Tag: gordofobia

22.11.16

LAB levou diversidade para o SPFW!

O dia 24/10 foi uma momento histórico para mim e muitas outras pessoas que acompanham o movimento gordo (plus size se preferir), a gatíssima Bia Gremion desfilou na passarela do SPFW. O  que tornou tudo ainda mais maravilhoso aos meus olhos, é ela ser GORDA, dessas que nem as marcas plus size contemplam ou se associam (a Bia veste manequim 60).

Para mim que acompanho esse universo faz anos, foi extasiante essa conquista, infelizmente sou blogayra pobre e não consegui vivenciar ao vivo esta cena, mas aqui de longe eu vibrei por esse momento histórico. <3

LAB levou diversidade para o SPFW

A minha euforia é total por conta da Bia uma mulher gorda na passarela, mas tivemos também um modelo plus size masculino que também arrasou na passarela e ainda a cantora Elen Oléria.

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A Laboratório Fantasma deu um show e sacudiu o mundo da moda, eles levaram para a passarela todos aqueles que sempre são excluídos do mundo da moda: negros, gordos e periféricos. <3
O Emicida declarou: “fiz com a passarela o que eles fez com as cadeia e com as favela, enchi de preto” e eu achei fantástico essa realidade jogada ali na cara da nata fashion da nossa sociedade.
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Muito maravilhoso tudo isso né? Mas aí já vieram me perguntar se cabia nas gordas, já que não existia uma grade separada para o plus size.

Para ter a resposta exata eu pedi ajuda ao Evandro Fióti que é um dos donos da LAB para responder a vocês, ele me explicou que hoje trabalham até o XG no feminino e até o 5G nas peças unissex, disse  também que ainda são pequenos e não conseguiram ainda arriscar em uma grade maior para toda a coleção, mas faz  parte dos planos da LAB.

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Mesmo tendo apena até o XG é possível ver que os tops servem na Bia e cabem também em muitas de nós, já as peças unissex são no estilo oversized, com uma numeração bem ampla que veste com folga pessoas gordas e dá para fazer até de vestido. As peças desfiladas estão disponíveis para venda no site: www.laboratoriofantasma.com.

Eu fiquei extremamente feliz com este desfile, torço para que eles estejam em todas as edições e possam levar ainda mais gordos para as passarelas.  E vocês o que acharam? Contem-me tudo aqui nos comentários.

 

10.11.16

Guest Post: Gorda no Pole Dance?

Quando a Kalli sugeriu que eu escrevesse para o Beleza Sem Tamanho sobre minha experiência com o Pole Dance eu fiquei super feliz, é com muito prazer que hoje conto para vocês a minha experiência como gorda no pole dance.

O pole é uma dança/esporte que, apesar de ter crescido bastante nos últimos tempos no Brasil, ainda não é tão comum e infelizmente carrega bastante preconceito pela ligação com stripper e erotismo em geral.
Não vou falar aqui sobre toda história do pole dance, primeiro porque eu nem sou a pessoa mais indicada para isso e depois, porque minha intenção aqui é outra, é falar um pouco sobre o meu histórico e mostrar para vocês que gorda pode fazer o que quiser, inclusive pole dance!

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No ano passado eu estava buscando alguma atividade física diferente, pois estava há muito tempo parada. Queria fazer alguma luta ou dança (sempre amei dança!). Comecei indo para uma aula de boxe em uma academia e foi uma das piores experiências da minha vida. Sério. Eu saí de lá chorando, e nem foi por ter ‘apanhado’ na luta, foi simplesmente porque eu sentia que não pertencia, que estava sendo julgada o tempo todo, etc. Um pequeno adendo aqui para confessar a vocês que eu não sei pular corda. E o aquecimento era basicamente todo intercalando entre pular corda e fazer flexão. Eu falei que não conseguia pular corda e se eu poderia fazer outra coisa e pessoas riram. Eu fui completamente ignorada. Ficava tentando acompanhar algo que não conseguia, já me achando um lixo.. Enfim, sei que isso nada tem a ver com a atividade em si e sim com o lugar idiota que eu tive o dedinho podre de escolher. E isso tampouco tem a ver com o pole dance, eu sei. Estou falando sobre isso porque sei que muitas gordas evitam alguns esportes coletivos e ambientes do tipo por medo de passarem por situações assim ou do que as pessoas irão achar delas. Eu honestamente não ligo para isso, não me preocupo com esse ponto, mas nessa aula especificamente eu me senti super mal.
Passado um tempinho, lembrei que sempre achei pole dance MUITO legal, lindo demais, mas que parecia impossível. Resolvi procurar estúdios mesmo assim e encontrei algumas opções aqui no Rio de Janeiro. Uma das primeiras mensagens que enviei para o estúdio, depois de já ter combinado de ir à primeira aula, foi algo do tipo “só estou com medo porque tenho zero flexibilidade, força e preparo físico, mas estarei lá”. Acho que esse é justamente o primeiro “impasse” que as pessoas colocam quando pensam em fazer pole dance. Eles me responderam informando que não havia pré-requisitos, que todos começavam no ‘basicão’ e cada um vai evoluindo no seu tempo, trabalhando aos poucos os pontos necessários.

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Isso foi em junho do ano passado. Na primeira aula, vi que seria bem difícil, mas não era impossível – só precisava ter paciência e não desistir. A cada aula eu estava mais apaixonada e conseguindo evoluir mesmo que aos pouquinhos. Queria reforçar aqui que durante esse tempo, é a única atividade que faço e apenas uma vez por semana, ou seja, as evoluções que tive, mesmo que devagar, são realmente apenas por conta das aulas! Quando digo evoluções, me refiro a conseguir fazer os movimentos. Muitas pessoas procuram o pole dance em busca de perda de peso – e aí acham que me refiro a isso como ‘evolução’ –, mas esse não foi um dos meus motivadores e nem algo que eu monitorei durante o período.

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Inicio coreografado e depois cada uma por si 😂❤️

Um vídeo publicado por dreacosta (@dreacosta) em

Me pediram mais trechos da dancinha de ontem! Então juntei os vídeos do insta stories procês verem. 😍

Um vídeo publicado por dreacosta (@dreacosta) em

Sério, se vocês tem vontade, não tenham medo e experimentem! Tenho certeza que se eu consigo, todo mundo consegue! Terão dias muito ruins, nos quais você realmente não vai conseguir fazer a maioria das coisas – odeio quando isso acontece, mas acontece. Mas a maioria deles vai ser diferente, com certeza! Para mim, é muito motivador e libertador. Espero que para quem resolver dar uma chance, também seja! *__*

17.10.16

Se tiver representatividade, eu vou elogiar!

Semana passada, a internet ficou em alvoroço com a notícia da Ju Romano na Playboy, por um lado, muita gente comemorando a representatividade e por outro, muita gente problematizando a situação, eu me incluo nas que comemoram mais essa conquista e é sobre isso que eu quero papear com vocês hoje.

Eu sei que vivemos em uma sociedade machista, onde a mulher é vista como objeto e que algumas mídias só reforçam isso, causando grandes danos sociais à imagem da mulher. Mas ainda assim, eu acho muito maravilhoso ver que as gordas estão ocupando esses espaços.

Sei que muita gente pensa, qual vantagem em ter o corpo gordo sexualizado? Para mim nenhuma, já que eu já sei o meu valor, independente do que a mídia diz. Mas para a sociedade no todo, isso é muito importante, já que milhares de mulheres se acham horríveis só por serem gordas, se consideram abomináveis e não dignas de serem vistas como uma mulher sensual.

Para essas mulheres, essa representatividade em meios “sensuais e sexuais” faz toda a diferença, ver um corpo semelhante tendo destaque como sexy na mídia é a certeza de que elas também podem ser lindas e sensuais. Por outro lado, os meninos começam a ter contato com corpos gordos e sensuais e param de temer assumir para os colegas que têm um relacionamento com uma menina gorda.

O que os homens pensam ou não pensam está bem distante de ser a prioridade da minha luta, mas se eles mudarem os paradigmas, teremos menos mulheres sofrendo com relacionamentos bostas, em que o mocinho tem vergonha delas. Então, por fim, é sim necessário que essa mudança ocorra e eu acredito que a imagem de mulheres gordas em revistas masculinas, propaganda de cerveja e até na divulgação do vídeo game é a naturalização da gorda como mulher bela e gostosa, assim como qualquer mulher.

E essa naturalização do corpo gordo não é o que buscamos? Então, baseado nisso, eu só vejo vantagens em termos mulheres gordas em todas as mídias.

Teve gorda na propaganda da Cerveja Budweiser

via GIPHY

Teve gordas em trailer do joguinho Mobile Strike

 

E na semana que vem teremos a Ju Romano na Playboy!

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Vocês podem até achar que isso tudo só alimenta fetichistas, mas eu preciso lembrar vocês que fetichistas não precisam disso para se alimentarem, eles sabem muito bem onde encontrar mulheres gordas sensuais, já a nossa sociedade que prega um só padrão de beleza, precisa.

Sei que essa é apenas a minha opinião e respeito quem pensa diferente de mim, mas convido vocês a pensarem um pouco nas mulheres que ainda não possuem nenhum contato com o gordativismo, e compreenderem, que para elas, essa representatividade pode fazer toda a diferença.

10.10.16

Daiana Garbin cede espaço para debate sobre Gordofobia!

Logo que a Daiana Garbin saiu da Globo para se dedicar a um projeto pessoal no Youtube, assisti ao seu primeiro vídeo e gostei muito do que ela falava, senti calafrios ao pensar o quanto aquela moça LINDA sofria ao trabalhar como repórter em um dos programas mais gordofóbicos da atualidade. Seu canal EU VEJO é, inclusive, parte do seu tratamento como ela já declarou:
“Não adianta as pessoas elogiarem se a beleza não estiver dentro da gente. Isso é autoestima, ser poderosa, apropriar-se do seu corpo. Acho que estou na metade do caminho, só por estar aqui falando abertamente sobre isso e ter transformado isso em meu projeto de vida” 
Por conhecer bem o mundo dos transtornos alimentares e de imagem, em momento nenhum eu duvidei que a bela, loira e magra Daiana se sentia mesmo uma mulher feia, embora eu mesma nunca tenha sofrido destes transtornos, eu conheço os bastidores e sei que mulheres lindas com transtornos se enxergam de uma forma absurdamente negativa.
Embora eu tenha amado tudo que vi naquele primeiro vídeo, eu me mantive com o pé atrás, temia que ela, por ser linda (dentro dos padrões) e ter um respaldo da Globo, viesse a distorcer a nossa luta contra a Gordofobia, com o velho e conhecido discurso de Saúde, que já conhecemos tão bem, por isso, acabei não indicando o canal dela logo que lançou.

Mas esses dias, tive uma maravilhosa surpresa, quando vi que ela não apenas debateu Gordofobia sem patologizar o corpo gordo, como convidou uma gorda linda para falar sobre o tema, aí garrei amor total no canal dela e acho que TODO MUNDO precisa conhecer.
A Genize Ribeiro (que colabora com o blog), foi a convidada para o bate papo que ficou muito legal, apertem o play para assistir.

É muito maravilhoso quando uma pessoa de destaque decide abordar uma opressão e dá lugar de fala ao oprimido, para mim, fica a certeza que essa pessoa quer mais do que visualizações e fama, ela quer mesmo ajudar a mudar a realidade distorcida da sociedade, dando voz a quem mais entende.

Nós, mulheres gordas, sempre temos muito o que dizer, e serei sempre grata a pessoas que nos cedem espaços e dão destaque a nossa luta.

Desejo de coração que a Daiana Garbin faça as pazes total com seu corpo e que siga ajudando muitas meninas com transtornos a buscarem ajuda e se tratarem também.

Se olhar no espelho, se amar e gostar do seu reflexo é maravilhoso, desejo que todas as mulheres do mundo um dia alcancem esse estágio e possam ser muito mais felizes com a própria imagem.

04.10.16

Inclusão e Conscientização no Hashtag Bazar – Rio de Janeiro

Já contei para vocês que o Hashtag Bazar Plus Size é muito mais que um bazar, a organização se preocupa muito com a Inclusão e a Conscientização das pessoas gordas.
Essa inclusão ocorre claramente nos desfiles, a conscientização é evidente através dos lambes da @historiadefogo e dos bate papos sempre com temas pertinentes.

Mas o que vocês ainda não viram eu comentar por aqui e que venho contar hoje é sobre o Jornal “Tamanho G” que é distribuído gratuitamente durante o evento.

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“Grande desde o nome, o jornal “Tamanho G” foi criado para dar representatividade às pessoas gordas. Um jornal que todas as pessoas gordas, consideradas “acima do peso” precisam ter para saberem mais sobre um tema tão existencial em suas vidas: A gordofobia!
A ideia do jornal é esclarecer as pessoas do que é e como surgiu o preconceito contra as pessoas gordas para que elas possam se empoderar e iniciar sua caminhada pelo direito de ser, existir e de reivindicar respeito apenas por uma característica. Homens e mulheres unidos em uma causa comum, sem distinção ou preferência de gênero, contra a gordofobia diária que sofremos.
Um jornal pioneiro, o primeiro do país a ser escrito por pessoas gordas, para pessoas gordas falando sobre assuntos de nosso interesse. Ousadia pura, muita personalidade e empoderamento para sair das redes sociais, para enfrentar gordofobia no mundo real. A nossa ideia é abordar a gordofobia como uma questão social, que afeta a nossa vida não apenas na estética, mas em tudo, desde a cadeira que sentamos até o direito a vaga de um emprego.
E o jornal pretende ampliar nossos horizontes e ver que a sociedade toda precisa ser sacudida e perceber que as pessoas gordas existem e merecem ter suas necessidades reconhecidas e atendidas como qualquer pessoa.
O desejo do Jornal é a inclusão dos gordos na sociedade com bons olhos. Vamos levantar a bandeira da inclusão!? Conscientizar para incluir!”
Quer fazer parte desse projeto, contribuindo com textos ou patrocinando? Entre em contato pelo emailjornal.gordofobia@gmail.com ou pelo telefone 21 98132-1195.

Aproveito para mostrar para vocês a roda de conversa que aconteceu na última edição do Hashtag Bazar. Apertem o play agora mesmo, para ouvir tudinho que essa galera tem a nos dizer, é sempre um aprendizado maravilhoso. <3

A próxima edição já tem data marcada e muitas marcas maravilhosas confirmadas, cliquem aqui e confirmem a presença no evento do Facebook.

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Eu espero conseguir ir nesta edição e quero ver o povo do RIO todo por lá, eu já tenho certeza que será tudo de bom esta edição. *_*