Tag: preconceito

29.01.16

O Tatuador do RS e a Gordofobia Naturalizada

Ontem eu tive acesso a uma postagem muito gordofóbica e sem ética vinda de um tatuador do RS. Mas o que mais me chocou não é o preconceito dele, mas como as pessoas julgam normal debochar de gordas, é triste nos darmos conta de como a gordofobia é naturalizada em nossa sociedade.

Djonatan da Silva é tatuador na cidade Canoas, Rio Grande do Sul, na quinta 28/01 ele fez uma publicação gordofóbica em sua página do Facebook e a reproduzo no print abaixo.

Gordofobia Naturalizada (2)

Teve 142 curtidas e 28 comentários até a hora que eu fiz este print, apenas uma mulhero recriminou pelo comentário, ele que até então estava agindo com gordofobia foi bem machista ao responder ao comentário dela.

Gordofobia Naturalizada (1)

Eu fiquei bem assustada com a falta de ética deste profissional, mas o que mais me deixou chocada é ver várias pessoas rindo e achando o máximo a publicação dele até os comentários que ele fez direcionados a Jéssica.

Acredito que pessoas ignorantes sempre vão existir, mas a presença do discurso de gordofobia não deveria ser algo natural e muito menos engraçado, mais pessoas precisavam ter contestado a publicação dele (mesmo sendo amigos).

Para nossa sorte em um mundo ainda com muita gente preconceituosa, temos a chance em meio a situações assim de conhecermos pessoas do bem. E depois de bater boca com o cara, Jéssica Tatuadora da Praia Grande virou a nossa Musa Absoluta. E nada mais digno que ilustrarmos esse post com uma foto dela nua e toda tatuada.  <3

Gordofobia Naturalizada

“Entreguei meu corpo a arte , senti o gosto amargo do preconceito e tenho o prazer de ser diferente.

Me orgulho do meu corpo e do meu caráter!”  (Foto e texto retirados de seu perfil no Facebook)

Desejo que o Djonatan possa entender a proporção do preconceito dele e que mude sua postura, como os prints mostram a atual é bem desnecessária ao mundo. Ele já precisou sair do Face e espero que ele use o tempo para pensar, afinal ainda é de graça. :p

Mas o que eu realmente desejo é que a cada dia mais gordas se fortaleçam e sejam donas de seus corpos e suas vontades, nunca permitam que o preconceito alheio paralise vocês.

27.01.16

GORDA DESSE JEITO, QUAL HOMEM VAI TE QUERER?

Dia desses encontrei pelo Facebook um texto muito claro sobre uma relação abusiva de uma mãe com a filha gorda. Nele a autora relatava coisas que eu também passei e infelizmente acredito que muitas de vocês também vivenciaram. Por isso, eu pedi a ela autorização e reproduzo abaixo na íntegra para vocês.

Depois do aparecimento da Jout Jout na internet, muito se ouviu falar sobre relacionamentos abusivos.
E quando ouvimos falar em relacionamento abusivo, logo, associamos a um casal, seja ele hetero, gay ou lésbico.
Mas hoje, eu venho falar sobre um outro tipo de relacionamento abusivo, aquele que eu sofri com a minha mãe.
Minha mãe sempre foi muito vaidosa e sempre cobrou de mim uma vaidade que eu nunca tive.
Colocou o meu primeiro brinco nos meus primeiros dias de vida e já haviam vários vestidos me esperando, muito antes de eu nascer. Até aí tudo bem, Não é nada novo ouvir uma mãe dizendo que sonha em ter uma filha mulher para poder arrumá-la, encher de lacinhos, e roupinhas cor-de-rosa. Insira aqui um gif qualquer de uma pessoa qualquer revirando os olhos.
O grande problema dessa história toda, é que eu nunca fui uma garota muito vaidosa, na verdade eu só queria ser criança, brincar sem me preocupar em sujar o vestido (na verdade eu queria mesmo era não ter que usar vestido) e ser uma criança normal. Não fui.
Senta direito.
Cruza essas pernas.
Não fica correndo.
Não tira o lacinho.
Arruma o cabelo.
Retoca a maquiagem.
Etcétera.
Não era muito diferente com as minhas amigas, não fui a diferetona, única, exclusiva, a sofredora do rolê, não!
TODAS AS MINHAS AMIGAS TAMBÉM SOFRIAM.
Alá o machismo aqui o tempo todo, só você não viu.
Meus primos, homens, tinha tanta liberdade, podiam brincar sem sentir culpa.
Ai, que inveja.
E foi assim até a minha adolescência.
Após os 14 anos eu comecei a engordar e não demorou muito pra minha mãe aparecer com inúmeras cobranças em relação ao meu corpo.
Você está imensa.
Precisa emagrecer.
Olha lá a Júlia tão magrinha.
Você precisa ser igual a ela.
Filha minha não vai ser uma porca gorda.
E tudo aquilo me machucava muito.
Aquilo era eu.
Eu não era uma porca.
Era gorda, sim.
Mas era eu.
E quando alguém me zoava no colégio, eu tinha que chorar sozinha em casa, porque não tinha uma mãe para desabafar.
Aos 18 anos eu estava vinte quilos acima do maldito peso ideal.
Ideal pra quem? Caralho!
Minha mãe já estava louca, toda semana me levava para um tratamento novo.
Mesoterapia.
Manthus.
Eletrolipoforese.
Termoterapia.
Lipocavitação.
Endermoterapia.
Criolipólise
E outros milhares que eu já nem lembro o nome.
Certo dia, após uma pesagem na sala da nutricionista, e a descoberta de que eu não havia emagrecimento nenhuma grama, minha mãe berrou em alto e bom som:
GORDA DESSE JEITO, QUAL HOMEM VAI TE QUERERGORDA DESSE JEITO, QUAL HOMEM VAI TE QUERER?
Foi quase um tiro no peito.
Fiquei horrorizada.
Ainda lembro do sorriso amarelo da nutricionista tentando disfarçar o constrangimento e dizendo com os olhos: “não liga para o que ela está dizendo”.
Mas eu ligava.
Tanto ligava que desabei em choro.
Pensei que ouviria um pedido de desculpas, mas ela foi ainda mais cruel, me puxou pelo braço e disse:
– Vamos embora, eu desisto de você.
Anos depois me vi retratada no filme MINHA MÃE É UMA PEÇA.
Claramente eu era a Marcelina e a minha mãe era a Dona Hermínia.
Aos 20 anos, conheci uma garota e me apaixonei por ela.
Passei a entender a minha sexualidade.
Começamos a namorar e não demorou muito pra eu sair de casa pra morarmos juntas.
Descobri que eu sofria de ansiedade e toda a ansiedade era decorrente do estresse que eu sofria morando com a minha mãe.
Depois de muitos anos sem conseguir dizer absolutamente nada pra minha mãe, eu resolvi escrever uma carta.
E no fim dela, após ter desabafado sobre tudo o que eu precisava, eu disse:
Um dia você me perguntou “qual homem que iria me querer?”, e hoje, eu posso te responder que SOU EU é que não quero nenhum deles.

POR: Pâmela Tolezano
https://twitter.com/PamelaTolezano

Quem já passou por isso, quem está passando por isso, espero que entendam que o erro não é com a gente. O erro está na sociedade como um todo, infelizmente isso inclui as mães, que em uma tentativa de “proteção” se tornam abusivas e agem com gordofobia.
Mas eu acredito em dias melhores, esses dias estão chegando e os filhos da nossa geração já não vão sofrer tanto (assim espero) com a gordofobia familiar.

E vocês já passaram por coisa parecida? Contem-nos aqui nos comentários.

07.01.16

Farm dá show de Gordofobia e Desrespeito!

A Farm é uma das marcas mais trends do mercado, todas as meninas que cabem nas peças sonham com algo e usam quando podem. Eu sempre soube que a marca não era para mim, eles trabalham com tamanhos “padrão” diminuídos e isso faz com que gente magra vista o G.
Entendo que este seja o nicho de mercado deles e não os culpo por se negarem a produzir para corpos maiores, afinal quem perde com isso é só eles ao ignorar a diversidade de corpos.

#ExplicaFarm
Só que não produzir é direito deles, mas desrespeitar uma pessoa gorda não é! Ontem encontrei esse print no facebook e uma explicação básica do caso que transcrevo abaixo.

Farm Gordofobia e Desrespeito

“GORDOFOBIA NA adoro FARM
“Mãe, quando eu entro nessas lojas, eu nem olho pras vendedoras, porque já espero isso delas.”
Foi o que a minha irmã disse sobre o assunto.
Uma agressão ostensiva e pública, hostilização descarada, que ela sofre sistematicamente só por ser gorda.
Contei a história pra uma amiga e ela disse que quando foi lá o G não coube e a vendedora disse “ah, é que a Farm é do Rio, e lá todas as meninas são magrinhas”. E aposto que vai ter muita amiga com mais podre pra contar.
Pois é. A Farm não economiza na fofura na comunicação, mas na hora do vamo ver, na hora de receber uma cliente com o mínimo de decência, a gente se depara com essa indigência.
Já ligaram pra minha mãe com o famoso “pedindo mais detalhes”, mas o comentário foi ocultado.
Será que a Farm vai ter alguma coisa pra dizer sobre o assunto ou será que vai continuar deixando vendedoras despreparadas escolherem quem pode e quem não pode frequentar a loja sem ser hostilizado?” Print e texto retirado daqui. 

Triste ver isso acontecendo pleno 2016, além de vendedoras que ignoram a presença de pessoas gordas, eles ainda acham válido ocultar a reclamação da pessoa que vivenciou um caso de Gordofobia.
Imediatamente quando soube do caso fui à page deles pedir uma resposta, para minha surpresa eu e todos que clamavam por respostas também foram ocultados.

Farm Gordofobia e Desrespeito (2)Farm Gordofobia e Desrespeito (1)

Como vocês podem ver nos prints que quando abro as 6 respostas eu só visualizo a deles e da Vanessa que é minha amiga. Quando ocultado somente amigos de facebook e a pessoa consegue visualizar os comentários. E assim eles nos calam, para que menos pessoas tenham acesso ao descaso da empresa.

O que mais me deixa indignada é que se fosse um episódio de racismo ou homofobia eles já teriam se explicado, por ser crime. Mas Gordofobia ainda não é um crime muito divulgado e as pessoas tendem a acreditar que não vai dar nada e é melhor calar quem reclama que se explicar.
Querida Farm, Gordofobia e Desrespeito já não são tão aceitos como vocês imaginam. #AindaBem

Peço que compartilhem o texto para que mais pessoas tenham acesso ao tipo de tratamento que a marca oferece na loja e nas redes sociais para as pessoas gordas.

E fica aqui uma meta de 2016: Marcas gordofóbicas não passarão!