Tag: gordofobia

04.05.15

Gordos Não Tem Obrigação de Engolir Preconceito!

Sabe uma coisa que desde pequena eu nunca entendi? O fato de as pessoas associarem gordo a coisas ruins. Desde cedo aprendi que o mundo tinha raiva dos gordos e eu simplesmente me perguntava sozinha no meu quarto que importância tinha se eu era gorda ou magra, se minha essência é que deveria importar. Em casa sempre ouvi, alarga a blusa que tá marcando a barriga, até que um dia eu gritei de raiva: E U  S O U  G O R D A ! ! Mesmo se eu vestir um barril, vou continuar sendo gorda. vou continuar tendo barriga e não me importa se você gostou ou não da minha roupa ou de como ela veste o meu corpo! Pára de fazer comentários assim! Sou gorda não importa o que eu vista que vou continuar gorda. E tem um monte de magro na rua que a blusa marca também a barriga! Me deixa! – E saí pro lugar aonde estava indo.

Gordos Não Tem Obrigação de Engolir Preconceito

E do nada lembrei disso e fiquei pensando no quanto a intolerância é cultivada e aceita como algo normal pela sociedade. Os intolerantes de hoje muitas vezes foram condicionados por seus pais direta ou indiretamente a serem intolerantes, preconceituosos, dentre outras coisas. Para a maioria da sociedade é certo criticar e se intrometer na vida do gordo, ditar regras de vestimenta, nutrição, comportamento, etc… E o que me dá muita vontade de rir é que o discurso deles é sempre o mesmo: Ah! Eu estou falando isso por causa da sua saúde e blá blá blá.

Mas ainda que isso fosse verdade, não deveria ser levado em consideração a saúde mental, psicológica do gordo? Nisso ninguém pensa ao nos falar um monte de asneiras! E me faz rir também o discurso da sociedade, “ai obesidade é doença”, tá… se vocês adoram falar que todo gordo é doente, onde está a empatia por alguém que tem uma doença crônica? Se somos doentes crônicos, não seria muita crueldade atacar um doente?

O que me deixa mais estupefata é encontrar gordos que ao verem uma denúncia de gordofobia, acham graça, minimizam o efeito que aquilo ali pode ter para outrxs gordinhxs. Para lutar por espaço e respeito nesta sociedade precisamos parar um pouco e refletir como nós mesmos muitas vezes enfraquecemos a luta pelo fim da gordofobia. E repensar a maneira como nossos comentários podem atingir pessoas que não possuem a mesma estrutura psicológica, emocional, mental de absorver o preconceito e não se abater por causa dele. O que para umas é bobeira, não faz nem cócegas, para outras é motivo de depressão, síndrome do pânico, e vergonha extrema que as impedem de levar uma rotina normal, sair de casa. Fora os distúrbios alimentares que matam. Uma palavra nossa, um comentário pode  disparar o gatilho pro desmoronamento de alguém. Algumas pessoas acham que o trabalho de blogueiras novas como eu de estimular pessoas a se amarem se resume apenas a dizer: ” se ame” “se ame”. Mas vai muito, muito, muito além disso! Eu posso não ter muita experiência como blogueira mas tenho mais de 20 anos de experiência na luta e sobrevivência ao preconceito que gordos sofrem. E sei o quanto a pessoa que está nesta situação precisar verificar com especialistas os 3 aspectos de sua saúde: física, mental e psicológica. Já sofri de distúrbios alimentares por conta da cobrança excessiva que recebia sobre o meu corpo, arranjei várias lesões por ter exagerado na carga horária de exercícios físicos que fazia, em média 8 horas por dia, durante 9 meses. Sei muito bem que a questão de desconstruir o preconceito que temos com relação a nós mesmos não pode, nem deve ser subestimado. É preciso buscar a origem dos problemas, buscar auxílio para as questões internas com profissionais da área de saúde(física, mental, psicológica)

É muito fácil você criticar outros gordos quando julga e não procura saber o que aquela pessoa enfrentou até ali. Vejo muitas pessoas que pesam 2 dígitos tratando com desprezo e preconceito quem pesa 3 dígitos, e o que vou falar agora poderá chocar algumas dessas pessoas que por ventura estejam lendo isto: para sociedade não existe gordinhozinho, gordinho, gordo, gordão. Pra sociedade são todos simplesmente gordos! Você que pesa 2 dígitos não gosta de ser tratado de modo desagradável por causa do seu peso, certo? Então por quê fazer isto com pessoas que pesam mais que você? Se você sofre com gordofobia por quê agir de modo preconceituoso com outros gordos? Isso é incoerente, não faz o menor sentido!

Então gordinhxs vamos ser mais solidários, desenvolver empatia e reavaliar o preconceito que temos com outros gordos e com nós mesmos! E parar com esse papo que nós é que devemos ser fortes e continuarmos de braços cruzados enquanto muitos sofrem e não conseguem aguentar tanto ódio gratuito e preconceito!

“O maior preconceito que devemos vencer, é o nosso em relação a nós mesmos” Claudia Rocha GorDivah

 

 

Beijos Queen Size,

Claudia GorDivah

29.04.15

Ousadia Plus Size: Empoderarte-me

Conheci o projeto Empoderarte-me através de uma das meninas que participou das fotos, ela relatava sua experiência de resgate da autoestima através daquela fotografia e imediatamente eu já quis ver mais fotos e trazer para o blog. <3
Já conhecia a fotógrafa Mariana Godoy e um pouquinho do seu posicionamento sobre arte e beleza, quem me conhece melhor sabe o quanto o natural me encanta, eu acho realmente bonito o que muita gente chama de imperfeição.
Como achei as fotos muito a proposta da nossa tag Ousadia Plus Size, trouxe algumas para compartilhar com vocês, além da opinião de cada uma dos envolvidos, vem comigo ler, ver e admirar essas lindas e empoderadas mulheres. <3

empoderarte-me (4)

“Adoro transportar a ideia de que com as fotografias, podemos desconstruir preconceitos e dar um basta radical na nossa sociedade. Porque não né? Tudo é possível!

Foi a partir dessa ideia que elaborei e fotografei o projeto Empoderarte-me. Esse projeto aborda a mulher gorda. Sim, gorda, não plus size. A mulher gorda de uma forma sensual, sexy, nua e feliz com o próprio corpo. Já estava cansada dessa ideia de ensaios sensuais “padrões”. Foi então com a ideia da Tatiane Stocco, que elabora um sarau erótico na cidade, fazer uma exposição de fotos sensuais de gorda. Achei maravilhosa a ideia de topei na hora. As fotos mostram o valor da aceitação e o quanto a mulher é poderosa e sexy se ela quiser.

Procurei mulheres reais e não usei nenhuma manipulação de imagem no corpo das modelos. Espero mesmo que esse ensaio empodere muitas mulheres. Poxa, vocês são maravilhosas, acreditem! Eu também sou gorda, e ainda estou em treinamento de aceitação, então pra mim esse ensaio é mais uma forma de aprendizado. De ver o quanto o mundo ainda pode ser cruel, mas o quando nossa beleza, riqueza e admiração pode ser melhor e maior que todos os problemas. Acreditem mulheres. Vocês são demais!” (Por Mariana Godoy aqui)

empoderarte-me (5)

“Minha resistência aos padrões de peso e depilação teve início como um posicionamento político, mas se transformou em um profundo amor por tudo aquilo que sou. É a paz e o amor que sinto com meus pelos e meus quilos que quero transmitir a quem vê esse ensaio.” Aline Maria -28 anos.

“Foi um desafio de aceitação e um exercício de amor próprio, uma quebra de barreiras tanto próprias como sociais.” Ana Carolina Lemos -22 anos.
empoderarte-me (1)

“Esse ensaio foi pra fechar o empoderamento sobre meu corpo, sobre minhas neuras… Foi o grito de liberdade da gorda que cansou de ouvir que seria bela se perdesse tantos quilos.” Tatiane Stocco- 29 anos.

empoderarte-me (2)

“O ensaio foi um desafio, pela timidez e por estar fora dos padrões. Mas principalmente foi aceitação, amor próprio. Ah, e me sentir sexy é demais. *___*.” Tatiana Garcia – 28 anos.

empoderarte-me (3)

Gostaram das fotos? Então cliquem aqui, para conferir muito mais fotos e se apaixonar ainda mais pelo projeto.
Quero que vocês contem para mim nos comentários o que acharam, gostam de fotos assim, ou se ainda preferem a ilusão de corpos lisos como os de revistas?

27.04.15

Gorda Não Tem Querer? Oi?!

megafone

 

Já reparou como algumas pessoas nos tratam como se tivéssemos feito um juramento universal das gordinhas? Sério! Estava deitada na cama pensando em milhões de coisas e tive alguns flashes de situações assim. Às vezes eu paro e fico rindo sozinha da loucura alheia….

Na cabeça de muitos por aí funciona assim:

gordinha cenoura

1. Toda gordinha está fazendo dieta

Essa então, parece nossa maior obrigação, estar sempre com fome, comendo folhas e fazendo dieta. Somos vigiadas o tempo todo, se comemos em público ou decidimos fazer um lanchinho no meio da tarde, surge a Polícia das Calorias! E mesmo que você decida fazer uma boa ação e lavar a louça que outros usaram para comer, vai surgir alguém para falar: Nossa você só come hein! Isso aconteceu comigo rsrsrs….Acho que as pessoas esquecem que comer não é privilégio de magro, é uma necessidade de todo ser humano oras! Se escolho um prato light mas peço sobremesa, vem a ladainha: – ué, mas você não está de dieta?

É engraçado ser o centro das atenções e ser cobrada o tempo todo, parece até que tenho vários maridos e esposas ciumentas que ficam me regulando o tempo todo. É muito amor!

 

gordinha carente

2. Toda gordinha é obrigada a ficar com qualquer um que estiver interessado nela, se for bonito então, será crime não ficar.

Oi? Quer dizer, você é gorda e então você é carente e desesperada? E não pode escolher, se dar ao luxo de não querer ficar com alguém porque não é o melhor para você ou  porque você simplesmente não quer. Você é sempre obrigada a agir de acordo com o que a sociedade espera de você. Desde que eu nasci eu não me importo com a sociedade, não vai ser agora que vou me importar e tem mais, não é porque sou obesa que necessariamente  sou carente e por isso devo me contentar com qualquer coisa, migalha que me jogam. Eu hein! O que parece não faltar por aí é homem querendo se envolver com gordinhas, mas, relacionamento mesmo eles não querem. Depois reclamam das gordinhas, que nos achamos demais, somos metidas…meu amor, nós nos valorizamos, o que é bem diferente de ter uma postura vazia e afetada sem motivo algum. E não é porque sou gorda que devo me contentar apenas em me envolver com o primeiro que aparece tentando me iludir despejando palavras vazias, pois isto com certeza não é o melhor que posso conseguir, o que eu mereço, não é mesmo! Mas infelizmente muitas por aí pensam assim e se sujeitam a se envolver com carinhas que tem namorada, esposa, noiva, mas, mesmo assim querem se envolver com outras gordinhas enquanto mantêm o relacionamento sério deles. Eles miram nas inseguras e desesperadas ao ponto de se meterem nessa roubada, e nisso muitas acabam em relacionamentos superficiais destrutivos que abalam a já frágil auto estima delas e despacha qualquer sombra de auto confiança pro espaço.

gordinha glutona

3. Toda gordinha é gulosa, glutona

Pode ser implicância minha, mas eu juro que quando estou em algum lugar e passa alguém vendendo guloseimas ou servindo comida, vão logo para minha frente, como se tivessem certeza de que vou comprar ou consumir o que estão oferecendo e as pessoas à minha volta ficam olhando para mim e para quem está com os chocolates, comida, o que for…no trem aqui no Rio isso é diário, eu chego a fechar os olhos porque fico com as bochechas vermelhas de vergonha com um monte de gente me olhando. Aí se um dia você decide comprar ou consumir você ouve: – Vai levar só um?- Tá, tudo bem, pode ser até técnica de venda, mas sei não…..Em uma festa o garçom depois de servir a galera toda, vira pra mim na frente de todo mundo e fala todo fofo, pode pegar mais se você quiser, não precisa ter vergonha não. Eu parei, sorri e pensei, vou perguntar se ele é feeder, mas achei melhor não, vai que ele acha que tô dando em cima, vai ficar me entupindo de comida a festa toda. Aí respondi simplesmente, não obrigada.

casal gordinho

4. Toda gordinha é solteira e está dando sopa para qualquer um que se interesse

É engraçado demais quando sabem que estamos namorando, parece até um furo de reportagem, a cara das pessoas quando você menciona seu namoro, aí ficam querendo saber como é seu namorado, há quanto tempo estão juntos, se ele já te conheceu gorda, se vocês são felizes, etc…Aí você responde, meu namorado me conheceu  com esse corpo mesmo e ele me acha linda e me ama exatamente como eu sou. Somos felizes e ele me assume, sim andamos de mãos dadas, ele demonstra carinho em público, eu conheço a família dele, já conheci os amigos, ele faz de tudo para me mimar, valorizar, deixar feliz e me fazer sentir realizada, segura e amada. Aí vem a curiosidade insana, perguntam se ele é bonito ou bizarro….kkkkk….Aí você responde:  Eu sou dele e ele é meu, isso é que importa! E para mim, ele sempre será o mais lindo, mais perfeito e completo de todos. Eu não mudaria nada nele! Aí matamos todas de inveja! kkkkk

E se for solteira, se um  morador de rua gostar de você, como você é gorda, deve aceitar porque não vai achar mais ninguém interessado…Ah faça-me o favor né!? Eu sou linda, obesa, segura e mereço ser amada como qualquer outra mulher!! E me amar  não é caridade ou favor, me amar e ser amado por mim é um privilégio para poucos mesmo! E até mesmo passar um instante comigo não é para qualquer aficionado por gordinhas que só quer usar as fofas e descartar. Pode soar meio arrogante, mas não sou arrogante, eu simplesmente sei exatamente o que quero, o que posso ter, o que posso proporcionar…

queen
Vida Longa

Beijos Queen Size,

Claudia GorDivah

23.04.15

#EmpowerALLBodies este deve ser o nosso alvo!

Faz uns dias contei neste post aqui, para vocês sobre a campanha da Lane Bryant com diversidade de corpos em resposta a uma campanha que se referia a um determinado tipo como sendo o perfeito. Embora eu ameeee ver diversidade de corpos em campanhas e tenha aplaudido as fotos, eu senti falta e até comentei que faltava corpos maiores, mas mesmo assim eu achei válido comemorar a beleza da campanhas. Baker uma militante da autoestima em todos os tamanhos criou então o que podemos chamar #IamNoAngel – Empoderador, que é uma versão do primeiro melhorada hahaha, que contempla corpos esquecidos até pelo mercado plus size para a representatividade.

#EmpowerAllBodies (1)

A matéria original sobre o #EmpowerAllBodies vocês encontram aqui em inglês, mas contei com a ajuda da Letícia, para traduzir os motivos que levaram Baker a realizar este ensaio e alguns pontos eu ressalto para vocês abaixo dessas fotos divinamente lindas. *_*

 

#EmpowerAllBodies (2) #EmpowerAllBodies (3) #EmpowerAllBodies (1) #EmpowerAllBodies (4) #EmpowerAllBodies (5) #EmpowerAllBodies (6)

 

“Na minha opinião, eu questiono como que aprovar essas imagens pode ser para “todas as mulhres”. #ImNoAngel mostra apenas UMA forma que define a mulher plus size sexy; aquela corpo é a uma forma tradicional de ampulheta: um corpo com a cintura sendo consideravelmente menor do que o qualdril e o busto. Isso é quase sempre (e é, nesse caso) acompanhado por uma barriga lisa/chapada. Essa forma é onipresente na modelagem plus size e de alguns dizem que aparecer um tipo de corpo não é problema (apesar de tudo, pelo menos sendo plus size e estando pra jogo/podendo transar/F train, né?), mas eu discordo e gostaria de compartilhar com vocês um pouco sobre a diversidade e porque isso é mais importante do que você pensa.

Quando nós, como sociedade, falhamos em incluir diversos corpos em nossa mídia, a mensagem chega clara para os excluídos: você não tem mérito para ocupar esse espaço. É uma mensagem muito poderosa que se acomoda/instala no meio de quem não foi representado. #ImNoAngel tenta, aparentemente, transmitir empoderamento para as mulheres plus size, mas ao invés disso, continua perpetuando exatamente a mesma mensagem. Desta vez, porém, adicionando especialmente para os corpos não retratados: não só indigno de tomar espaço, mas também não é bem-vinda ao se sentir sexy.

Tendo em vista que a maioria das suas clientes não se sintam representadas em #ImNoAngel (e as mulhres plu size em geral), esta campanha parece ter tido um empoderamento “tiro pela culatra”.

Quando uma pessoa é constantemente bombardeada por imagens de um corpo “ideal” (sendo ele plus size ou não) causa danos em sua psique.
A exposição contínua treina eles mentalmente para acreditar que apenas UM corpo é digno e esse condicionamento social infeliz é um dos maiores contribuintes para a baixa auto-estima, dismorfia corporal, transtornos alimentares, outras questões relacionadas com a grave imagem corporal – todas as que afetam a vida diária. Diversidade visível é uma solução para estes problemas, e pedir por isso não é nada egoísta. É absolutamente necessário.

Eu gostaria de enfatizar também que as imagens de exclusão causa mais do que sofrimento pessoal. Também causa reações negativas de outras pessoas que podem se transformar em assédio, byllying e ódio em geral. Porque não temos dado um conjunto positivo de princípios para processar corpo plus size “alternativo” quando se é apresentado modelos de formas variadas se sentindo sexy e coisa e tal o publico é quase sempre negativa. Sem dúvida este post vai receber boa parte de observações horríveis essa reação está diretamente ligada ao fato de que fomos condicionados a acreditar que apenas um tipo de corpo merece ser vista como sexy. Qualquer um que quebrar essa regra é reconhecido/tratado com hostilidade.

Esta reação pode eventualmente desaparecer se empresas como a Lane Bryant saísse de sua zona de conforto e fizer algo radical como: incorporar a diversidade corporal.”

#EmpowerAllBodies (1)

 

Quando abri a matéria eu só pensei: Baker lacrandooo!

E sim a gata mais uma vez arrasou, foi e fez uma versão fantástica das fotos permitindo um empoderamento muito mais amplo.
Espero que os blogs plus size e sites brasileiros forneçam o mesmo destaque para essas fotos, não quero ser exceção de ter achado as outras lindas e essas lindas também.

Contem-nos aqui nos comentários o que vocês acharam das fotos e da campanha #EmpowerALLBodies. a opinião de vocês é sempre super bem vinda.

15.04.15

Gorda e Linda!? – GorDivah No Ar

Quem costuma acompanhar minhas postagens aqui no BST  já deve ter percebido que sou body positive e procuro sempre manter uma relação próxima com meus leitores. Adoro conversar com pessoas diferentes e aprendo muito com minhas leitoras e curtidoras. E devido à essa proximidade eu recebo desabafos, relatos, depoimentos, perguntas das pessoas que costumam me acompanhar. E esse trabalho com o vlog tem por objetivo me aproximar mais ainda de vocês, como se estivéssemos num bate papo ao vivo, numa cafeteria, trocando ideias. Acho que esse contato ainda que virtual, ao mostrar um rosto, uma voz, pode facilitar muitos a refletirem melhor sobre o preconceito que possuem em relação a si mesmos desde que se entendem por gente.

Fico super feliz toda vez que vejo um comentário nas páginas informando que a pessoa começou a pensar diferente depois de ver os vídeos, passou a se enxergar de outro modo. Eu realmente faço esse trabalho por amor e com muito carinho e dedicação porque sei o que é sofrer preconceito, ter depressão, desenvolver transtornos alimentares por causa da cobrança das pessoas à minha volta, dentre outras coisas. Eu não tinha condições financeiras para fazer terapia ou ir ao psicólogo e superar tudo isso na época em que era esmagada por aquele festival de gordofobia e não tinha ninguém que me entendesse ou me ajudasse a enxergar minha beleza. Por isso eu tenho muita empatia por pessoas que enfrentam diariamente o preconceito e nem sempre conseguem segurar a onda. Não penso que nós é que temos a obrigação de sermos fortes, eu penso que nós independente de sermos fortes ou não devemos nos apoiar, ajudar  e não subestimar a luta interna dos outros. Acredito que precisamos ser mais tolerantes, empáticos e nos unir na luta contra o preconceito e não engoli-lo e aceitá-lo como algo inerente a todo ser humano.

Se você não se abate com a gordofobia, ótimo! Mas não pense que todos são ou deveriam ser como você. Não menospreze a batalha interna dos outros, nem todos tem estrutura psicológica para suportar a gordofobia. Não julgue, apoie o movimento contra o preconceito, sendo tolerante com aqueles que infelizmente não o superaram ainda, como você!

 

Beijos Queen Size,

Claudia Rocha GorDivah