Tag: empoderamento

12.06.17

Amor é algo muito além de qualquer padrão!

No sábado, enquanto eu passeava pelo Instagram parei na conta da marca Psil Plus  que ainda era desconhecida para mim, e quase surtei de felicidade com o que vi (pode parecer exagero, mas não foi, eu realmente fiquei muito empolgada), pedi na mesma hora autorização para usar as fotos aqui no blog.

Eu nem tinha planos de falar sobre o Dia dos Namorados, mas ao ver as foto eu senti que precisava trazer elas hoje para o blog, para lembrar a todas vocês que o AMOR é algo muito além de qualquer padrão.

amor amor

Eu não sei o que vocês acharam desses lindos, mas eu achei que a Bia e o Fe formam um casalzinho tão fofo que vocês mereciam ver esse monte de foto da cumplicidade deles. <3
Sei perfeitamente toda a dificuldade de uma mulher gorda em se manter em relacionamento sério, mas a Bia está aí felizona nos mostrando que o amor existe e uma hora ele acontece para todo mundo.

Desejo um feliz dia dos namorados para todos vocês que acompanham o blog, independente do estado civil, quem é solteiro também pode e deve ter um dia feliz hoje.

Mas agora vamos falar só da Bia? Sim vamos!Confiram mais essas fotinhas. <3

qualquer padrão

 

Além das fotos de casal, a Bia também fez o lookbook da marca Psil Plus e sabem o que achei mais incrível? Em momento nenhum foi mencionado que a Bia é “especial”, não foi preciso dizer que ela tem um cromossomo do amor, pois está visível no brilho dela.

Eu vivo lutando aqui no blog para a inclusão de gordas com manequins maiores, já briguei também por inclusão de gordas negras, mas eu nunca cheguei a pensar que a gente já estava evoluído ao ponto de termos uma modelo plus size brasileira com Síndrome de Down.

Ameiii descobrir que já temos e ela já está arrasando e representando tantas outras meninas (que ainda são esquecidas pela moda/mídia), inclusive a Bia super me representa e estou desejando vários dos looks que ela usou.

Eu  quero ver a Bia brilhando sempre na Psil Plus e também em outras marcas, falando na Psil Plus eu adorei as peças e os preços da marca, vale a pena clicar aqui e conhecer melhor a loja.

 


*Este post não é patrocinado, foi totalmente motivado por essas fotos lindas. 

07.06.17

Anitta leva representatividade gorda aos palcos…

E gordofobia para as redes sociais.

A cantora Anitta lançou semana passada o clipe de sua nova música gravado na gringa com direito a dançarina gorda e fomos todos a loucura. Foi sem dúvidas um passo bem positivo em prol da representatividade de corpos. Podia ser melhor? Podia sim, mas foi algo inovador vindo de uma cantora pop, todo mundo comemorou e eu também.

 

No último sábado dia 03/06 ela se apresentou na Globo com sua nova música, foi nesse dia que a “diva pop” fez também a apresentação das novas bailarinas do seu ballet. O que poderia ter sido maravilhoso e muito representativo, acabou se tornando algo infeliz, tamparam demais as bailarinas gordas e ainda as deixaram no fundo da apresentação. Os comentários dos fãs (ou haters) estavam questionando por qual motivo as meninas gordas estavam vestidas com roupas e as outras de lingerie.

Em um grupo de militância eu e mais uma galera problematizamos bastante, e tentamos mostrar que aquilo não estava bom, que a gente merece muito mais.

Contrariando a expectativa da galera que dizia “você reclamam de tudo” “reclamar não leva a nada” as queixas foram ouvidas e ontem quando a cantora se apresentou no Música Boa os looks já não estavam mais discrepantes.

Sei que o look da Thais Carla (maravilhosa por sinal) foi montado no dia, é possível ver que o cropped é uma blusa amarrada e não é ainda um look no “padrão” da outra bailarina, mas foi gratificante perceber que correram e deram um jeito de melhorar e espero que sigam melhorando.

A apresentação de ontem foi bem linda por sinal, confiram no vídeo abaixo.

Embora no momento das problematizações tenha sido apontado as falas e ações gordofóbicas da Anitta, eu escolhi não focar nisso e lá no fundo eu tinha esperança que isso seria o passado dela (mesmo que tivesse coisas da semana passada).

Hoje mal acordei e já tinha mais uma piadinha gordofóbica postada por ela, uma galera fez uma paródia da música atual relacionando a alguém gordo e compulsivo. E o que a Anitta fez? Não só compartilhou como deixou claro que á a paródia da sua vida.
Nós sabemos o quanto mulheres magras se dizendo gordas são prejudiciais à saúde emocional de mulheres realmente gordas, posicionamentos assim vindos de uma personalidade pop afetam diretamente a autoestima de milhares de mulheres e meninas que acompanham o seu trabalho.

 

Essas atitudes da Anitta só mostram o quanto o mercado se aproveita cada vez mais de causas sociais, claro que eu quero e fico feliz com o fato dela colocar gordas no ballet, mas aí ela vem e nos lembra o quanto errados somos em ser gordos e o quanto isso é odiável no seu ponto de vista.

Eu sei que a vontade de vibrar com a Thais Carla é imensa, eu também estou vibrando e sei o quanto ela é maravilhosa e merecedora de estar ali.

Mas a gente não precisa passar a mão na cabeça e achar que a Anitta é boazinha, enquanto ela segue propagando que o corpo gordo é inferior aos outros.

Que todos os dias a gente exalte as gordas, mas não dê créditos de boa garota para quem está frequentemente debochando e propagando o ódio/pavor ao corpo gordo.

05.06.17

Juliana Jacques – Beauty In Curves

É com grande felicidade que inicio os posts sobre mulheres gordas empreendedoras, para iniciar essa série de posts (que pretendo que seja infinita) eu fiz uma entrevista com a Juliana Jacques da marca Beauty in Curves e convido vocês a conferirem agora tudinho que ela me contou.

Em qual setor você trabalhava antes de empreender?
Trabalhava em uma multinacional de Tecnologia como analista de licitação. Fiquei lá por 5 anos atuando em elaboração de propostas para licitações de governo e prefeituras. Foi um período maravilhoso que aprendi muito, mas também ficou claro a segregação que ocorre com pessoas gordas em empresas. Ouvia todo tipo de porcaria que falam para gente gorda e o pior, o fato de eu me aceitar era um problema maior. Eu fiquei tão de saco cheio que procurei uma endocrinologista e fiz uma reeducação alimentar e perdi 25kg (continuei gorda, só que menos gorda) e o tratamento das pessoas comigo foi outro.

Você já sentiu dificuldades de conseguir um emprego por ser gorda?
Sim. As pessoas não querem empregar gordos, por conta de preconceito mesmo. Teve uma ocasião que fiz uma entrevista para voltar para uma empresa que trabalhei no passado. No dia da entrevista presencial, foi posto um manual de usuário de sistema em cima da mesa para que olhássemos e fizéssemos um teste. O manual tinha meu nome como autora e eu sorri e disse: “Eu criei esse manual”. Ela riu, não fiz o teste e disse que entrava em contato. A questão foi: Quando saí dessa empresa, eu engordei bastante. Meu corpo ficou maior, nada além mudou. Eu saí da empresa porque tinha um chefe que me assediava moralmente, dentre outros problemas. Essa vaga era para uma outra equipe e eu saí da entrevista certa da minha contratação. Soube por uma pessoa de lá que a entrevistadora ficou abismada em como eu havia engordado e não ia me chamar porque todo gordo é feio e preguiçoso. Não me afetou como mulher, não mexeu com a minha autoestima, mas eu, se pudesse, teria socado a cara dela, de raiva, por ela ser uma imbecil preconceituosa.

Como foi seu processo de criação da Beauty? Do momento que você decidiu montar a marca até o lançamento foi quanto tempo?
A Beauty in Curves é meu sonho de adolescente. Tinha 16 anos, ia prestar vestibular e queria fazer moda, para levar meu sonho adiante. Eu já aloprava com as roupas, mandava fazer minhas ideias, customizava tudo. Meu estilo gótica suave causava, rsrsrs. Porém, eu não trabalhava e meu pai deixou claro que não pagaria faculdade de moda, pois não dava dinheiro. Fiz comunicação social, nunca terminei. Segui a vida criando minhas roupas, comprava apenas o básico: Legging, jeans, t-shirts e tops de malha, o resto, eu perturbava a Vanilda e mais tarde a Vani, para costurarem para mim. Quando saí do último emprego, em julho de 2016, estava decidida. Queria fazer algo que mudasse minha vida e a de outras pessoas e jamais acharia isso no corporativismo. Comecei um curso de modelagem com a Modelista Simone Castilhos pouco antes de sair da empresa e algumas semanas depois contei para ela o que queria. Nos tornamos sócias e lançamos a Beauty in Curves by Simone Castilhos no Hashtag Bazar de setembro de 2016.

Foi muito rápido e maravilhoso ver a resposta das pessoas. Infelizmente, por diferenças irreconciliáveis, a sociedade chegou ao fim no mês seguinte e eu segui sozinha com a Beauty in Curves (a criação da marca foi um trabalho meu com o designer Jaime Soutilho da Agência OH YEAH! antes do início da sociedade), praticamente recomeçando, lidando com uma crise de identidade da marca nas produções seguintes e reinvestindo praticamente tudo de novo. No fim deu tudo certo e estou muito feliz em como a Beauty in Curves se encontra atualmente.

Os looks da Beauty In Curves são a cara da Juliana, ela é também modelo da sua marca.

Qual foi seu investimento inicial? Além de você, quantas pessoas estão envolvidas com a marca?
O investimento inicial foi de aproximadamente 10 mil reais. Meu sócio, uma fábrica terceirizada com aproximadamente 8 pessoas que cuidam de todo o processo produtivo e mais algumas pessoas que cuidam da minha assistência, atendimento ao cliente e jurídico.

Mas vez ou outra as migas também participam modelando para as fotos. 

A marca ainda é novinha, você já consegue tirar o seu “salário” dela?
Ainda não, mas está dentro do meu período planejado para isso.

Conta para a gente qual foi sua maior vitória e seu maior desafio nesse caminho de empreendedora gorda?
A maior vitória foi conseguir, de alguma forma, mudar a vida de algumas pessoas. Eu recebo feedbacks de clientes me agradecendo pelas roupas que ofereço, pois elas não enxergavam o quão bonitas, curvilíneas e fashionistas poderiam ficar vestindo uma roupa. Eu faço questão de conversar com elas, saber o que acham, dar dicas e deixar claro que a Beauty in Curves é um trabalho de uma mulher gorda para mulheres gordas, enfim, é uma troca maravilhosa e isso é a maior vitória que eu tive e me emociona demais. O maior desafio, chega a ser engraçado, é vencer minha timidez a cada interação dessas que citei. Eu sou extremamente tímida, daquelas que o rosto queima só de dar um oi. A cada dia fico mais desenvolta então até nisso todo esse processo é benéfico.

A Ju e sua marca estão sempre presente no Hashtag Bazar e também no Pop Plus. 

Sabe aquele conselho você daria para uma amiga que vai empreender? Você pode deixar aqui para quem segue o blog?
Eu tive sorte em ter um sonho que vai de encontro a um nicho de mercado que está em crescimento mesmo com a atual crise. Meu maior conselho é: Estude. Conheça seu público alvo, avalie se o negócio que você quer construir é o que o seu cliente quer consumir. A palavra final é sempre do cliente e nunca devemos fechar nossos ouvidos para ela.

Escolhi começar essa série de posts com a Juliana por um motivo bem especial, a Ju conheceu o blog bem no comecinho (2009/2010)  e  acredita que o blog influenciou diretamente no seu processo de aceitação (quando ela me contou eu dei uma derretida básica haha). Hoje eu tenho certeza que a Beauty In Curves também está ajudando muitas mulheres a resgatarem o amor próprio, e eu fico imensamente feliz de poder acompanhar tudo de pertinho.

Torço para que vocês curtam esse bate papo, se tiverem sugestões para essa nova coluna, é só indicar nos comentários. *_*

 

30.05.17

Lizzy Howell – A bailarina gorda que se tornou hit da web!

No início do ano me deparei com um vídeo no insta com uma bailaria gorda que arrasava na pirueta, imediatamente eu postei aquele vídeo e pude perceber que mais pessoas também tinham amado a desenvoltura dela.

Vc pode ser e fazer tudo o que quiser. ? Via @reveldancewear o perfil dela é @lizzy.dances. ?

Uma publicação compartilhada por Kalli (@belezasemtamanho) em


Nos poucos meses que se passaram desde que a conheciaquela mocinha que eu tinha me encantado, virou um grande fenômeno e hoje tem mais de 100 mil seguidores no instagram e está inspirando um montão de gente.

Lizzy Howell tem apenas 16 anos e já prova diariamente (com fotos e vídeos), que todos os corpos são aptos a fazer qualquer coisa que quiserem. Sabemos que o mundo do ballet exige mutias vezes corpos magros e até exclui as gordas, mas Lizzy está mostrando ao mundo todo que todo corpo é um corpo de bailarina.

A bailarina gorda tem feito tanto sucesso que chamou a atenção da varejista Target, que a escolheu para estrelar a campanha da linha de roupas esportivas C9 Champion, desenvolvida para todos os tamanhos de corpo.

Em apresentação solo ou ao lado de outros atletas (com corpos que não costumamos ver em propagandas relacionadas a esportes), Lizzy faz piruetas e saltos perfeitos. Confiram no vídeo toda a sua habilidade com a dança:

Além de ser bailarina, Lizzy faz jazz e sapateado quarto vezes por semana. E ainda tem quem diga que gordos são sedentários, é  sempre bom lembrar que pessoas são sedentárias em vários tipos de corpos.

Ela sempre demonstra em suas postagens que é ótimo representar a diversidade na dança, mas espera que um dia não haja mais necessidade de ter representantes para isso.


Não só Lizzy, mas todas nós (pessoas que militam pela naturalização do corpo gordo) queremos que a sociedade entenda que formato de um corpo não tem influência nenhuma sobre a capacidade dele.

Todas as pessoas (em todos os corpos) podem tudo o que quiserem.

 

 

 

09.05.17

Preconceito não é opinião!

A internet é um mundo paralelo maravilhoso (no meu ponto de vista), mas ela dá “poder” para as pessoas fazerem o que quiser, a parte ruim é que muitas pessoas escolhem despejar seus preconceitos (que julgam ser opiniões) nas mais diversas situações e isso é algo muito assustador.
Ao abrir qualquer matéria em grandes sites, é possível ver que nos comentários 90% são de pessoas que entraram exclusivamente para julgar e reclamar de algo, muitas vezes nem tem relação nenhuma com a pauta.
Em uma escala bem menor, o blog (incluindo as redes sociais), também é brindado com esse tipo de “opinião” constantemente. Como não aceito comentários anônimos e como o assunto do blog as pessoas ainda acham que tudo bem julgar (ainda não é comum processos relacionados a gordofobia) e vez ou outra vira um show de horrores.
Ontem foi um desses dias, eu postei uma foto que eu considero lindíssima com uma representatividade maravilhosa do amor, da vida e com uma mulher gorda.

Algumas seguidoras resolveram dar “sua opinião” que exalava preconceito. Disseram que a foto era feia, que era desnecessária, que nudez do corpo é ruim e outros comentários do tipo, mas o pior é que mais uma vez resolveram começar a julgar a saúde da moça da foto.

Essa é a foto em questão… Eu não consigo achar nada menos do que LINDA!

A Thais Carla que é uma dançarina sensacional, um pouco do trabalho dela pode ser visto aqui

Não existe nenhum meio de se medir a saúde de uma pessoa só observando seu corpo, não existe limite predefinido do que é um gordo saudável e um gordo doente, isso não é medido em balança nem em fita métrica.

Parem hoje mesmo de julgar a saúde alheia, saúde é algo pessoal e ninguém deveria se intrometer nisso.

Se vocês conseguem julgar a saúde de alguém só olhando uma foto, eu indico patentearem o método (contém ironia). 

Vamos entender que opinião que já define um só jeito de ser/fazer, nada mais é do que um preconceito “disfarçado”.