Tag: gordofobia

04.08.17

Gorda Esporte Clube – O melhor time do Brasil!

Vocês já conhecem o Gorda Esporte Clube? É um projeto maravilhoso, onde uma gorda mostra sua rotina de treinos e incentiva outras pessoas a se jogarem nos esportes por prazer.
Desde que conheci eu amei e venho acompanhando o projeto, quando decidi fazer um post eu pedi a idealizadora Fabrina que contasse para vocês um pouquinho do Gorda Esporte Clube e ela contou de forma linda e não tive audácia de cortar nada e nem acrescentar.

Comecei o Gorda Esporte Clube no momento em que decidi parar de odiar meu corpo. Quando olhei para tudo que deixei de fazer por ter aprendido que ser gorda era um impedimento, vi que a maioria das coisas era relacionada a esportes e movimento. Resolvi que daquele momento em diante, faria tudo o tinha vontade. Quero correr uma maratona entre 2018 e 2020, aprender a nadar em mar aberto, andar de long board, dançar, fazer pilates, ioga.

Pesquisei sobre mulheres que falavam sobre ser gorda e ser fitness, que contrariam esse conceito higienista que temos. Não encontrei nada no Brasil, só na gringa. Decidi contar minha experiência. Sou jornalista e estou na internet desde que tudo era mato, então foi meio que um processo natural.

Todo dia é um exercício novo. Quando se é uma mulher gorda aprendemos desde cedo que não devemos ocupar mais espaço do que já ocupamos. Essa foi e ainda é a minha maior dificuldade. Ainda falta representatividade. Raramente vemos fotos e vídeos do corpo gordo em movimento sem que seja pejorativo. O nosso olhar é treinado para nos criticar e esperar que o nosso corpo reaja da mesma forma que um corpo magro. Todo dia eu me educo e reeduco para ver a minha imagem em fotos e vídeos dos treinos e corridas e entender que está tudo bem. Aos poucos vou aprendendo e entendendo o processo. Tenho planos de gravar com uma professoras de algumas modalidades. Todas gordas.

Minha maior dificuldade, no entanto, não é o tamanho do meu corpo ou a reação das pessoas. Quando eu mudei e me aceitei, as coisas se tornaram mais simples. Entendi que o problemas não sou eu, são eles. E me sinto muito mais tranquila para dizer que as pessoas gordas estão fora do ambiente esportivo por hostilidade e não preguiça.

Em poucos meses, muita coisa mudou porque eu mudei. Vivia entrando e saindo de academias e práticas que eu amava por achar que como não emagrecia, estava falhando. Por exemplo, quando conheci meu treinador atual e minha equipe (MLF de Marília), eu consegui dizer a ele que queria correr uma maratona e não emagrecer. Esse é o foco dos meus treinos. Hoje, minha dificuldade é conciliar tudo o que quero fazer do GEC, os treinos e as corridas com a vida. É o problema mais banal que existe e também uma prova de que pessoas gordas são pessoas.

Há quem duvide e quem critique? Claro que há. Mas eu fiz uma escolha e estou extremamente feliz com ela. Se eu quis emagrecer? Sim. Fiz dietas, tomei remédios, jejum, fotos de antes e depois. Eu me maltratei muito para dar aos outros o que eles queriam. Hoje, eu me priorizo sempre. Por 37 anos esse foi meu maior sonho.

Minha narrativa ainda está no começo e ela inclui participar de uma maratona entre 2018 e 2020. Hoje, meu maior sonho não é ter um corpo menor. É ter um dia maior para que eu possa incluir outros esportes e atividades no meu dia-a-dia. Desejo mais tempo para ser quem eu sou.

Vocês também já estão na torcida por ela? Para mim foi imediato, é impossível não torcer por ela e por todos os gordos que queiram se dedicar aos esportes. 

Acompanhem o Gorda Esporte Clube nos links abaixo:

Blog FacebookInstagram Twitter – Youtube

07.07.17

Kelly Clarckson rebate seguidor que a chamou de Gorda!

Kelly Clarckson estava comemorando o 04 de Julho no Twitter, ao postar sobre a Independência dos EUA seus seguidores começaram a responde-la dentro do tema, mas apareceu um engraçadinho que disse: “Você é gorda” e ela imediatamente o respondeu dizendo: “E continuo sendo muito incrível”.

via GIPHY

Em 2015, Clarkson já havia rebatido críticas de que estaria acima do peso. Principalmente, por ser uma pessoa pública. “Eu sou incrível! Não me incomoda. É um mundo livre. Diga o que quiser(…) Eu não procuro pela aceitação dos outros(…) Você pode amar ou você pode odiar. Há muitos artistas por aí”, ironizou. (daqui)

A gente já sabe que ser GORDA é apenas uma característica física, mas muitas pessoas insistem em usá-la na tentativa de nos ofender. Não tenho dúvidas de toda a pressão que Kelly sofre para emagrecer, inclusive já emagreceu algumas vezes, mas gorda ou magra ela é incrível e eu fico feliz que ela saiba muito bem disso.

Para ilustrar essa afirmação eu trouxe seis looks maravilhosos que ela já usou nos palcos, para a gente admirar e até copiar quando precisar arrasar. *_*

 

 

Todo corpo merece ser respeitado e amado independente da sua forma, nossos corpos são mutáveis e podem hoje estar gordo e meses depois magro, assim como pode acontecer ao contrário. O que importa é sabermos que o tamanho de um corpo é apenas o tamanho de um corpo, e isso não interfere na capacidade dele.

Depois de mais esse exemplo, a gente não pode se esquecer do quão incríveis somos.

29.06.17

Remédios para emagrecer

remedios para emagrecer

 

Esse é um assunto polêmico, portanto acho melhor deixar claro alguns pontos antes de começar o texto.

  1. Eu não sou médico, sou nutricionista.
  2. Minha intenção não é indicar ou contra-indicar qualquer tipo de medicamento nesse texto, mas sim trazer algumas reflexões que acho interessante para as pessoas não-médicas fazerem.
  3. Nutricionista nenhum pode prescrever medicamentos, isso é proibido.
  4. Os profissionais da alimentação devem saber como eles funcionam e qual o impacto que isso tem na alimentação, corpo e saúde geral da pessoa.
  5. Embora só os médicos possam prescrever medicamentos, esse é um assunto que diz respeito a todas as pessoas da sociedade.
  6. O foco do texto é o uso desses medicamentos para emagrecer.

Por que estamos falando disso?

Em outubro de 2011 alguns medicamentos para “controle de peso” e “inibir o apetite” foram impedidos de serem comercializados no Brasil e outros sofreram um ajuste de prescrição mais rigoso: anfetamínicos (anfepramona, femproporex e manzidol) e sibutramina, respectivamente.

O motivo de a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) “com base em estudos internacionais que constataram a baixa eficácia desses medicamentos na perda de peso e riscos à segurança do paciente”, especificamente “os riscos à saúde oferecidos por esses remédios, como problemas cardíacos e alterações no sistema nervoso central, superam o benefício da perda de peso” ¹. Percebam que as pessoas que participaram desse veto não eram size friendly, mas mesmo assim reconheciam riscos importantes.

Nesse meio tempo esses medicamentos continuavam sendo usados ilicitamente, algumas vezes por pessoas que decidiam tomar elas por conta própria e compravam no “mercado negro”. Outras vezes prescrito por médicos, infelizmente. Eu já era nutricionista nessa época e atendi inúmeras pessoas que fizeram uso desses medicamentos nesse período.

Nesse mês (Junho/2017) esse medicamentos voltaram a ser permitidos no Brasil e isso gerou uma série de debates² . Muitas associações médicas se mostram contra a proibição dessas medicações desde o início.¹

É importante salientar que quem proibiu em 2011 foi a ANVISA e quem liberou em 2017 foi um projeto lei sancionado pelo presidente em exercício. A ANVISA ainda permanece contra e afirma que esse projeto é inconstitucional³.

A primeira questão aqui é: o quanto o Congresso tem de capacidade técnica para decidir se uma substância é mais ou menos danosa à saúde?

Segunda questão é: será que não pode ter rolado uma pressão de algumas indústrias farmacêuticas (que possivelmente financiam campanhas ou fazer acordos políticos com atuais representantes do congresso) para que esses medicamentos fossem novamente liberados, logo para serem prescritos, para a galera ganhar mais dinheiro com consultas e prescrição de remédios?

Terceira questão: as substâncias são as mesmas e o nosso corpo é o mesmo, o que fez essas substâncias serem consideradas perigosas em 2011 aqui no Brasil e 2017 não mais? (PS: Algumas dessas medicações são proibidas há quase 20 anos na Europa e nos Estados Unidos²)

remedios para emagrecer

Você pode e deve questionar sobre alguma medicação que está sendo prescrita

Muitos profissionais não gostam de serem questionados, mas o próprio Conselho Federal de Medicina diz que essa lei “respeita a automia dos médicos e dos pacientes na escolha de procedimentos terapêuticos ‘reconhecidos e válidos’”.³

Vamos fazer valer esse direito? Converse com o médico: eu quero saber mais sobre esse medicamento; eu não quero tomar isso; eu prefiro não usar essa medicação; etc.

E se você não se sentir confiante, procure uma segunda opinião. Ou terceira, ou quarta… Até que você fique satisfeitx com o que foi acordado com você.

Cuidado com as “fórmulas”

Fique atentx principalmente quando o assunto for fórmula manipulada. Não é comum ler ou perguntar o que tem nas fórmulas, mas é preciso.

Mesmo se você não for ao médico para emagrecer, às vezes fica “implícito” pelo fato de ser gordx, que aquilo é necessário ou que você deseja.

Procure saber os efeitos colaterais

Leia a bula. Fomente discussões em fóruns. Converse com pessoas que já usaram pra decidir se você topa ou não o que vem junto do uso desses medicamentos. Alguns efeitos colaterais comuns das anfetaminas são taquicardia (sensação do coração batendo rápido, sentir que ele vai sair pela boca), agitação, insônia, transtornos psiquiátricos, elevação da pressão arterial, etc.

Minha experiência, enquanto nutricionista

O que eu posso falar do que acompanhei dos meus pacientes ao longo desses quase 10 anos, durante o uso de algumas dessas medicações e muitos após anos de parar de usar com o intuito de emagrecer.

Sim, eles emagrecem e muito rápido. Porém a pessoa reganha esse peso na mesma velocidade quando interrompe o tratamento. E o uso da segunda vez nunca produz o mesmo efeito (em termos de emagrecimento), assim como o terceiro e assim por diante.

Algumas pessoas desenvoveram ou potencializaram quadros psiquiátricos (depressão, síndrome do pânico, etc) após alguns meses ou anos da interrupção do uso desses medicamentos.

Muitos amigos médicos me disseram que esses casos são de pessoas que fizeram um uso incorreto da medicação. Isso eu não posso afirmar sobre quem eu acompanhei. Mas eu nunca atendi uma única pessoa que tenha emagrecido e mantido o peso com essas medicações que foram aprovadas. Não significa que elas não existam, mas a maioria foi como eu descrevi acima (fiz um cálculo mental rápido e só nos ultimos 6 anos eu atendi um total de aproximadamente 5 mil pessoas – apenas algumas usavam ou tinham usado essas medicações).

O desejo de emagrecer pode ser sedutor, mas fiquem atentxs para o que esse pacote trará para sua vida, não apenas hoje, mas amanhã, o mês que vem e o ano que vem. O corpo é seu, a saúde também.

 

¹ http://www.brasil.gov.br/saude/2011/10/anvisa-decide-banir-emagrecedores-a-base-de-anfetaminas-mas-libera-sibutramina

² http://portal.anvisa.gov.br/noticias/-/asset_publisher/FXrpx9qY7FbU/content/sibutramina-e-remedios-para-emagrecer-entenda/219201/pop_up?_101_INSTANCE_FXrpx9qY7FbU_viewMode=print&_101_INSTANCE_FXrpx9qY7FbU_languageId=pt_BR

³ http://www.farmaceuticas.com.br/presidente-em-exercicio-sanciona-lei-para-liberacao-de-anorexigenos-mas-anvisa-afirma-que-e-inconstitucional

 

https://www.facebook.com/nutricionista.cezar/

07.06.17

Anitta leva representatividade gorda aos palcos…

E gordofobia para as redes sociais.

A cantora Anitta lançou semana passada o clipe de sua nova música gravado na gringa com direito a dançarina gorda e fomos todos a loucura. Foi sem dúvidas um passo bem positivo em prol da representatividade de corpos. Podia ser melhor? Podia sim, mas foi algo inovador vindo de uma cantora pop, todo mundo comemorou e eu também.

 

No último sábado dia 03/06 ela se apresentou na Globo com sua nova música, foi nesse dia que a “diva pop” fez também a apresentação das novas bailarinas do seu ballet. O que poderia ter sido maravilhoso e muito representativo, acabou se tornando algo infeliz, tamparam demais as bailarinas gordas e ainda as deixaram no fundo da apresentação. Os comentários dos fãs (ou haters) estavam questionando por qual motivo as meninas gordas estavam vestidas com roupas e as outras de lingerie.

Em um grupo de militância eu e mais uma galera problematizamos bastante, e tentamos mostrar que aquilo não estava bom, que a gente merece muito mais.

Contrariando a expectativa da galera que dizia “você reclamam de tudo” “reclamar não leva a nada” as queixas foram ouvidas e ontem quando a cantora se apresentou no Música Boa os looks já não estavam mais discrepantes.

Sei que o look da Thais Carla (maravilhosa por sinal) foi montado no dia, é possível ver que o cropped é uma blusa amarrada e não é ainda um look no “padrão” da outra bailarina, mas foi gratificante perceber que correram e deram um jeito de melhorar e espero que sigam melhorando.

A apresentação de ontem foi bem linda por sinal, confiram no vídeo abaixo.

Embora no momento das problematizações tenha sido apontado as falas e ações gordofóbicas da Anitta, eu escolhi não focar nisso e lá no fundo eu tinha esperança que isso seria o passado dela (mesmo que tivesse coisas da semana passada).

Hoje mal acordei e já tinha mais uma piadinha gordofóbica postada por ela, uma galera fez uma paródia da música atual relacionando a alguém gordo e compulsivo. E o que a Anitta fez? Não só compartilhou como deixou claro que á a paródia da sua vida.
Nós sabemos o quanto mulheres magras se dizendo gordas são prejudiciais à saúde emocional de mulheres realmente gordas, posicionamentos assim vindos de uma personalidade pop afetam diretamente a autoestima de milhares de mulheres e meninas que acompanham o seu trabalho.

 

Essas atitudes da Anitta só mostram o quanto o mercado se aproveita cada vez mais de causas sociais, claro que eu quero e fico feliz com o fato dela colocar gordas no ballet, mas aí ela vem e nos lembra o quanto errados somos em ser gordos e o quanto isso é odiável no seu ponto de vista.

Eu sei que a vontade de vibrar com a Thais Carla é imensa, eu também estou vibrando e sei o quanto ela é maravilhosa e merecedora de estar ali.

Mas a gente não precisa passar a mão na cabeça e achar que a Anitta é boazinha, enquanto ela segue propagando que o corpo gordo é inferior aos outros.

Que todos os dias a gente exalte as gordas, mas não dê créditos de boa garota para quem está frequentemente debochando e propagando o ódio/pavor ao corpo gordo.

30.05.17

Lizzy Howell – A bailarina gorda que se tornou hit da web!

No início do ano me deparei com um vídeo no insta com uma bailaria gorda que arrasava na pirueta, imediatamente eu postei aquele vídeo e pude perceber que mais pessoas também tinham amado a desenvoltura dela.

Vc pode ser e fazer tudo o que quiser. ? Via @reveldancewear o perfil dela é @lizzy.dances. ?

Uma publicação compartilhada por Kalli (@belezasemtamanho) em


Nos poucos meses que se passaram desde que a conheciaquela mocinha que eu tinha me encantado, virou um grande fenômeno e hoje tem mais de 100 mil seguidores no instagram e está inspirando um montão de gente.

Lizzy Howell tem apenas 16 anos e já prova diariamente (com fotos e vídeos), que todos os corpos são aptos a fazer qualquer coisa que quiserem. Sabemos que o mundo do ballet exige mutias vezes corpos magros e até exclui as gordas, mas Lizzy está mostrando ao mundo todo que todo corpo é um corpo de bailarina.

A bailarina gorda tem feito tanto sucesso que chamou a atenção da varejista Target, que a escolheu para estrelar a campanha da linha de roupas esportivas C9 Champion, desenvolvida para todos os tamanhos de corpo.

Em apresentação solo ou ao lado de outros atletas (com corpos que não costumamos ver em propagandas relacionadas a esportes), Lizzy faz piruetas e saltos perfeitos. Confiram no vídeo toda a sua habilidade com a dança:

Além de ser bailarina, Lizzy faz jazz e sapateado quarto vezes por semana. E ainda tem quem diga que gordos são sedentários, é  sempre bom lembrar que pessoas são sedentárias em vários tipos de corpos.

Ela sempre demonstra em suas postagens que é ótimo representar a diversidade na dança, mas espera que um dia não haja mais necessidade de ter representantes para isso.


Não só Lizzy, mas todas nós (pessoas que militam pela naturalização do corpo gordo) queremos que a sociedade entenda que formato de um corpo não tem influência nenhuma sobre a capacidade dele.

Todas as pessoas (em todos os corpos) podem tudo o que quiserem.