Tag: gordos

05.07.17

Campanha do Agasalho GG+ – Doar para outros gordos é importante.

Nesses dias frios, somos sempre mais lembrados do quanto pessoas em situação de vulnerabilidade sofrem com a falta de roupas, em muitas cidades e associações já é comum vermos campanha do agasalho. É sempre importante tirarmos aquelas peças paradas no nosso armário para doar a quem mais precisa, mas no inverno essa necessidade é ainda mais urgente.

Com toda a divulgação dessas campanhas, nos motivamos (ou deveríamos) e doamos também roupas que não usamos mais, porém, existe um ponto que considero muito importante alertar para quem nunca pensou sobre.

Quando doamos nossas roupas para uma pessoa menor que a gente, é possível que ela as use grande mesmo e sem nenhum problema, mas quando uma pessoa gorda só recebe doações de roupas que são pequenas para seu corpo, infelizmente não tem como usar.

Sabendo disso, eu convido vocês a serem mais atentos ao doar suas peças, tentar, sempre que possível, doar para pessoas gordas que estão precisando e quando doarem em ONGS, é legal dar essa dica, de que privilegiem as pessoas maiores por conta dessa dificuldade.

Não se trata de não querer ajudar magros, se trata de dar preferência em ajudar quem tem ainda mais dificuldade de conseguir ajuda.

Ser uma pessoa que se veste de doações apenas já não é nada fácil, quando se trata de uma pessoa gorda, essa dificuldade é ainda maior. Se nós, que podemos comprar, já passamos aperto para achar o que serve, imagine quem precisa esperar por doações?

Vem fazendo frio demais nos últimos dias, vamos aproveitar para pegar aquele casaquinho que a gente não usa faz anos e doar para quem mais precisa? Façamos uma Campanha do Agasalho GG+, alertando a outras pessoas gordas da necessidade de doar para outros gordos também.

Cada um de nós é capaz de proporcionar um pouquinho de calor para quem mais precisa.

03.05.17

Entrevista de Peso: Marco Magoga

Faz tempo que quero fazer posts com entrevistas aqui no blog, mas sempre algo me atrapalhava e eu ia deixando para depois. Com o apoio de um amigo, eu consigo, hoje, lançar uma nova tag no blog, que é a #EntrevistadePeso, onde entrevistaremos pessoas gordas que andam fazendo a diferença com suas ações e que merecem ser vistas.

Para começarmos em grande estilo, hoje vocês vão conhecer quem é o Marco Magoga, que é um cara bem engajado na causa gorda e tem muito a acrescentar quando o assunto é Gordofobia.

 

1- Marco o que levou você a ser um militante contra a gordofobia?

Acho que o maior motivo que leva qualquer pessoa a militar contra gordofobia é… a própria gordofobia. Eu sempre fui gordo, mas nem sempre tive clareza de como sofria com a opressão gordofóbica diariamente. Como qualquer outra pessoa gorda criada nessa sociedade que naturaliza o corpo gordo como errado, eu acreditava que qualquer coisa ruim que acontecia comigo exclusivamente por causa do meu corpo (não caber/quebrar cadeiras, não achar roupas, levar bronca de médicos mesmo com resultados bons de exames físicos, piadinhas, entre tantas outras coisas) eram minha culpa.
Eu também tive uma formação cristã protestante muito forte. E o discurso de boa parte das igrejas cristãs na atualidade naturaliza ao extremo a gordofobia. Então acho que isso foi um fator para que eu aceitasse passivamente a ideia de que era meu corpo que estava errado, e não as estruturas de poder da sociedade. Até que no final da adolescência eu comecei a ler outras coisas, buscar outras fontes de conhecimento e ouvir pessoas que não faziam parte do meu cotidiano. Comecei a ler sobre feminismo, sobre movimento negro, sobre resistência lgbt, e minha mente e visão de mundo começou a se expandir muito. Comecei então a ter contato com o discurso de body positivity, e um belo dia eu descobri um blog que mudou minha vida: o www.gordaesapatao.com.br. Eu acho que a gente da militância tem que aprender a ser grato por quem nos formou e abriu caminho pra que a gente pudesse estar aqui hoje, e por isso nunca perco uma oportunidade de agradecer à Jész Ipólito por ter me ensinado tanto e ter aberto minha mente para o que era gordofobia. Acredito que o Marco militante nasceu ali, lendo aqueles textos (e tantos outros depois).
Demorou um pouco até que eu tivesse segurança pra escrever sobre o assunto, entretanto. Comecei no A Coisa Toda como colunista de moda, até que o Dudx Araújo percebeu o potencial dos meus textos que falavam sobre vivências gordas e me convidou pra ter uma coluna sobre o assunto. E aí O Grande Close nasceu e tem sido minha maneira de retribuir tudo o que eu recebi de conhecimentos através da militância online.

 

2- O que significa ser uma pessoa gorda em nossa atual sociedade?

Ser gordo atualmente significa duas coisas: que você é doente e que você é culpado por isso. É por isso que além de sofremos com a falta de acessibilidade (que vai desde não encontrar roupas que nos sirvam até não ter acesso a um aparelho público ou a um equipamento de saúde), não há uma preocupação genuína (nem do poder público e nem da iniciativa privada) em prover essa acessibidade.
Há uma preocupação (que ainda precisa ser maior, inclusive) em criar espaços que atendam pessoas cadeirantes, por exemplo, mas o mesmo quase nunca acontece com uma pessoa gorda. E por quê? Porque se parte do pressuposto que a “culpa” de ser gordo é sua, então se você quer o acesso pleno a um produto ou serviço é SUA RESPONSABILIDADE emagrecer. Isso é um processo muito cruel porque além de oprimidas pessoas gordas são responsabilizadas pela própria opressão que sofrem. E é algo estrutural, ou seja, não nasce apenas de ações individuais (piadas, casos de preconceito, falha de design), mas é todo um sistema que autoriza que essa opressão seja naturalizada e se perpetue.

 

3- Quais seriam as principais pilares da gordofobia?

A meu ver, o primeiro é o discurso biomédico, que avalia o corpo gordo como doente e coloca a tal da “obesidade” como causa de muitas outras doenças. Perceba que a “doença obesidade” (que tem um número próprio na Classificação Internacional de Doenças) tem como sintomas somente… ser gordo. Sempre que se fala dos malefícios de ser gordo há sempre um discurso do “vir a ser”: a POSSIBILIDADE maior de enfarto, a POSSIBILIDADE de desenvolver diabetes, sempre a POSSIBILIDADE. E nisso constrói-se a ideia de que o corpo gordo é sempre doente e que o corpo não gordo é sempre saudável, o que não é verdade. Muitas pessoas gordas sofrem de negligência médica simplesmente porque o médico atribui qualquer sintoma ao “excesso de peso”, e isso impede muitas vezes que a saúde seja tratada como deve, como algo multifatorial, e seja erroneamente associada somente ao biotipo.
O segundo pilar é a mídia. A mídia é a responsável por difundir os conceitos do setor biomédico para a população de maneira mais diluída possível, e o faz de duas formas: através do medo e da espetacularização. Na categoria medo temos programas “científicos” como o Bem Estar e as matérias de jornal que reafirmam o quão perigoso é ser gordo. Já a espetacularização são os realities de perda de peso, as piadas, os personagens caricatos, os estereótipos de gordo comilão e desajustado… Isso sedimenta desde cedo na cabeça das pessoas que o corpo gordo é doente e motivo de riso. Aliado à divulgação de padrões de beleza cada vez mais irreais, essa demonização do gordo cumpre o papel social de fortalecer o sistema gordofóbico.
O terceiro pilar é o resultado dos dois primeiros. O senso comum. Essa ciência “torta” diluída pela mídia, que também constrói imagens estereotipadas de pessoas gordas faz com que conceitos negativos sobre pessoas gordas se tornem verdades “absolutas”. Isso justifica a gordofobia familiar revestida de “cuidado”, os programas de emagrecimento malucos, o grande número de pessoas que se submete a cirurgias bariátricas (uma cirurgia de alto risco) somente porque introjetou que é tão terrível ser gordo que qualquer sacrifício é válido.

4- E qual seria a melhor forma de combate-la?

Não há respostas fáceis a essa questão, mas a principal delas é: despatologizando o corpo gordo. Ser gordo não é sinônimo de ser doente assim como ser magro não é sinônimo de ser saudável. E sabemos que não foi sempre assim. Houve um tempo em que pessoas gordas é que eram sinônimo de saúde. Em tempos antigos, onde havia escassez de alimento, ser gordo era considerado fartura. Veja só, nosso corpo nem sempre foi considerado doente, mas sempre houve uma associação com alimentação que não cabe. Nem todo gordo come demais ou de menos, e essa noção do “gordo comilão” ajuda e muito no aumento de casos de distúrbios alimentares.
Mas enfim, a primeira noção que precisamos ter em mente é que saúde é multifatorial: o que leva cada um a ser considerável saudável ou não é um estudo a ser feito caso a caso. Não há peso ideal (então não há sentido na expressão “acima do peso”), não há dieta única que sirva pra todo mundo, não há programa de exercícios que seja apropriado pra qualquer um, e, mais importante, meu biotipo – ou a forma como as pessoas percebem meu corpo – não tem nada a ver com meu estado de saúde ou com características de personalidade. O fato de eu ser gordo ou magro é só mais uma característica pessoal, não um valor moral nem tampouco um atestado de saúde.
A conscientização das pessoas através de militâncias e debates é muito importante também, mas para pessoas gordas o mais interessante é sair IMEDIATAMENTE de todos os círculos tóxicos possíveis. Nem sempre isso é possível, mas se afaste o quanto puder de pessoas que te acham doente e menos digno de qualquer coisa só por ser gordo. E se cerque de pessoas gordas, nem que seja virtualmente, porque ninguém precisa estar sozinho. Eu não tenho palavras pra descrever o quanto amigos gordos – presenciais e virtuais – me ajudaram e ajudam a ser uma pessoa melhor.
O fim real da gordofobia será no momento em que os manuais médicos, a legislação e a mídia mudarem seus discursos sobre pessoas gordas. É algo que não vejo acontecendo a curto prazo, porque precisamos que mais pessoas gordas sejam aliadas nessa causa. Então, leiam! Há blogs e pessoas incríveis pra se inspirar. Leiam o Beleza sem Tamanho, leiam os textos da Rachel Patrício, da Bee Reis, da Jessica Ipólito, da Cida Neves, o Grande Close no A Coisa Toda… ah, são vários! Se não vamos conseguir vencer a gordofobia nessa geração, podemos sim viver melhor e preparar o mundo pras próximas gerações que estão vindo.

Para ler os textos do Marco focados na luta anti gordofobia, é só clicar aqui, e para acompanhar os pensamentos/devaneios dele é só seguir no twitter @marcoaurelioooo.

Traremos muita gente gorda e relevante (de peso nos dois sentidos) para essa sessão do blog, podem aguardar os próximos posts e principalmente indicar pessoas que vocês queiram ver por aqui. ❤

04.04.16

[FAT ART] REPRESENTATIVIDADE PARA OS GORDOS!

Aqui no blog eu muito falo sobre as gordas, isso acontece por dois motivos:
Falta-me um gordo para chamar de meu e usar de cobaia hahaha (aceito propostas), e também ao fato que tudo ligado ao gênero masculino no plus size ainda é muito pequeno e tímido em relação a oferta que já temos hoje no plus size feminino.

Se a moda plus size ainda é muito fechada para os homens, encontrei na arte desenhos lindos e cheios de Representatividade para os Gordos. <3

Gordo fofo  Representatividade para os Gordos Representatividade para os Gordos Representatividade para os Gordos Representatividade para os Gordosgordo estilosogordo sexy casal de bearscasal bearsss

Só eu morri de vontade de ter uns desses materializados na minha frente?

Achei-os tão apaixonantessss que queria imprimir alguns em tamanho real para mim hahaha.  *_______*

Bears by Tatí Tatí desenhando

Os desenhos são obras desse moço fofo aí em cima, o Tatí (como é conhecido) que tem 35 anos e é de Fortaleza.

O Tatí disse para mim que ele sempre desenhou gordinhos,  sempre foi gordinho e se atraiu por esse biótipo. Já no Facebook ele   conheceu mais pessoas que desenhavam os Bears (ursos) e toda a comunidade Ursina, mas foi recentemente que apoiado por amigos que ele começou a publicar seus desenhos na página Bears by Tatí  (aqui).

“Urso é uma referência metafórica, na comunidade gay, ao animal do mesmo nome com notáveis características semelhantes. Essas características incluem seus pêlos e suas proporções. O urso é gordo e poderoso, e da conciliação destas duas qualidades é o cerne do conceito de urso.” (Wikipédia aqui)

Mesmo que os desenhos do Tatí sejam focados em um grupo especifico de caras, acredito que eles proporcionam sim uma representatividade para os gordos independente da sexualidade.

Estou apaixonada na delicadeza desses gordinhos <3, na page Bears by Tatí vocês vão encontrar desenhos mais ousados, mas ainda assim muito fofos haha.
Agora eu quero que vocês contem-me, o que acharam do dos desenhos?

Quero saber se sou a única morrendo de amores, ou se mais alguém está na mesma que eu. <3