Tag: gordofobia

02.09.15

CCJ SP promove especial Gordofobia!

O Centro de Cidadania Jovem de São Paulo promove no próximo dia 10/09 o Especial Gordofobia, com uma programação bem interessante que busca quebrar preconceitos e empoderar os gordos. <3

Fico extremamente feliz em ver um órgão ligado a Prefeitura de São Paulo público abrindo espaço para essa discussão, é muito importante para nós que os gestores públicos em geral comecem a abraçar a nossa causa e nos ajude nessa luta.

 

especial Gordofobia

Confiram a programação completa abaixo, que foi retirada daqui.

DESFILE MODA CCJ PLUS SIZE
Li Bombom, ativista para a valorização das mulheres, reúne mulheres gordas que não perdem em nada no quesito beleza e elegância para participar do Desfile Moda CCJ Plus Size apresentando mulheres reais. Dessa forma, fazer referência à mulheres discriminadas por não se encaixarem no “Padrão de Beleza” amplamente divulgado nos meios de comunicação. Ao final do desfile haverá o “Passarela Livre” com alguns minutos de passarela para quem desejar desfilar.

Dia 10/09, quinta, 16h. Anfiteatro.

Livre para todos os públicos. Não é necessário retirar ingresso.

RODA DE CONVERSA “0% GORDOFOBIA”
No dia 10 de setembro é celebrado dia do gordo com a pretensão de ser uma data de conscientização e contra piadas ofensivas. A roda de conversa “0% Gordofobia” pretende tratar assuntos recorrentes no cotidiano de gordinhos e gordinhos, como o preconceito mascarado de preocupação com a saúde, e padronização midiática de corpo perfeito e pelo fim das chacotas. Em aspectos de gênero, diferenciar como é ser gorda ou gordo atualmente.

A roda de conversa contará com a presença da Mayara Torres, ex-Jovem Monitora Cultural do CCJ e militante feminista contra a gordofobia, Jéssica Ipólito, blogueira do “Gorda e Sapatão”, Li Bombom modelo e empreendedora e Evelyn Queiróz “Negahamburguer”, grafiteira.

Dia 10/09, quinta, 17h. Área de Convivência.

Livre para todos os públicos.

EXPOSIÇÃO “GRITO CONTRA A GORDOFOBIA”
Dia 10 de setembro é dia do gordo, e convidamos você a dar seu grito contra a gordofobia, mande um desenho, foto e ou frase para participar da exposição que ocorrerá no CCJ em setembro. Essa é a chance de todos e todas combaterem mais este preconceito enraizado na sociedade.

Envie seu desenho, foto e/ou frase de enfrentamento à gordofobia para gordofobia@ccj.art.br. Período de envio das fotos de 25 de agosto a 07 de setembro. Os desenhos, fotos e frases ficarão expostas do dia 10 de setembro até dia 30/09. A seleção das fotos será feita por membros da equipe de Jovens Monitores Culturais do CCJ.

Abertura: dia 10/09, quinta, 17h. Hall de Entrada.

Visitação: de 10 a 30/09, durante o horário de funcionamento do CCJ.

 

Como eu moro longe não poderei estar presente de corpo (de alma já estou), mas já estou convencendo as amigas de SP a irem por mim e me contarem tudinho depois. Quem quiser participar enviando fotos e desenhos é só enviar para o e-mail já disponibilizado acima, eu vou mandar e quem sabe lá quando forem olhar a exposição vocês me encontram nela. *__*

01.09.15

Mulheres Gordas e a dor da invisibilidade.

Nos últimos dias eu tenho acompanhado algumas discussões sobre ser gorda e encontrar dificuldade de relacionamentos, eu acho que o peso não é determinante para isso, mas muitas meninas relataram dificuldades extremas quanto a isso e fiquei bem impressionada com os relatos que li. Eu resolvi trazer o tema para o blog, quem sabe assim nós possamos ajudar todas que ainda sofrem com a inadequação ao padrão. Mulheres Gordas ou não, merecem ser felizes e realizadas, independente de relacionamentos.

Pude perceber que a grande frustração das mulheres gordas quando o assunto são relações afetivas, é o sentimento de serem INVISÍVEIS.
Como assim mulheres gordas são invisíveis?
Ainda hoje final do ano de 2015, é comum que os caras vejam a gorda apenas como amiga e jamais como possível namorada. Além disso, as meninas comentam sobre a situação de balada, onde a Gorda é aquela que nunca é notada e nunca é a escolhida dos caras. E ainda o fator de ser comum terem algum envolvimento com o cara, mas precisar ser sempre algo escondido dos amigos e família dele.

fat1
Aí vocês podem pensar algo como: “Ah esses caras não merecem a frustração”… E eu super concordo, na minha vida tento adotar sempre essa posição. Mas não posso fechar os olhos para o que as meninas relatam, é complicado para qualquer mulher viver frequentemente nessa invisibilidade.

11025102_1599218670293304_2032061315_o

Quem não quer ser admirada por pessoas interessantes? Isso pode ser fruto de uma sociedade machista, mas as maiorias das pessoas querem e merecem se sentir admiradas, independente do peso. Aqui estamos abordando relações afetivas, mas pode ser levado para o trabalho onde muitos gordos não conseguem nem uma colocação no mercado por falta de “boa aparência”.

Mas e o que podemos fazer para deixarmos de ser invisíveis?
Infelizmente ainda não existe fórmula mágica, mas a melhor opção que vejo é aprendermos a sermos completas sozinhas, pois sabemos que mesmo o relacionamento mais perfeito do mundo, nunca vai proporcionar o amor que nós podemos nos dar.
Além disso, a gente pode e deve dar um FODA-SE para todos os caras babacas que cruzarem nosso caminho hahaha.

adele

Eu o tempo todo falei em relação aos caras, mas infelizmente essa situação também acontece em relações homossexuais, eu não tenho conhecimento específico nestes casos, mas já vi também relatos de gordinhas que se sentiram preteridas em relacionamento com outras minas.
Este texto foi criado para expor uma situação comum, mas vocês tem todo o direito de discordarem dele e os comentários estão abertos para todas as opiniões.

Mas quero que cada mulher gorda que se sente invisível possa se sentir abraçada, que todas entendam que não estão sozinhas e que o amor próprio nunca pode deixar de ser cultivado. <3

26.08.15

Médicos precisam respeitar os Gordos!

Já falei algumas vezes aqui no blog da lastimável postura de muitos médicos em relação aos pacientes obesos, a situação é tão triste que todo mundo tem uma história para contar. Mas como tudo, existem sim exceções para nossa sorte, me deparei dia desses com um desabafo no facebook de uma futura médica, onde ela conta casos que presenciou e fala da sua experiência com a obesidade.
O desabafo é grandinho, mas vale a pena ler ele inteirinho. Nas palavras da Camila Borges temos mais um apelo aos médicos, é preciso aprender a respeitar os gordos.

Eu sou OBESA, isso mesmo, obesa, IMC 38. Gorda, baleia, rolha de poço, ou como disse um médico hoje, a desgraça da humanidade, uma porra que só serve pra dar trabalho, devia nem existir esses merdinhas.
Minha obesidade começou na adolescência, 13/14 anos, um mix de menstruar, corticoide, comer demais e falta de controle total das minhas emoções, e algumas experiências traumáticas que não desejo a ninguém (lembrando que pessoas podem simplesmente ser gordas por que querem comer à vontade e não ser escrava de um padrão).Enfim, engordei. Passei dos 15 aos 17 com um sobrepeso, oscilando pra algo mais pesado e emagrecendo pra tentar me encaixar num padrão imposto pra todas as adolescentes. Me mudei do meu estado, vim morar sozinha no Amazonas e me afastei de todas as pessoas que naquela época me policiavam pra não engordar mais. Pré vestibular, entrei na faculdade que sempre sonhei, e sempre me subestimaram, medicina. Tive seis meses de tranquilidade onde consegui emagrecer cerca de 20kg, entre dietas radicais, medicamentos, exercícios e pressão. Antes de voltar á Manaus ouvi várias vezes: nossa, como ta linda, emagreceu né?! (Sim, por que na visão das pessoas ser gordo é igual a ser feio); nossa Camila, tem que manter ein; emagrecer é fácil, quero ver manter lá morando sozinha. Enfim, comecei a faculdade me sentindo ótima (por que você realmente acredita que agora tudo vai mudar, agora vc vai conseguir emagrecer e todos vão cair aos seus pés. Você não precisa mais se esconder), mantendo, forçosamente, uma imagem de auto confiança, de que eu não me importava com a opinião dos outros e etc. Durante a faculdade eu entrei num dos mundos mais estereotipados que eu conheci até hoje, o da medicina. Façam uma análise, quantas pessoas gordas estão nos corredores da faculdade? E quantas na formatura aparecem gordas? Eu sofri uma pressão como nunca pra emagrecer, tanto de pessoas que eu nem conhecia, quanto pela minha família, pelos meus amigos e por alguns professores, que mantinham o padrão: nossa, você tem o rosto tão lindo, se emagrecesse; você tem que emagrecer, olha o tanto de doença que você vai ter (sim, por que a saúde de gordo é preocupação de todo mundo) como que vai aguentar a faculdade, como vai arranjar alguém pra casar, como vai passar pelo internato, como vai entrar num vestido de formatura.
Até que eu não aguentei. Entrei em depressão, engordei mais de 40 kg durante a faculdade, não consegui ter nenhum relacionamento afetivo e me sentia a pessoa menos desejável no mundo. No quarto ano, voltei pra minha cidade e disse que não queria voltar mais pra manaus (pro papai), queria ter um tempo pra me fortalecer por que eu me odiava, e minha ansiedade tava me consumindo. Foi quando conheci pessoas, as que eu menos esperava, amigos do meu irmão mais novo, com seus 16/17 anos, que me amaram e me fizeram ver que tem um mundo muito maior que a aparência, e que eu não deveria me martirizar com isso. Voltei pra Manaus disposta a mudar, mudar mesmo, procurei uma psicóloga (que eu vou agradecer pra sempre) que me fez enxergar onde estavam o início de tudo e trabalhar pra resolver minha ansiedade, e não minha obesidade. Que isso não era o meu problema.

respeitar os Gordos

Antes de entrar no internato voltei pra casa por três meses, disposta a emagrecer pra aguentar a rotina, e melhorar meu joelho (um motivo real). Então comecei uma dieta descente, medicamento pra ansiedade, e exercícios de acordo com minhas possibilidades (principalmente dança que eu adoro); mas o principal foi que eu me cerquei de amor por todos os lados, li livros, me eduquei pra ser mais de mim, aprendi sobre feminismo e sobre o que eu era de verdade. Nesse meio tempo cultivei melhor minha autoconfiança, minha autoestima e meu amor próprio (o que me proporcionou várias novas relações). Hoje estou no fim do meu penúltimo módulo, talvez o módulo mais extenuante, cirúrgica, mais especificamente ortopedia, e hoje foi a primeira vez nos últimos 13 meses que eu chorei por ser gorda.
Mas dessa vez não foi por me sentir errada, me sentir feia ou sentir que ninguém gosta de mim; foi por constatar que estamos muito longe de sermos bons, ou pelo menos de algumas pessoas ter bom senso. Um médico, especialista, com no mínimo 15 anos de estudo (provando que dignidade e ignorância não se relacionam tanto com o grau de estudo) falou, depois de várias merdas, uma merda tão grande que talvez eu não consiga reproduzir.
“Gordo só da trabalho, esses merdas deviam morrer. Não é mesmo? Pior desgraça da humanidade. Só vem pra cá pra dar trabalho. Uma porra que só serve pra dar trabalho” naquele momento eu desabei, discretamente me sentei e segurei pra não chorar na frente dele.
Não foi pra mim, foi sobre um paciente que estava lá e era obeso mórbido. Mas foi como se uma faca entrasse e me dilacerasse por dentro.
Recentemente em outro setor, um cirurgião foi perguntando se ele tinha pedido tomografia pra um paciente de 140 kg, a resposta dele foi que não, por que ele atendia gente, é aquele hospital não era pra boi (antes de emagrecer eu pesava 139kg).

Todos esses comentários foram feitos por pessoas que deveriam estar cuidando de outras, solucionando uma dor, uma angústia; sobre obesos na frente de uma obesa. Mas esses profissionais não agem assim. São esses mesmos profissionais que atendem bandido e falam “tinha que ser preto”, “esses marginais tinham que morrer todos” entre outras barbaridades.
Por que isso? Pra que tentar diminuir as pessoas? Pra que tanta crueldade? Onde foi parar a ética e o bom senso de profissionais?(vou nem falar do pessoal).
Me senti covarde por não dizer nada. Portanto, a partir de hoje eu decidi que não vou mais aceitar esse tipo de intolerância. Vou lutar pelas causas que eu acredito, vou lutar pra que as crianças, adolescentes e adultos sejam felizes por ser o que eles são.
Esse textão, esse desabafo são pros meus colegas que irão se formar, é pros que já se formaram e estão trabalhando, cuidando de pessoas com essa mesma característica que eu (não vou falar problema por que obesidade não é pra ser problema – Se você acompanhar periodicamente seus exames e saber que ta tudo bem); Pensem bem o que vão dizer, a piada que vai fazer, como você vai dizer que ele precisa perder peso, ou os comentários que você fará se tiver fazendo um procedimento nele. Pensem que NINGUÉM merece ser tratado assim, nenhuma característica pessoal pode ser tida como ofensiva. Ninguém pode ser desmerecido por ser o que é. Pensem bem, pode ser seu pai, sua mãe, seus filhos, ou qualquer outra pessoa que você ame, a próxima a ouvir barbaridades tão comuns como essas. Pensem em pessoas que passam a vida inteira se diminuindo, ou se matam, ou não conseguem sair de uma depressão (outra coisa que é desmerecida por médicos e profissionais da saúde até hoje). Tentem ser mais humanos, mais éticos e mais bondosos. Nenhum paciente queria estar ali, todos estão em busca de algum tipo de consolo. Então tentem ter empatia e se colocar no lugar do outro. ( deixando claro, Não Estou fazendo apologia à obesidade, eu vou ser médica e sei das implicações clínicas que a obesidade trás, mas sei também que não devemos tentar ser o que não somos por padrões, por uma estética estereotipada, por um padrão imposto, vamos cuidar da nossa saúde com carinho, mas sem nóia de termos que nos encaixar.)

24.08.15

“Gorda” não é ofensa!

A palavra GORDA  ainda é comumente usada para ofender mulheres, eu poderia apostar que muitas de vocês já ouviram ao menos uma vez em alguma discussão alguém te chamar de gorda. Ainda mais triste é saber que muitas mulheres se autodepreciam também usando este termo.
Eu sou GORDA desde os anos 80 hahaha, para mim é surreal que as pessoas usem disso para tentar me ofender em 2015.
Sempre me questiono se será mesmo que as pessoas não entendem que ser gorda não afeta em nada nossa percepção corporal, nós gordas sempre sabemos que somos gordas, mas para a tristeza dos haters (virtuais e da vida real) sabemos também que não tem nada errado em ser gorda.

Gorda não é ofensa

Como a sociedade infelizmente vai continuar achando que nos chamar de GORDA é ofensa, precisamos nós mulheres gordas, tirar a negatividade da palavra e não permitir que quem a usa com a intenção de nos ofender tenha êxito.
Qualquer um pode usar o termo de forma pejorativa para ofender outras mulheres, mas cabe a nós não deixar que essas pessoas alcancem o objetivo.

Convido a todas vocês que ainda enxergam a palavra como ofensa, que comecem hoje mesmo a tentar se familiarizar com a palavra. Mas principalmente quero falar com as meninas que ainda se chamam de gorda para se autodepreciar, vocês precisam parar com isso agora mesmo.

Não usem nunca mais com essa intenção, passem a usar como termo de empoderamento e mostre para outras Gordas que vale a pena desconstruir.

Vamos juntas colaborar para um mundo onde a palavra “Gorda”, perca totalmente a força de ofensa? Conto com vocês. <3

beda

21.08.15

Braços de Fora – #ProjetoVerãoSemNeuras

Neste ano o inverno foi bem fraquinho e os fantasmas do verão já começam assombrar muitas mulheres sejam gordinhas ou não. É muito comum vermos mulheres gordinhas, gordas ou como vocês preferirem chamar haha,  convivem com receios de usar blusas/vestidos sem mangas, a maioria evita usar braços de fora na certeza que eles são “feios” e não devem ser expostos.

 

vestido plus size poá  (2)

Eu moro numa cidade muito quente, meu braço é grande e gordo, eu talvez pudesse seguir as dicas de moda (aquelas que focam em disfarçar) e tentar fazer que eles se pareçam menores, mas eu realmente não acho que isso vai mudar em nada minha vida e prefiro ao menos não sentir calor. Outro detalhe é que muitas mangas me apertam e entre uma manga apertada e uma alcinha que encaixa legal em meu corpo, eu prefiro a alcinha. <3

 

Ninguém é obrigada a usar nada se não se sente a vontade, mas para ajudar a criar uma imagem mais positiva de braços gordos de fora, eu chamei algumas gordas do <3 para compartilhar aqui no blog suas fotos com braços de fora. Montei uma galeria cheia de mulheres lindas de corpos diferentes e espero que vocês abram cada uma das fotos e se identifiquem.

As fotos eu pedi em um grupo do face que é cheinho de amor, coloquei todas que me mandaram, algumas tem uma manguinha mínima e fica como boa opção para irem se adaptando sem manga.

Agora que vocês já viram todas as fotos, eu e elas esperamos ajudar vocês que ainda não conseguem usar a tentarem mais uma vez, o braço vai estar ali gordo do mesmo jeito, seja com regata ou manga ¾, mas é importante que todas tentem se libertar das mangas. <3

Para quem ainda não conhece o #ProjetoVerãoSemNeuras, eu sugiro que leia sobre neste link aqui. Convido todas  vocês a se prepararem para viver um verão muito mais sem neura que o último ano, seja qual for a sua neura, juntas podemos nos apoiar e nos libertarmos. <3

beda