08.12.09

O Peso do Preconceito

Há um tipo de preconceito que tem afastado pessoas capacitadas das melhores posições em diversas companhias, impedido bons alunos de ingressar nas melhores universidades, determinado a percepção de menores salários por parte das mulheres e levado suas vítimas a acumularem menos bens ao longo da vida.
Ao contrário de outras formas de discriminação, que gozam até mesmo de legislação que pune com prisão seus infratores, essa forma de preconceito não é combatida pela sociedade que, muito pelo contrário, alimenta-o diariamente e parece concordar com aqueles que o detém.

Aliás, esse é um tipo de preconceito que, inversamente ao que acontece com a discriminação racial, social ou étnica, não gera nenhum tipo de constrangimento ao ser assumido publicamente.
Em tempos nos quais a beleza parece ser obrigatoriamente vinculada à magreza, a obesidade assume o lugar das características pessoais mais suscetíveis a despertar o preconceito.

O Peso do Preconceito
Desde 1966 há estudos em países como os Estados Unidos da América – onde o índice de pessoas obesas cresce a cada ano – que mostram aquilo que muitos obesos já conhecem na prática: as pessoas com sobrepeso são vítimas de preconceito, têm maior dificuldade em conseguir empregos – sendo geralmente eliminadas, no processo de admissão, durante a etapa das entrevistas -, ganham salários menores em comparação aos seus pares não-obesos, pagam mais caro os planos de saúde e os contratos de seguro pessoal e têm maior dificuldade em organizar sua vida amorosa e afetiva.
Um estudo recente, realizado pelo professor de psicologia Brian A. Nosek, da Universidade de Virginia (divulgado pelo jornal The New York Times de 02 de dezembro de 2006), apontou a discriminação contra os obesos como o mais intenso tipo de preconceito na sociedade estadunidense, superando até mesmo os de fundo racial, social e de orientação sexual.

Ainda que tais dados sejam referentes à realidade norte-americana, há fortes razões para se acreditar que o fenômeno da discriminação contra obesos é um fenômeno que afeta a maioria dos países ocidentais.
O preconceito contra obesos é facilmente observável em nossa sociedade, seja na forma como a obesidade é retratada na ficção, seja na quantidade absurda de informações que são veiculadas – e vendidas, é sempre bom recordar – em revistas, jornais e programas de rádio e televisão, na forma de dicas para combater o excesso de peso à propaganda de soluções cirúrgicas a panacéias medicamentosas para um emagrecimento rápido e milagroso.
Nos comerciais televisivos residem, talvez, as formas mais claras de como o obeso é visto por nossa sociedade: em geral, os gordinhos e gordinhas são usados sempre como o contraponto aos bem-sucedidos magros e magras, fortes e esbeltas; em geral, os primeiros sempre aparecem tomando atitudes idiotas perante as câmeras, ou em situações de frustração por não poderem ser tão bonitos e sortudos como aqueles que não sofrem com o excesso de peso.

O mais curioso é que tais situações não estão restritas às propagandas de produtos dietéticos ou light, roupas ou produtos afins cuja relação direta com o sobrepeso é compreensível. Recentemente uma famosa fabricante de televisores colocou no ar uma campanha publicitária na qual dois vendedores apanhavam de suas freguesas ao convidá-las a ir até o fundo da loja para ver o novo lançamento em televisores de plasma – claro que o comercial tratava isso com uma frase de duplo sentido e conotação erótica… Curiosamente, ambos os vendedores eram obesos, e a cliente era uma alta e belíssima loira. Qual será a mensagem contida na peça publicitária, cuja intenção era humorística? A idéia que reinava subliminarmente é que a mulher, tão bonita e elegante, jamais aceitaria uma cantada de um homem com sobrepeso, muito menos de dois obesos como aqueles, e que estaria em pleno direito de esbofeteá-los em público por conta disso.

Talvez soe como um exagero, mas basta tentar recordar uma situação em que na ficção – seja na programação normal das emissoras de televisão, nos filmes de qualquer gênero ou mesmo nos intervalos comerciais – um personagem obeso ou com sobrepeso tenha sido retratado de forma positiva (excluindo-se Papai Noel, por razões óbvias).
Uma mulher indesejável em termos sexuais, nos filmes e comerciais televisivos, será quase que invariavelmente obesa. Um homem repugnante, com raríssimas exceções, apresentará um abdômen avantajado e vestirá roupas que parecerão prestes a explodir de seu corpo – como se não existissem, hoje bem mais que no passado, lojas e lojas a vender roupas de tamanhos especiais… A esse respeito, há um interessantíssimo estudo de três psicólogas – Naumi A. de Vasconcelos, Iana Sudo e Nara Sudo – da UFRJ. intitulado Um peso na alma: o corpo gordo e a mídia, março de 2004, no qual as pesquisadoras estudaram a forma como foram retratados os obesos em matérias veiculadas nos jornais e revistas brasileiros entre 1995 e 2003. Elas alertam que a nossa sociedade desenvolveu uma espécie de ”lipofobia”, um trauma em torno do excesso de peso, causado em grande parte pela falsa associação entre obesidade e falência moral.

O preconceito, que engloba todas as atividades sociais – e por isso afeta os obesos em situações como a procura por um emprego ou a escolha para um cargo de maior relevo dentro de uma empresa -, estabeleceu no imaginário de nossa sociedade a idéia de que o obeso é preguiçoso, moralmente fraco, descuidado, indisciplinado e desleixado, de que alguém com sobrepeso jamais pode ser visto como uma pessoa elegante e bem-sucedida, sexualmente atraente e ativa, realizada no amor e na profissão.
Em outras palavras, o corpo gordo é um sinal visível de violação das normas estabelecidas por nossa sociedade atual, presa à imagem corporal como símbolo maior de ostentação e status – o que, em parte, explica o deslocamento que parece ter ocorrido dos sonhos de sucesso profissional das camadas mais pobres da população, que hoje não mais almejam uma formação profissional adquirida pela educação formal mas, sim, uma vitória social que é associada às conquistas que o corpo pode proporcionar, seja como esportistas, modelos, dançarinos ou outras atividades ligadas à aparência exterior.
Nesse mundo em que ser magro é a meta almejada por tantos, ser gordo é ser, com as devidas proporções, um outsider. Mesmo diante dos exageros que essa cultura da magreza tem gerado – a sucessão de casos de anorexia e bulimia, com vítimas fatais, é um importante sinal -, o corpo gordo é ainda sinal de fracasso e motivo de repulsa.

A discriminação contra os obesos, que não é nada sutil, parece passar despercebida para a maioria das pessoas – sinal de que o preconceito é, de fato, generalizado e aceito como algo natural. Gordo, no Brasil, tornou-se palavra ofensiva – quem duvidar, que se recorde do episódio envolvendo o jogador Ronaldo Lazário e o Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva – e aqueles que trabalham na mídia e fogem ao padrão estético da magreza estabelecido nos últimos anos parecem ter que aceitar tal denominação e fazer dela razão para uma auto-chacota inexplicável – uma forma de auto-defesa que justificaria, em parte, as piadas de mau gosto e as cenas lamentáveis de discriminação que apresentadores de televisão como Jô Soares, Gilberto Barros, João Gordo e Fausto Silva – este último uma espécie de patrocinador da discriminação contra os obesos no Brasil – promovem com seus convidados que, como eles próprios, também apresentam sobrepeso.
Eles reproduzem, infelizmente, um padrão que existe em toda a sociedade brasileira, que criou para os obesos um esteriótipo de fanfarrão, bom amigo, engraçado e algo boboca. Espera-se, aliás, do gordinho e da gordinha que eles aceitem de bom grado toda e qualquer referência ou apelido menos elogiosos ao seu excesso de peso corporal. Quando isso não ocorre, o obeso é taxado de rancoroso, e certamente as conversas sobre sua atitude estarão repletas da palavra gordo acrescida de outros adjetivos nada nobres – afinal, estamos em um país no qual é elogioso dizer a um amigo que ele parece mais magro…
Tudo o que os obesos desejam é respeito. Nenhum deles desconhece os perigos da doença chamada obesidade – em verdade, uma situação corporal que pode gerar enfermidades diversas, e não uma doença em si. As pessoas com sobrepeso, aliás, são talvez as que melhor conheçam o número de calorias dos alimentos, os tipos de dieta que funcionam ou não, as contra-indicações deste ou daquele medicamento milagroso para emagrecer – ao contrário do que parecem pensar as pessoas em geral, que sempre têm uma dica especial para fornecer ao amigo obeso, isso quando não se prestam simplesmente ao ridículo papel de comunicar à pessoa com sobrepeso que ela está precisando perder uns quilinhos, como se o obeso sofresse de algum tipo de retardamento mental que o impedisse de reconhecer isso ao olhar-se no espelho ou ao experimentar uma roupa que já não serve mais…

Ofender o obeso parece ser a forma encontrada pelos não-obesos (ou não-tão-obesos) de compensar a constatação de que mesmo eles, que não têm um sobrepeso considerável, jamais chegarão ao padrão de beleza apregoado pela mídia, pelos profissionais de beleza, pela indústria da moda e pelos médicos menos éticos – um padrão de beleza que, afinal de contas, hoje reside em adolescentes cada vez mais novas, com um índice de massa corporal preocupante para qualquer profissional de saúde, e em jovens rapazes cuja agenda permite gastar horas e horas de seu dia dentro de uma academia de musculação, não raro recorrendo aos anabolizantes mais destrutivos para ganhar uma massa muscular irreal para a maioria dos seres humanos. A grande incongruência, aliás, é que essas pessoas associam a obesidade à idéia de doença e, mesmo assim, sentem-se à vontade para discriminar um obeso em público. Será que eles agem assim também diante de outros tipos de doentes, digamos, uma pessoa com o rosto coberto de ataduras ou alguém com uma perna engessada que mostre uma grande dificuldade de locomoção em plena praça pública? Mantidas as devidas proporções, obviamente, o tratamento diferenciado mostra que o problema da discriminação contra os obesos é bem mais profundo e infinitamente mais difícil de ser resolvido. Afinal de contas, as duas últimas situações relatadas são passíveis de ocorrer a qualquer um, mas a obesidade ainda é tratada como uma escolha pessoal do doente, algo de fácil solução, uma mera questão de força de vontade…

Ao invés de se questionar o porquê de o obeso mais próximo ser daquela forma – o que, aliás, deveria ser um problema que preocupasse apenas ao próprio gordinho ou gordinha -, esses pretensos magros deveriam se perguntar até quando pretendem sustentar essa ilusão de que um corpo esbelto é a chave da felicidade.

Texto retirado do http://michel-michelbarbosa.blogspot.com/ , adorei o texto em sim e aconselho vocês a ler, sei que é grande e costumamos não ler muito, mais o autor abordou um tema de nosso interesse com bastante clareza.
ADOREIII.

01.12.09

Me rendi


Oi gente hoje vim contar para vocês aqui do blog, que depois dos ensinamentos do Diego, e de algumas leitoras confirmarem que compram no Mercado Livre e não ter problemas eu resolvi agora me aventurar nos site onde tem a maior variedades do que eu procurava.

Amigo Oculto sempre deixa a gente naquela situação o que vamos dar né?
Então a minha amiga oculta do trabalho é louca na Hello Kitty, e resolvi que vou dar algo da gatinha mais famosa do mundo para ela.
Só que ainda estou na dúvida se dou um

Pen Drive


que era minha idéia inicial ou se dou este
Mouse


tenho até sexta para decidir isso e efetuar a compra para chegar a tempo, se fosse vocês o que iam preferir ganhar?

01.12.09

Dia Mundial de Luta contra a Aids

Hoje é o dia Mundial contra a AIDS, sei que falar é fácil mais na pratica muitas vezes esquecemos de nos prevenir.

O post de hoje é para lembrar a quem passa por aqui a importância de se cuidar na prevenção da AIDS/HIV, não permita que momentos de prazer comprometa sua saúde.

Mas é também para dizer aos portadores de AIDS/HIV que vocês não são piores que ninguém e merecem muito ter uma vida livre do preconceito, a vocês eu digo se CUIDEM, se IMPONHAM e se AMEM.

O vídeo mostra imagens referentes aos 25 anos da epidemia de HIV/AIDS no Brasil.

30.11.09

Totalmente fora dos Padões

MULHER, NEGRA, OBESA e POBRE = Precious e sua Solidão

Claireece Precious Jones é uma adolescente negra do Harlem. Como todas as meninas da sua idade, ela sonha com amor, fama, reconhecimento. A realidade, porém, é que Precious é pobre, semianalfabeta, obesa mórbida. Em casa, é assediada moral e fisicamente pela mãe e sexualmente pelo pai, de quem já está grávida do segundo filho. Ela também é soropositiva. Molestada nas ruas, vítima de bulliyng na escola, ela é, naturalmente, muito, muito infeliz, graças a um mundo muito, muito injusto. Sua solidão é brutal. Seu nome do meio, Precious, pelo qual é chamada, é de uma ironia a toda prova, já que nem quem a cerca não vê nela qualquer valor. Ela mesma não vê.

O filme, baseado em um romance, foi aplaudido de pé durante 15 minutos depois de sua exibição em Cannes, em maio. Há quem diga que foi o recorde do famoso festival. No começo do ano ganhou três prêmios no Sundance Festival. Também foi premiado em Toronto e está cotado pro Oscar do ano que vem. A estreia no Brasil está prevista para a segunda semana de janeiro.

Precious está no subsolo na escala de valores do mundo contemporâneo

Guardadas as devidas proporções, a personagem Precious me lembra a Celie de Whoopi Goldberg em A Cor Púrpura – mulher, negra, pobre e igualmente abusada. Alguém com a autoestima no fundo do poço, que cobre a boca quando sorri, como se não tivesse direito a isso. Precious está no subsolo na escala de valores do mundo contemporâneo: não é homem, não tem dinheiro, não é branca, não é magra, não é bonita. Tem juventude, é verdade. Mas isso não vale nada perto de todo o resto.

Precious, dizem as críticas, é bem produzido, bem dirigido e tem atuações fantásticas – a mais comentada é da atriz comediante Monique, no papel da mãe de Precious, um trabalho totalmente diferente do usual, e que deve levá-la a uma indicação ao Oscar. Gabourey Sidibe, de 26 anos, vive a protagonista. É seu primeiro trabalho como atriz. Também no elenco, os astros Mariah Carey e Lenny Kravitz.

O diretor, Lee Daniels, diz que, a partir deste filme, descobriu que, apesar de negro, é racista. Sempre tive preconceito contra pessoas que são mais negras do que eu. Quando eu era jovem, frequentava uma igreja em que quanto mais clara era a pessoa, mais perto ela podia ficar do altar. E entre elas nunca estava alguém tão pesado quanto Precious. Eu achava os gordos sujos e idiotas. Fazer este filme mudou meu coração. Nunca mais olharei uma menina negra ou gorda andando pela rua da mesma maneira”, afirmou, em entrevista ao New York Times.

A crítica da revista Variety afirmou que Precious é “como um diamante — claro, brilhante, mas muito duro”. O jornal britânico Times pergunta se os americanos estão preparados para assistir a este filme. Eu já me pergunto se o mundo inteiro está.

30.11.09

Mitos da Alimentação

O PÃO ENGORDA?

É falso dizer que o pão engorda e que quem está a fazer dieta não o deve comer. Este alimento fornece cerca de 250 kcal/100 g e, como qualquer alimento, deve ser comido com moderação. O grande problema não é o pão por si só, mas sim o que lhe juntamos. Para se ter uma ideia… 10g de manteiga têm aproximadamente 90 kcal. Também não é verdade que o pão integral engorde menos que o pão branco, pois fornece sensivelmente as mesmas calorias. Mas o pão integral (ou mistura, centeio, 7 cereais) é nutricionalmente mais rico do que o pão branco, fornecendo vitaminas, minerais e fibra alimentar que, conforme referido, são nutrientes fundamentais na nossa alimentação.

SEM CARNE NÃO TEMOS VITALIDADE?

É um erro comum dizer que é preciso ingerir muita carne, de preferência um bife, para se ter energia. Teresa Branco diz que “é necessário ingerir carne, mas não é através de uma ingestão em demasia que eu vou ter mais energia disponível. Esta ingestão em demasia só servirá para armazenar uma grande quantidade de gordura saturada”. Já Francisco Varatojo lembra que os macrobióticos têm vitalidade sem comerem carne e que vão buscar as proteínas e outros nutrientes às leguminosas como o feijão e o grão, por exemplo.

O LEITE DÁ-NOS OSSOS FORTES?

“Não há nada que confirme que é preciso beber leite para ter ossos fortes”, sublinha Francisco Varatojo. O macrobiótico lembra que é nos países ocidentais, onde se consome mais lacticínios, que se registam mais fracturas ósseas e casos de osteoporose e que os orientais têm um esqueleto mais resistente e consomem menos produtos lácteos. Uma das explicações deve-se ao facto de os lacticínios terem muita proteína que acaba por eliminar o cálcio em vez que o segurar. Para reforçar as vitaminas A, E e D também se aconselha uma exposição solar de 15 minutos diários e a ingestão de alimentos como vegetais de folha verde, hortícolas, frutos vermelhos ou laranjas, peixes gordos e ovos.