiscordante.

Não veio dele e de nenhum dos parceiros de uma única noite que tive. Veio do namorado mais careta e mais retrógrado que tive. Um cara cheio de fantasias, sem coragem pra admitir seu verdadeiro eu, sociopata, agressivo, cheio de “poréns”, abusivo e que até minhas roupas queria controlar. Ou seja, alguém pelo qual até hoje não sei o porquê de ter me interessado. Talvez porque ele mentisse melhor do que eu. E, na época, eu era boa na arte de enganar as pessoas. Me senti desafiada a me relacionar com aquele mito da falsidade. Ou a sombra dele ofuscava a minha. Sei lá. Gostei muito dele. Só caí fora porque vi que estava indo pra um caminho que não me agradava. Mentira. Tenho certeza que caí fora graças aos meus guias e também ao Tiago – que de amigo passou a ser meu amante e depois namorado. Era um egum sem luz contra um exu tinhoso. O Exu sempre vence!

Ativismo e o Sim sou Diva

Há algum tempo, eu vinha participando de eventos e até promovendo alguns. Cheguei a criar um coletivo feminino, chamado Sim sou Diva. Estivemos em toda mídia possível local e nacional nos dois anos em que existimos. E num desses eventos (o Divas do Cinema Plus), eu organizei tudo e simplesmente não pude ir. Minha respiração era tão frágil, que eu mal cruzava uma rua sem chorar de dor no peito. O pulmão estava se entregando…

Foram nem dois dias para que eu fosse internada e logo estava entubada, inconsciente, na UTI. Mesmo assim, a descoberta do HIV só aconteceu por uma enfermeira que insistiu para que o médico examinasse minha boca, lotada de cândida, há meses. Eu nunca desconfiei que aquilo fosse indício de HIV. Pra mim era apenas baixa imunidade.

Teste certeiro e carga viral acima de 55 mil cópias. E daí o resto eu já falei.

Então, por muito tempo me escondi, com medo da rejeição. Contei para poucos amigos e alguns familiares. Aos poucos, fui tomando coragem, lendo depoimentos, voltando a trabalhar. Percebi que minha reclusão era a negação da minha luz e que eu precisava sim me expor. Eu lia pessoas falando de coisas acerca do vírus que eram risco iminente; aquilo me incomodava. Foi então que gravei o primeiro vídeo. Fiz umas 10 versões até que um ficou simples e natural:

Altos e baixos

Um dos tabus do HIV é pouco ou nada se falar a respeito do humor severamente afetado pelas medicações. Há quem consiga manter uma constância, mas no geral – e no privado – quase todo mundo relate instabilidade emocional. Num dia estamos bastante confiantes e no outro já planejamos testamento. Isso não tem tanto a ver com personalidade e sim com as reações químicas que o coquetel promove no cérebro.

Para quem não sabe, qualquer medicação antirretroviral penetra as barreiras neurocerebrais. Os efeitos variam muito: vão de alucinações à insônia leve, passando por euforia e tristeza, à praticamente nada. Cada organismo reage de uma forma e sabemos que pesquisas sobre atividade cerebral ainda são bastante inconclusivas seja qual for a razão.

Então, o portador de HIV está sujeito a variações de humor bem acima da média. Se tens algum amigo, parente, colega de trabalho ou companheiro em tratamento, um conselho: seja tolerante. Não, você não sabe o que é estar na pele dele, na nossa pele. E não é por piedade; não precisamos disso. É por exercício de humanidade, de compreensão.

Aliás, falando em piedade, é bem chato ouvir frases do tipo das pessoas. Até compreendo que pouco se fala sobre o assunto, pouco se conhece sobre tratamentos e reações e o estereótipo da morte rondando ainda é muito presente na sociedade. Mas ACREDITE: não precisa sentir pena. Ofereça seu apoio, seu abraço, seu ombro e principalmente o seu sorriso. A alegria cura, acredito muito nisso.

As dificuldades

Ouvi de várias pessoas quando contei que elas tinham um primo, um amigo go, blablabla, e que era só tomar o remédio e teria uma vida normal.

Não. NÃO! O coquetel é o primeiro passo, porém o caminho tem tanta pedra, gente, que não cabe em definições simplistas. Acredito que existam casos bem simples sim, mas não é o meu e não é o de muita gente.

Primeiro que há vírus mais resistentes (prazer!) do que outros. Segundo que as relações psicológicas, de trabalho, de firmeza da mente ou espiritualidade, de alimentação, DE OPORTUNIDADES DE TRATAMENTO PARALELO E DE APOIO são muito diferentes. Eu me trato pelo SUS. Não tenho queixas, exceto pela demora no resultado dos exames e das genotipias. Meu médico, Dr. Juliano, é excelente, atencioso e sempre busca informações adicionais quando precisa. A equipe DST do posto de São José e de Biguaçu sempre foi solícita dentro do que o serviço público e a situação em que o país se encontra permite.

Por um tempo, tive plano de saúde. Pude fazer check up cardiológico, endocrinológico, nutricional, ginecológico e pulmonar. Santa Catarina tem uma rede de medicamentos bem razoável e poucas vezes tive que peregrinar por medicação paralela. A do HIV nunca faltou.

Mas sei que há regiões do país onde falta até o coquetel. Pra marcar consulta é um inferno e por aí vai. Então, tenho consciência que sou privilegiada.

Outro privilégio é viver em um sítio, respirando ar puro, comendo coisas orgânicas. Isso faz muita diferença. Enfim, não dá pra simplificar e por todo mundo na mesma sacola.

Mesmo assim estou numa situação crítica: carga viral alta, CD4 baixíssimo, CD8 razoável e uma possível resistência medicamentosa.

Daí, pessoas, ouvir de quem você ama que te falta gratidão, que te falta perdão, que teu corpo está assim por intransigência, é bem desconfortável, pra não dizer cruel. Veja bem: pode até ser que seja verdade, mas nesse momento não quer ler nem ouvir isso. Se você não tem um abraço ou um sorriso pra me dar, nem diga nada. Não é momento de me julgar nem de apontar meus erros, até porque quem nunca errou? Só um parênteses.

Melhor então me deletar como muita gente fez ao ver o meu primeiro vídeo. É mais honesto e que cada um lide com sua forma de ver a vida.

Estereótipos

Por fim, para que esse texto não vire um tratado e agradecendo o precioso convite da Kalli, a quem admiro faz tempo, uma das razões pelas quais resolvi me expor é por ler comentários em grupos e posts, não necessariamente ligados aos HIV, porém bastante preocupantes.

Um deles diz respeito à orientação sexual. A AIDS se firmou como doença de gay, mas há bastante tempo se mostrou poderosa em qualquer âmbito socionormativo. O número de mulheres infectadas que são casadas, heterossexuais e com apenas um parceiro na vida é assustador.

Então, não confie. Ame sim, mas ame mais a você. Até porque milhares de pessoas sequer sabem que portam o vírus e as mulheres são mais vulneráveis por questões fisiológicas e pelo poder do sêmen; poder de contágio que os líquidos vaginais possuem em bem menor proporção.

soropositiva

O outro tem relação com biotipo. Sou uma mulher gorda. Apesar de ter emagrecido, continuo gorda e provavelmente morrerei gorda. Logo, ser gordo não te protege de nada nem denuncia perfil saudável pra DST. Gordos transam como outro tipo de pessoa qualquer. É incoerente, inocente e negligente que você não se proteja porque seu parceiro ou parceira é gordo, apenas pelo estereótipo de que aidético é magro. Estamos em 2018, gente! E o HIV evoluiu mais do que muita gente…

É isso. Teria mais a dizer, mas aos poucos vou compartilhando nos vídeos e, quiçá, na página do Sim sou Diva www.simsoudiva.com.br e www.facebook.com/soudivaplus, a qual pretendo alimentar melhor em breve.

Por enquanto, sigo com minhas incertezas, com muita fé e com meus sabonetes, cosméticos e quitutes, e às vezes palavras e conjecturas.

23.01.18

Verão Sem Neuras – Ano VI

Quem acompanha o blog já sabe que quando chega as estações mais quentes do ano, tem também o verão sem neuras por aqui. O nosso #ProjetoVerãoSemNeuras acontece mais ou menos entre os meses de Setembro e Abril, dura bem mais que os 3 meses do verão da teoria, mas acompanha nosso verão brasileiro na prática.

É sempre um prazer poder compartilhar as fotos de momentos de diversão de tanta gente maravilhosa. <3

Como eu sei que tem muita gente que ainda não acompanha as redes sociais, eu trago para o blog uma pequena amostra das fotos que já postei este ano. (Eu super queria trazer todas, mas não consigo indexar muitas no post e ficaria imenso, mas para ver todas no Instagram é só clicar aqui e no Facebook aqui).

Cada foto que é enviada para o #VerãoSemneuras, é um pouquinho a mais de incentivo para quem ainda não se permitiu curtir o verão, somos o tempo todo “podados” e para muita gente ainda é preciso um caminho para se permitir.

Mas em 6 anos eu vi mudanças maravilhosas, eu também mudei muito e me vejo cada vez mais “livre” e sem neuras, a desconstrução é diária e ninguém consegue se livrar de neuras de anos em um só verão.

Então eu mais uma vez venho convidar TODOS VOCÊS, para ainda neste verão se permitirem curtir um dia de prais,piscina ou até chuveiro… Não passe calor “atoa”, não precisa ir de biquíni ou maiô, vá como se sentir mais confortável.

E para quem quiser fazer parte do #VerãoSemNeuras, é só vir, o projeto é para todos. <3

10.01.18

Dicas para comprar na Posthaus + Cupom de Desconto até dia 20/01

Sempre que se fala em Posthaus como uma das melhores opções para comprar roupas plus size com preços acessíveis, aparece alguém dizendo que já comprou e é de péssima qualidade, mas como pode então tanta gente amar? Eu percebo conversando com quem comprou e não gostou, que na verdade não souberam comprar na Posthaus, foi pensando nessas conversas que já participei tanto no mundo real quanto virtual, que quero dividir como vocês as dicas que eu uso na hora que vou comprar na Posthaus.

Minha primeira compra no site foi em 2011 e acho que a minha experiência pode ser útil para quem ainda não sabe o jeitinho de escolher.

O primeiro ponto que é preciso nos atentarmos, é que a Posthaus é um portal de moda e revende várias marcas dentro do mesmo site, quando clicamos em Plus Size se observarmos na lateral esquerda vamos ver que existem mais de 15 marcas listadas. Como são muitas marcas é importantíssimo sempre verificarmos a tabela de medidas da peça que estamos comprando, não existe em nosso país um padrão de medidas, então o melhor é sempre estarmos atentas a este detalhe.

Existem no site marcas mais caras e com alto padrão de qualidade (modelagem, tecidos mais nobres e etc), mas tem também marcas que são super dentro das tendências de moda, mas trabalham com tecidos mais simples (baratos) o que torna os preços bem mais acessíveis. E esse é o grande diferencial da Posthaus, tem moda para todos os bolsos.

Embora sejam muitas marcas, duas delas são as com mais variedade no site a Quintess e a Marguerite, elas acabam sendo as mais “famosas” por lá.

Se vamos focar em precinhos baixos a a Marguerite (clica aqui) é sem dúvida o primeiro nome que pensamos, ela é uma dessas marcas que citei que trabalham com preços bem baixos, modelos atuais e com materiais mais básicos… Aí o que acontece é que a mulherada fica louca e compra vários vestidinhos de menos de 50 reais e depois julgam a qualidade ruim, na real a gente sabe que não tem como ser uma super qualidade com um preço tão baixo, não é mesmo?

Sempre que eu vou comprar da Marguerite eu leio a descrição e em geral eu evito peças no tecido helanca, na minha cidade é muito quente sei que vou acabar usando bem pouco ou nem usando, mas eu super indico as peças de algodão da marca e até as que misturam algodão com poliéster.

Além de ser necessário ficar atenta aos tecidos, logo abaixo de cada peça tem as avaliações das clientes e ali tem muita dica e informação útil que sempre me ajuda na hora das dúvidas. Como eu disse, eu não gosto para mim do tecido helanca, mas ao ler as avaliações vocês vão perceber que muita gente curte.

E a minha última dica é sempre priorizar as promoções, eu sou a aloka dos descontos e raramente eu compro algo com preço “cheio”. Estou  sempre na espera de um descontinho ou cupom de descontos, falando em cupons até o dia 20/01 é só digitar KALLI  na finalização das compras acima de 200 reais para garantir 20 reais de desconto.

Vocês costumam comprar na Posthaus? Tem alguma marca preferida ou dica?

Dividam com a gente aqui nos comentários. *-*

 

 


* Este post não é patrocinado, mas recebo uma comissão sobre o valor das vendas realizadas através dele.

 

05.01.18

“Meus” desejos para a Moda e o Mercado Plus Size em 2018

Para começar o ano e renovar as esperanças de uma moda realmente inclusiva eu resolvi fazer umas listinhas de mudanças que espero ver na moda e no mercado plus size em 2018.
Embora o título do post eu cite que são meus desejos, eu já ressalto que não é só sobre os meus desejos que falo, são também os desejos de um montão de gente que me procuram nas redes sociais e no e-mail com seus questionamentos e necessidades.

Roupas que realmente vistam corpos gordos

Já faz um tempo que eu venho falando sobre a necessidade das marcas vestirem além do manequim 54, inclusive já fiz uma listinha tempos atrás aqui no blog (clica aqui) com marcas que atendem acima do manequim 54. Mas hoje eu percebo que mesmo que uma marca atenda até o tamanho 60 ela ainda não é totalmente inclusiva e precisa ampliar sua grade para poder vestir cada vez mais pessoas gordas.
Eu entendo que para uma marca fazer X manequins é um preço e fazer 3 tamanhos a mais do atual que trabalham pode ser inviável para a realidade atual da empresa, mas eu peço (em nome de um monte de gordos maiores) que vocês empresários do setor pensem com carinho e que neste ano de 2018 ampliem ao menos um tamanho em suas grades, é algo possível e que além de render mais vendas vai dar mais opção de escolha para quem veste tamanhos maiores.

Discurso neutro sobre todos os corpos

Eu ando EXAUSTA de ver marcas (pessoas que as representam) que vendem para mulheres gordas agindo de forma depreciativa em relação a comidas e corpos.
Neste ano eu não quero ver marca dizendo que atende corpos com a verdadeira beleza (que vestem do manequim x ao y e excluindo vários outros corpos), também adoraria não ter que assistir marcas fazendo piadinhas com termos como gordice e relacionando comidas a corpos gordos, e muito menos gostaria ver declarações sobre estar feia ou inapropriada para aparecer no stories da empresa.
Ninguém e nenhuma marca é obrigada a levantar a bandeira da positividade corporal, mas também não deveria gravar stories de autodepreciação, essas “brincadeirinhas” muitas vezes detonam com a autoestima de quem assiste.

Representatividade nas fotos

Este ponto já foi pedido e implorado demais, mas infelizmente as marcas seguem negando associar sua imagem com pessoas gordas. Graças a toda essa falação que acontece faz uns anos, algumas marcas já acordaram para esse ponto e eu tenho como foco atual enaltecer essas cada vez mais essas que estão nos brindando com representatividade. Não queremos só pessoas com tamanho acima de X em todas as campanhas, mas queremos que as marcas diversifiquem e não fique apenas em um padrão de modelo que não representa a grande maioria de suas clientes.

Produção sem exploração

Sei de uma marca plus size que importa da China já faz uns anos, recentemente soube de uma que tem “bolivianos” trabalhando na sua produção… Em nenhum dos casos eu afirmaria que se trata de casos de exploração, mas também não acredito serem empresas totalmente engajadas nos direitos trabalhistas. Estes são dois casos isolados, mas eu acredito que exista muita gente recebendo bem pouco (abaixo do justo), para costurar as roupas que depois serão vendidas por preços bem altos, sabemos que o mercado plus size em geral trabalha com preços altos. Então eu desejo mais consciência das empresas e que valorizem mais todos os seus colaboradores.

Preços mais populares

Eu entendo perfeitamente que cada marca tenha seu nicho, e algumas marcas são mesmo mais caras e vão continuar sendo, mas adoraria ver mais marcas trabalhando com preços populares no mercado plus size. Isso é muito importante para que ocorra a inclusão das pessoas gordas de todas as classes sociais na moda.

Originalidade, criatividade e verdade

Para quem produz é importante ser original e colocar nas suas peças algo que seja a cara da sua marca, o ctrl+c e ctrl+v de outra marca acaba por tornar a sua marca algo menos atrativo para o consumidor. Se inspirar e criar uma nova versão é sempre muito mais legal.
Além da falta de originalidade, é muito comum no mercado plus size marcas dizendo que produzem suas coleções sendo que na verdade é revenda e tem várias marcas com os mesmos produtos. Não tem problema nenhum em revender peças e não entendo essa necessidade de se intitular fabricante sem ser que acontece no plus size.
O mercado plus size ainda é muito pequeno e é fácil para qualquer pessoa perceber essas “falhas”, e isso compromete as empresas e o todo mercado, que se torna algo muito menos profissional.

Moda para os Gordos

A moda masculina plus size é algo muito precário ainda, um número bem baixo de marcas e uma grade que não atende aos gordos maiores. Precisamos de mais marcas investindo no plus size masculino e também que ela pensem em vestir bem além do GG, os homens gordos também merecem melhores opções na hora de comprar.


Pós venda de compras virtuais

Quem se dispõe a vender tem que se preocupar com o pós venda, eu vejo TANTA reclamação que seria resolvida com um simples envio de rastreio por e-mail que chega a ser deprimente. Não ignorem nunca seus clientes, um cliente insatisfeito é a pior propaganda, mas um cliente gordo insatisfeito é uma pessoa que possivelmente vai parar de comprar online e é online que nós gordos temos as melhores opções.

Ousadia e rebeldia

Talvez ao começar ler o post vocês possam ter pensado que nele eu pediria algumas peças x ou y e não foi bem assim, o que eu mais quero é ver o mercado crescendo e atendendo cada vez mais pessoas gordas. Mas eu quero também que os estilistas parem de temer tanto e abusem mais na hora de criar para gordos, nas atuais coleções de verão eu fiquei super assustada com a quantidade de peças de manga longa em várias marcas.
Estou daqui torcendo para que as pessoas que tem o poder de decisão de escolha das peças da coleção (nem sempre é o estilista), possam ousar mais e até mesmo serem rebeldes e entender que nós pessoas gordas já não nos prendemos mais em regras do que pode ou não, na verdade sonhamos mesmo em ter as mesmas peças da moda “padrão” disponíveis na moda plus size.

Fiz esse textão com pontos que eu julgo importante serem melhorados nas marcas plus size, mas isso é a minha visão e não significa ser nenhuma verdade absoluta.
E vocês possuem algum ponto que gostariam de citar ou acrescentar? Sintam-se livres para comentar e juntos ajudarmos as marcas a perceberem o que desejamos.

07.12.17

Curta-Metragem “GORDA” – Canal Futura

No último dia 5 estreou no Canal Futura o curta-metragem “Gorda”, eu estava ansiosa para assistir e vir contar para vocês. Assisti ontem e adorei, já tinha inclusive certeza que seria algo positivo, pois no elenco (personagens) está a “Rainha da Desconstrução” quando o assunto é gordofobia Rachel Patrício, e ela sempre tem muito a dizer sobre o tema de uma forma muito didática e serena.

O curta “Gorda” foi dirigido por Vanessa Del Negri, tendo uma visão muito esclarecedora ele nos leva a conhecer a vivência de 5 mulheres que convivem diariamente com preconceitos devido aos seus corpos gordos.

Quero muito que todos vocês que acompanham ao blog assistam (é só clicar aqui), são 15 minutinhos com muito aprendizado, cada uma das 5 personagens dizem muitas coisas importantes e rola muita identificação com o relatos.

Eu dou um destaque maior (inclusive com essa foto linda) para a Rachel,  pois ela é uma pessoa que eu conheço virtualmente tem mais de uma década haha,  e infelizmente ela passou recentemente por uma situação péssima por conta da gordofobia, e se ela  não fosse uma pessoa super instruída em relação aos seus direitos ela poderia ter tido problemas maiores.

A gente já sabe que a nossa sociedade em geral precisa aprender que pessoas gordas são pessoas normais, que precisamos de estruturas físicas com acessibilidade para os nossos corpos e precisamos muito que parem de nos julgar nossa capacidade apenas pelo nosso tamanho. E são iniciativas como este curta-metragem que tem o poder de levar essa mensagem a pessoas que nunca sequer pensaram sobre o tema, levam  também para outras pessoas gordas a mensagem que nosso corpo não é errado e isso é muito importante.

 

Não deixem de assistir e divulgar este trabalho maravilhoso. *_*