Categoria: plus Size

14.11.17

Look Plus Size Masculino Comfy

Olá pessoal! Já faz uns meses que eu estava em busca de um look plus size masculino comfy, mesmo a moda masculina sendo infinitamente mais confortável que a feminina, eu buscava exatamente por bermudas de moleton que tivessem um bom corte e que fosse do meu tamanho.

Infelizmente como vocês já sabem, a moda plus size masculina ainda deixa muito a desejar e é difícil encontrar muitas peças em tamanhos maiores. Tive a sorte de conhecer  na minha cidade (Juiz de Fora) um estilista independente que mesmo não tendo foco em moda plus size, já fez sob medida algumas das minhas peças. Eu queria só uma bermuda em moleton, mas quando quando fui encomendá-la acabei aproveitando e pedi também uma blusa com detalhe em moleton.

 

 

Camiseta:  Calabria
Bermuda:  Calabria
Tênis: Lacoste
Relógio: Camelô

Imagens: Mateus Castro Fotografia 

 

Gostei muito dessas peças com moleton, são muito confortáveis e super atuais, já quero inclusive comprar outras bermudas como essa.

Mesmo com toda a dificuldade da moda plus size masculina, eu tento sempre usar coisas que eu curto e não só o que me cabe. É chato mandar fazer roupa em algumas ocasiões, mas é gratificante me vestir com peças que fazem o meu estilo.

 

09.11.17

Toda mulher é real.

Ao ouvirmos falar sobre moda plus size e pessoas de corpos maiores, é muito comum notarmos também a associação com os termos “mulheres reais*” ou “mulheres de verdade”, mas com o tempo, vamos percebendo que ao chamarmos apenas corpos plus size de reais, acabamos dizendo que os outros são irreais e isso chega a ser prejudicial à autoestima de muitas mulheres.


Sei que diversas vezes sentimos essa necessidade, de nos classificarmos como “melhores” que as coleguinhas, afinal, passamos anos sendo excluídas de tudo e podermos ser vistas agora como MULHERES REAIS ou como MULHERES DE VERDADE acaba alimentando nosso ego momentaneamente.
Para piorar ainda mais toda essa questão, que já é bem desnecessária, os tais termos não incluem quase nunca mulheres gordas e têm sempre nas representações de suas fotos mulheres curvilíneas com a pele devidamente alterada em programas de edição.
Daí ficam os questionamentos:
Quem é real, afinal?
Quem é mesmo de verdade?

Estamos no fim de 2017, o mundo todo está falando em empatia e sororidade, no entanto, no mercado plus size, vemos constantemente as marcas reforçando estes termos que excluem mulheres de um tamanho ou de outro, do padrão que julgam ser o das mulheres reais.

Não precisamos ser melhores que outras mulheres, precisamos buscar maior representatividade, acessibilidade e também reconhecimento, sem precisar nos enquadrarmos nesse novo grupo “seleto”.

Estes termos até podem ter impacto como marketing de marcas plus size, mas eu, como consumidora me incomodo e tenho certeza de que não sou a única. Não é crime usar, só que acho que não precisamos mais disso, queremos um mundo igual para todas e sem necessidade de termos para suavizar as referências aos nossos corpos.

*inclusive, se você buscar em posts antigos aqui no blog, vai encontrar o termo “mulheres reais” em vários momentos, pois é o nome de um projeto de SP, que inclui diversos eventos e também por eu já ter feito essa associação no passado.

26.10.17

Peso Bruto – Corpo Gordo em Movimento

Já mostrei aqui no blog algumas gordas dançarinas que arrasam muito, mas isso é aquela pauta que eu não canso de mostrar. Eu acho muito maravilhoso ver o corpo gordo em movimento, vejo de forma muito positiva quando mulheres gordas conseguem destaque com a dança.
Hoje quero apresentar para vocês um pouquinho sobre a Jussara Belchior e seu espetáculo Peso Bruto, soube sobre o espetáculo através do Estadão e fiquei apaixonada, já fui em busca de achar mais sobre seu trabalho.

Jussara é dançarina da Cena 11 (renomada companhia de dança do Brasil), mesmo possuindo medidas incomuns  (100 kgs e 1,55 de altura) para o mundo da dança.


Depois de anos de trabalho com a companhia, Jussara se desafiou a criar um solo para discutir a sua própria condição de bailarina gorda. Para ela, dançar está sempre associado a habitar um lugar onde os gordos não são permitidos: a cena. A questão do corpo gordo na dança é parte constitutiva da sua trajetória: “Eu sempre fui gorda, isso fez parte da minha prática, porque, claro, fez parte da minha vida”. Peso Bruto surge da urgência em dar ênfase a essa preocupação, que é política, mas, sobretudo, artística.


“Vontade de desistir ou de fazer outra coisa, por causa do meu corpo, eu não tive”, conta Jussara, que enfatiza que outra profissão nunca foi uma opção. Começou a dançar aos seis anos, e nunca mais parou. Aos 22 anos, se tornou profissional. Por ter começado no balé e no jazz, e participar de festivais competitivos em São Paulo, a necessidade de emagrecer para continuar a dançar foi uma constante durante a sua vida. “Na verdade, eu dancei como uma pessoa magra quase a minha vida inteira, principalmente pelo tipo de técnica que eu praticava. Tinham exercícios e ideários imagéticos pensados para outros tipos de corpos, sobretudo pelo modo como o peso ficava aparente na movimentação. De certa forma, eu quase não conseguia pensar de outra maneira. Eu estava, ali, fazendo como os magros sendo gorda”.

Busquei no youtube sobre o PESO BRUTO e encontrei um teaser bem maravilhoso, apertem o play. *_*

Jussara Belchior mostra através da sua arte o controle sobre o próprio corpo, controle esse que nós gordos somos sempre julgados por não ter.

Eu desejo muito que este espetáculo rode por muitas outras cidades do país, mostrando que podemos ser/fazer tudo o que quisermos.

Quem for ou estiver em de SP  e puder não deixem de comparecer, nós precisamos ser público em projetos maravilhosos como este.

 

Serviço: PESO BRUTO – Itaú Cultural

Avenida Paulista, 149, telefone: 2168-1776.
6ª e sáb às 20h/dom às 19h.
Grátis. Até 29/10.

 

19.10.17

Por que as mulheres gordas tem “obrigação” de serem hiper femininas?

Uma mulher magra pode vestir um jeans e uma t-shirt básica, prender os cabelos e ir trabalhar tranquilamente com aquele visual “acabei de sair da cama”. Mas as mulheres gordas muitas vezes precisam estar maquiadas, bem alinhadas, com o vestido perfeito e necessitam de um penteado ideal.

hiper femininas

Este era basicamente o visual de 99% das fotos da  Tess quando ela surgiu, era linda também, mas totalmente montada e com fotos super editadas. 

Já olharam ao redor (ou no instagram) e notaram que as gordas mais “descoladas” e “famosas” estão sempre muito produzidas? Vamos além e olhem os stories de blogueiras gordas e blogueiras magras e vai perceber que no dia a dia as magras não ficam justificando não estarem maquiadas e penteadas, já as gordas em sua maioria ou estão de acordo com o esperado ou estão se justificando por não estarem ali “perfeitas”.
Se pararmos para analisar somente os looks, vamos ver que as mulheres gordas estão sempre vestidas de forma impecável com roupas que em geral são produzidas de modo que “moldam” nossos corpos e os transformem sempre em algo mais feminino e menos gordo… ou ao menos, que visivelmente não demonstre o que a sociedade trata como imperfeição (barriga/celulite/ dobrinhas).

  Print do Google imagens quando busquei “Nicolette Mason looks”
Nicolette Mason é uma blogueira plus size super famosa, a única gorda que figura nas listas de tops influenciadoras de moda em geral.

Já se formos analisar looks de mulheres magras vamos perceber que tudo é muito mais simples e prático e bem parecidos entre si. Para mulheres magras tudo bem usar um jeans qualquer com uma blusinha podrinha, ou um vestido de malha soltinho. É clean, é minimalista, é casual sem se importar. É fashion. Para elas está liberado a “tendência de ser/parecer preguiçosa para se vestir e arrumar”, aquele visual clean do tipo “eu nem ligo, acordei e saí assim”; para as meninas gordas isso ainda é visto como sinônimo de desleixo e descuido.

Print do Google imagens quando busquei “Chiara Ferragni looks”
Chiara é considerada a mais influente blogueira de moda do mundo, é a top em várias listas sobre o assunto. 

Vale aqui ressaltar que mulheres negras magras também são mais cobradas pela aparência, um exemplo é a questão dos cabelos que só recentemente puderam libertar sem serem tidas como “sujas” e “preguiçosas”. Então é válido que a gente entenda que a cobrança maior está diretamente relacionada em não estar no padrão de beleza vigente que é branco e magro.

Quando nós gordas nos mantemos montadas, com looks e makes impecáveis, é inegável que seremos mais bem aceitas pela sociedade em geral. Nós precisamos “recompensar” as pessoas por nosso corpos, e quanto mais a gente adere a hiper feminilidade mais perto do padrão aceito ficamos.
Esse excesso é uma “garantia” de não sermos vistas como feias ou desleixadas, ninguém julgaria assim (mentira, algumas pessoas são hater e julgam sim) uma mulher que visivelmente teve trabalho para estar ali com aquela imagem daquele momento. Mulheres arrumadas de acordo com o padrão estético exigido são vistas de forma muito mais positiva em qualquer corpo, mas para as gordas o não estar nesse padrão é também não alcançar respeito social.

Não tem nada de errado em gostarmos de estar sempre bem vestidas, bem maquiadas e com os cabelos impecáveis. Quando questionamos esse excesso não é no sentido que não devemos ser assim, o que não deveria acontecer é essa NECESSIDADE de ser assim para ser mais bem aceitas pela sociedade no nosso dia a dia. Acredito que existam mulheres que tem prazer real em se montar todos os dias (embora eu não seja uma delas hahaha), e elas tem todo o direito de fazerem isso.
Mas a gente que não gosta, precisa questionar e parar de se esforçar para se encaixar nesse estereótipo de gorda aceitável. Não tem como falarmos de aceitação corporal de forma plena se para isso é preciso usar a roupa X e a maquiagem Y.

Nosso corpo não deve/ pode ser moldado pelo que os outros pensam de nós, hoje a mulher gorda é muito mais bem vista que uns anos atrás… mas qual mulher gorda? Sim! A Mulher GORDA que está sendo bem aceita é aquela que demonstra hiper feminilidade (se possível, num perfeito corpo ampulheta, com cinturinha violão e sem barriga – ou numa roupa que a faça parecer assim).

Nós todas que lutamos por maior inclusão do corpo gordo (inclusive quem curte a hiper feminilidade), precisamos reconhecer que existe essa imposição de excesso de feminilidade nas mulheres gordas e questionarmos e mostrarmos que não é preciso se moldar o tempo todo. Não precisamos nos vestir apenas com a moda Pin Up (que disfarça) ou com peças ultra justas que nos tornam mais curvilíneas, existe um mundo de possibilidades na moda e nós também podemos usar o que quisermos.

É importante que a gente tenha ciência que merecemos respeito com qualquer roupa que estivermos, seja vestidas de gala ou a camiseta da nossa banda favorita, nós continuamos sendo a mesma pessoas e não deveríamos ter a nossa saúde e costumes questionados por concluírem que nos vestimos de forma desleixada.

Mais uma vez ressalto, que não há nada de errado com a feminilidade. Errado é a exigência que nós mulheres gordas sofremos para estar sempre hiper femininas.
Assim como todas as mulheres a nossa feminilidade deve desrespeitar apenas a nós.

Vocês já tinham percebido essa questão?

Vamos conversar sobre aqui nos comentários. *_*

 

* Este texto foi indicação de uma leitora, que foi a primeira a ler e me ajudou a finalizar.

** Para saber mais sobre o assunto indico este texto (aqui) completo sobre o tema em inglês.

10.10.17

8 anos do Beleza sem Tamanho

Amanhã faz 8 anos que o blog nasceu, ele veio ao mundo em meio a um feriado prolongado, eu estava sem companhia para as baladas e resolvi aproveitar o tédio para criar o meu cantinho na internet (eu já estava ensaiando há uns meses, participando de outros blogs).

Me sinto super nostálgica de pensar em toda a evolução que vi acontecer e pude registrar aqui no blog.

Neste tempão, muita coisa melhorou na moda plus size e até na militância tivemos um avanço super positivo.

Só que infelizmente, também sinto que muita coisa se perdeu, sinto falta de várias blogueiras que iniciaram até antes de mim e acabaram sumindo das redes, sinto falta de conteúdos densos nos blogs e não só fotos com poesias, como é o mais comum na nossa era atual do Instagram.

Às vezes, me questiono se o atual cenário ainda é para mim, penso que talvez não seja, visto que eu nunca foquei apenas em mim, mas em outras mulheres como eu, bem diferente do que vemos atualmente. Mas a real é que o mundo nunca foi para mim e, mesmo assim, eu venho metendo o pé na porta faz alguns anos… É é assim, contrariando tendências, que sigo sendo aquela blogueira básica, sem grandes lacres e com muita problematização da realidade por tempo indeterminado.

Estes dias, uma menina me marcou numa postagem e eu fiquei muito emocionada, na postagem, ela dizia que o blog a ajudou muito e foi fonte de inspiração para se amar e que aos poucos, ela foi colecionando vários “eu me amos”, até que conseguiu colocar o corpo para jogo e parou de se importar com opiniões alheias. Inclusive, fez umas fotos lindas de lingerie, que com certeza, poderá inspirar muitas outras mulheres gordas. (o post está aqui)

Meu sentimento na hora foi de total gratidão, ver ali a certeza de que o que eu plantei lá no início do blog já floresceu nela e em outras mulheres, algumas delas já dão frutos e ajudam a alimentar e despertar a autoestima de mais um montão de mulheres gordas.
Não existe maior recompensa que essa, a certeza de que meu trabalho aqui nunca foi em vão, que ele foi instrumento para a mudança da realidade de algumas mulheres, que hoje já são capazes, cada uma do seu jeito, de incentivar outras.

Seguirei plantando sementes, vibrando com o florescer e batendo palmas para quem tem dado frutos.

Que venha mais um ano e que eu consiga sempre manter minha essência e minha verdade. para com elas, levar a mensagem de que todas podemos e devemos nos amar exatamente como somos.

Conto com a companhia de vocês hoje, amanhã e sempre.