Categoria: Gorda

26.04.10

DIZEM POR AÍ: Mariah Carey teria engordado mais de 25kg em dois anos de casamento


Mariah Carey antes e depois do casamento: em dois anos, cantora ganhou mais de 25kg

De acordo com o jornal, o marido de Mariah diz não se importar com o peso e vive repetindo para ela que a prefere assim, “com mais o que pegar e amar”.

“Nick vive dizendo que ela está linda. E ela deixa os boatos de gravidez rolarem soltos para não ter de admitir estar obesa“, diz um amigo.
Não a vejo OBESA, a vejo mais encorpada somente, e creio que o que mudou é que ela deve ter se cansado de passar fome e resolveu assumir sua natureza e nessas horas o AMOR ajuda muito e nos da forças para assumir quem somos.
Vejo também que ela está tão feliz quanto na foto de quando era magra e isso ninguém mencionou.

Eu li aqui.

22.04.10

Dormindo com o inimigo. Mulher, feiúra e a busca do corpo perfeito

O primeiro dia de um obeso numa academia de ginástica é sempre um evento. O meu, por exemplo, foi assim: meu marido precisou ficar meia hora dentro do carro, em frente à academia, me convencendo a entrar. Eu pensei, só tem gostosona lá dentro, o que é que eu vou fazer nesse lugar?

No filme Tudo Sobre Minha Mãe, o cineasta espanhol Pedro Almodóvar, ilustra bem a idéia do sujeito que deseja mudar sua aparência para ficar cada vez mais único, de acordo com o que queria parecer. Assim, o personagem do filme, um transexual chamado Agrado, que já havia realizado inúmeras intervenções plásticas, dizia: Uma pessoa pode se dizer mais autêntica quanto mais se aproxima de como sonhou ser.

Mas com o que sonha grande parte das mulheres em nossos tempos? A gordura acabou com minha vida, dizia uma entrevistada, em uma matéria da Folha de S. Paulo. Cadernos de saúde, academias de ginástica, lojinhas de produtos naturais e cirurgias plásticas cada vez mais numerosas, parecem nos dizer que a moda do corpo magro, esbelto, sarado e cuidado chegou para ficar.

Mais ainda –, ai de quem desses parâmetros se afastar!!! Em recentes pesquisas que vimos realizando e cujas falas reproduziremos ao longo deste trabalho, pudemos observar, não apenas o caráter impositivo de uma estética que nada tem a ver com o biotipo brasileiro, como o profundo preconceito que as mulheres feias (leia-se gordas) sofrem.

Sem caráter, sem força de vontade e vistas como desleixadas, a anatomia feminina deixou de ser um destino para ser uma questão de disciplina: se não conseguimos agenciar nossos corpos, como seremos capazes de agenciar nossas vidas ou nossos empregos? Recente pesquisa feita pelo New York Times aponta para uma enorme diferença salarial (quando são contratadas!) entre mulheres bonitas e feias.

A moralização do corpo feminino, como aponta Baudrillard em seu livro A sociedade de consumo, nos leva a encarar a ditadura da beleza, da magreza e da saúde como se fosse algo da ordem de uma escolha pessoal. Deixam-se de lado todos os mecanismos de regulação social presentes em nossa sociedade, que transformam o corpo, cada vez mais, em uma prisão ou em um inimigo a ser constantemente domado.

Malhado, como se malha o ferro, não é sem razão que tal expressão é utilizada nas academias de ginástica, na tentativa de adquirir a estética desejada. Tais técnicas, apreendidas, inicialmente, como uma disciplina, com o passar do tempo são incorporadas ao cotidiano do sujeito e sem que o mesmo perceba, acaba por reproduzi-las, sem que haja uma dimensão crítica ou reflexiva sobre essas atividades/comportamentos: a Pastoral do suor de que nos fala Jean-Jacques Courtine.

Se a contemporaneidade pode ser definida exatamente pela sua liquidez, como aponta ZygmuntBaumann em vários de seus escritos, ou pela sua evanescência – tudo que é sólido desmancha no ar, o culto ao corpo, demanda do sujeito exatamente o inverso – permanência e imutabilidade.

Como sabemos, a regulação social dos padrões estéticos sofreu variações históricas em torno dos ideais de beleza de algumas décadas atrás, até à atualidade, no qual seu imperativo exige a perfeição das formas conseguida por meio de inúmeras intervenções corporais e cujo exemplo mais representativo são as modelos e atrizes.

Todo esse percurso histórico deixa bastante clara a ênfase que vem sendo dada, cada vez mais, às práticas de culto ao corpo, bem como às técnicas de aperfeiçoamento da imagem corporal. As interferências, transformações e todos os métodos de disciplinização do corpo, acompanhados da moralização da beleza, buscam esse caráter de permanência do belo corporal.

Trata-se dessa forma, de comer com a disciplina imposta pela nutricionista e, num segundo momento, anular os efeitos da ingestão, através de rigorosos exercícios físicos. Carregado de um sentimento de culpa infalível, fruto das advertências de ambos profissionais, nas quais comer não deve ser, senão, o ato de alimentar-se, destitui-se, dessa forma, a alimentação de toda a sua dimensão de prazer, fazendo com que o sujeito acredite que deva alimentar-se do olhar que equivale à aprovação social e que, por conseqüência, legitima e estimula tais práticas na obtenção desse corpo.

O que é ser bela? Acho que a sociedade nos cobra e nos sufoca demais com isso. Gostaria de dar menos valor à aparência, mas não consigo, pois vivo num mundo onde os valores estão em segundo plano e o físico em primeiro. Se eu quiser conquistar algo aqui neste mundo, sem dúvida nenhuma, a minha aparência influenciará 90%. É triste, mas é a mais pura verdade, pois comprovei isso na pele – precisei me livrar de todo o meu recheio.

As técnicas de reversão do processo de envelhecimento nos remetem ao tão sonhado projeto evolucionista do corpo. Atingida a sua maturidade, o corpo estaria livre de todas as enfermidades e intempéries – , o corpo anseia por não mais fenecer. A tentativa pós-moderna parece ser a subversão da condição humana de mortal.

Não se trata, certamente, de negar os avanços da ciência e, sim, de estar atento à dimensão de controle e regulação de nossos corpos. Como jocosamente aponta Ximenes Braga no jornal O Globo: Mundo afora, o estado quer controlar cada vez mais o que as pessoas fazem consigo mesmas, e impedir crianças de engordar é mais um degrau de ridículo nesse Zeitgeist. Qual o próximo passo? A criminalização da aspirina, do sushi e do steak tartar?

Mas retornemos à nossa afirmação acerca do preconceito contra a gordura – estando aí incluído até a gravidez.

Historicamente, à mulher é associado o binômio beleza e fertilidade, estando o último aspecto referido a tudo que difere a sua anatomia da masculina, ou seja, aquilo que em suas entranhas é produzido. Entretanto, a cultura atual parece demonstrar que nem mesmo a gravidez justifica as marcas de envelhecimento deixadas pela natureza, logo, os traços remanescentes do processo da maternidade devem ser extirpados do corpo feminino.

Ressignificados e afastados do ideal de juventude, esses traços são interpretados pela cultura como feios e, portanto, devem ser eliminados, reiterando mais uma vez a máxima de que só é feio quem quer. Nesse sentido, vale lembrar a propaganda da linha de cosméticos Helena Rubinstein: Nos tempos atuais, é imperdoável que a gravidez faça com que a mulher perca a sua silhueta… A mulher deve ter um belo corpo para mostrar após os filhos estarem criados.

O fenômeno observado, tal qual descrito, parece indicar um corpo análogo ao corpo andrógino referido por Baudrillard, no qual houve o apagamento dos signos de diferença. Não é à toa, que a maioria de nossas entrevistadas associa a necessidade da cirurgia à gravidez e aos processos ulteriores de maternagem, como a amamentação, e justificam seu desejo de anulação dessas marcas dizendo tratar-se de um excesso desnecessário. Ironicamente, a amamentação é o exemplo prototípico de um excesso interno do corpo feminino que produz a satisfação do bebê.

Depois da gravidez mudou tudo… os peitos desabaram. Já ouviu falar nas termas de Caracalla?

Não adianta, porque quando você engravida as marcas estão lá mesmo – então por que não consertar?

De que corpo, então, estão falando essas mulheres? Será um corpo sem marcas ou inscrições: um corpo em branco? Quem ou o que contaria então a sua história? Será ousado pensar tratar-se da valorização de um corpo oco? Como um corpo virtual, que só possui duas dimensões, aquelas que os olhos alcançam. Ou ainda, como o corpo publicitário: para sempre diante do seu olhar!

Freqüentemente associado ao corpo que “atrai”, a cirurgia é buscada como uma forma de se manter atraente aos olhos do outro. Permanecer jovem, seduzir, manter o interesse do companheiro são justificativas muitas vezes empregadas. Não é de se espantar que muitas vezes ninguém possa tocar esse corpo. Ele está/existe apenas para a visão, ou seja, para ser admirado – os seios Pão de Açúcar nas palavras de uma entrevistada.

Frases que são proferidas com o intuito de estimular ou mesmo reforçar positivamente as pessoas gordas a persistirem com dietas e/ou rotina de exercícios, ilustram bem a idéia do corpo magro como um ideal a ser atingido, bem como a representação social do gordo como um imperfeito que deve ser reeducado, de forma eficiente à moralização do bom comportamento. Neste sentido, nada espelha melhor a moral do culto ao corpo do que a disciplina, a perseverança e a obstinação.

Vejamos alguns exemplos ouvidos em academias: vai gordinha que você chega lá ou, no caso de demonstração de cansaço, o seu corpo é um reflexo do seu comportamento – se for paradona, preguiçosa do tipo que só gosta de comer e dormir, fatalmente será gorda, caidaça e toda flácida. (fala de um personal trainer).

Finalmente, um dos relatos que melhor afirma a idéia da exclusão social infligida às mulheres gordas – a negação da sexualidade:

Um amigo meu uma vez me disse: se quiser ser desejada emagreça, pois é óbvio que ninguém vai olhar para gordinha “cocota” e sim para a saradona “cascuda”.

Parece que a fala do amigo diz à nossa entrevistada que ela é menos mulher por ser gorda, logo, feia. Ser gorda lança-a na condição de apenas amiga dos homens, ou seja, só as magras podem exercer sua feminilidade plenamente, pois conseguem despertar o desejo dos “carinhas”. Feiúra é índice de menos-ser.

Contudo, não se trata, como alguns colegas apontam, de reduzir a busca por um corpo ideal, a uma falha, uma falta, um defeito, uma patologia ou um processo de alienação. Trata-se, a nosso ver, de poder pensar por quais processos discursivos e de socialização estas e outras práticas fortemente instituídas e difundidas colaboraram para anular as resistências ao que nelas existe de opressão.

É preciso pensar na forma pela qual os agentes interiorizam/incorporam o discurso dominante e na sua conseqüente reprodução no seio da sociedade. É importante notar que os mecanismos que regem a dinâmica das relações, tais como sujeição e dominação, obediência e imposição, não devem ser encarados como algo que vem de cima para baixo, e sim como um processo dialético, horizontal, encenado por todos os membros de uma sociedade, assimilado como uma tática inerente ao jogo, e que permeia todos os âmbitos e espaços indo da família à escola, dos locais de trabalho às instituições públicas, retornando ao convívio social.

Por isso, torna-se fundamental refletir acerca da sociedade de imagens na qual vivemos. O corpo, ao entrar em cena, e ocupar agora um espaço que dá ao indivíduo a visibilidade necessária aos poderes disciplinares, torna-se o principal alvo das estratégias de controle. Por essa mesma razão ele deve ser pensado e visto como uma possibilidade de resistência.

Este mundo é feito para os magros, jovens, brancos, caucasianos e sem nenhum tipo de deficiência física. Quem não pertencer a um desses grupos, com certeza ficará à margem sofrendo inúmeros preconceitos.

Por Joana V. Novaes e Junia de Vilhena

18.04.10

Desabafo …

Meu nome é Fernanda, tenho 24 anos sou Gordinha, bem Gordinha na verdade, visto numeração 54.

Adoro esse blog e precisava desabafar e resolvi escrever para vocês que são lindas e acho que podem me dar uma opinião.

Namorava há dois anos, até que meu namorado de uns meses para cá estava estranho e distante, o que acabou caminhando para que terminássemos.

Um mês depois do término ele se assumiu GAY, e eu sofri demais com o fato do homem que eu amei ter preferido ficar com outros homens, do que comigo.

Essa revelação já tem mais de 50 dias e eu to sofrendo demais, porque todos dizem que a culpa é minha (inclusive a mãe dele e a minha também) falam que se eu não fosse tão desleixada (gorda, porque sou bem vaidosa) ele não teria mudado a opção sexual dele.

Na minha cabeça tá um grande conflito porque sei que ele já era gay só não tinha descoberto, mais ser julgada como culpada tem me feito muito mal.

O motivo que me levou a escrever é porque preciso saber vocês Gordinhas acham que minha obesidade pode ter interferido no gosto sexual do meu ex namorado?

27.01.10

Como ser gorda

Minhas filhas, vocês que estão aí morrendo de lipoescultura, enchendo a cara de sibutramina, fazendo carta pra “Ana e Mia”, recusando a sobremesa, fedendo a vômito, estragando a patela nas horas de exercício, dando dinheiro pras piranhas dos shakes, pras revistas de dieta, minhas amigas. Vejam bem. É difícil não conseguir entrar numa calça 38. Ou 40. Ou 44. Quando é 46, é dramático. Mas vem cá. E daí?

Quando “as amigas” dão conselhos ou te olham de cima a baixo, simpáticas, jurando que te adoram, dá pra sentir isso mesmo? Quando gente que “está bem pra caramba” solta aquele olhar de reprovação, gente. Olha a cara de merda desse povo.

Quando seus namorados, maridos, ex-s, quando esses homens maravilhosos dizem que você está com banha sobrando, quando eles reprovam seus gostos e suas formas, antes de sair correndo com vontade de chorar e de não comer nada nunca mais, já parou pra examinar a figura? Os modos, a barriga se pronunciando rotunda e irreversível, os cabelos caindo, a pele manchada, as roupas que pelamordedeus –se você não desse um toque, o cara sairia na rua parecendo uma versão humana do fim do mundo. Desastre após desastre, pelanca após pelanca, o churrasco e a cerveja se garantem ali, naquelas figuras, e são proibidos a nós, as gorda, LES GORDE.

Quando as lojas expõem nas araras montanhas de roupas de tamanho 36 e 38, quando juram que aquelas modelagens de rato que vendem correspondem ao padrão, quando mal dá pra entrar numa bata fabricada sob a simpática etiqueta “TAMANHOS ESPECIAIS PARA BALOFAS DE ESTILO”, por que continuamos olhando? Por que compramos essas porcarias e insistimos em caber nessas capas de botijão de gás? Por que estamos pagando pra sermos humilhadas? Pra resistir à tentação de passar no Burger King depois? Que seja. Mas não resistimos. Vamos pras radicalices, pras cirurgias, sibutraminas, aceitamos a morte como forma de emagrecimento rápida, aceitamos a diarreia do Xenical em troca de onion rings. Olhamos as modelos esquálidas e achamos que é assim mesmo, “que é assim mesmo”, e que o mundo não foi feito pra nós. Somos admoestadas por endocrinologistas obesos, por cardiologistas fumantes, por companheiros que preferem o fedor do vômito à flacidez da banha. E, olha, se preferem, que bom. Mas não somos obrigadas a concordar.

Revistas femininas, pautadas por dietas, roupas impossíveis, “como ter orgasmos”, “como casar” e bolo de chocolate de caneca, não mereciam mais a nossa atenção –nem o nosso dinheiro. É fácil até pros ginecologistas de programa de auditório entender que a anorgasmia deve ter uma relação bem próxima com o desconforto físico. Não tem como alguém sentir prazer num corpo do qual sente vergonha. Vender receitas de bolo de chocolate e coquetel de camarão entremeadas por anúncios de shakes emagrecedores e matérias sobre lipossucção é quase tão escroto quanto apontarem sua barriga por trás de uma temível bola de basquete recoberta de pêlos. Você já viu essa imagem. Você sabe.

Vamos tentar comer salada e fazer caminhadas, mas de forma menos infeliz e forçada? Vamos largar esse monte de lixo que nos empurram dia a dia? Vamos abandonar a “obrigação” de cuidar de TUDO sozinhas, a “obrigação” de dar conta de TUDO + a “obrigação” de nos sentirmos mal e nos odiarmos porque, bem, é isso aí, o peso está sobrando? Vamos começar a estranhar quando gente com quem não temos nem queremos ter a menor intimidade nos fala de dietas e receitas de vida? Vamos tentar gostar disso que carregamos com tanto custo –ou perdê-lo sem nos perdermos no meio do caminho. Vamos tentar achar quem realmente goste de nós, em vez de estetas de última hora incapazes de uma boa consulta ao espelho? Vamos mandar à merda as “consultoras de moda” que dividem as roupas entre “pra quem está magra” e “saco de lixo espacial pra esconder gordas”? Vamos admirar aquelas corajosas que saem à rua exibindo uma torrente de gordura saltando das minirroupas que outras pessoas determinam como “roupa do verão –para magras”? Vamos ter um pouco de liberdade? Vamos mandar essa gente louca tomar no cu? Vamos parar com a mania de sermos zumbis, vagando e vomitando à espera dos nossos “iguais”? Vamos, por favor?

Precisamos de um monte de terapia coletiva. Vamos conseguir.

E a mensagem emocionante do final.

Encontrei esse texto no http://brazilianwax.wordpress.com/ e adorei.

26.10.09

Essa sou Eu!

Muitas pessoas que passam por aqui já me conhecem, mas outras ainda não, então vou me apresentar: me chamo Kallina, mas vocês podem e devem me chamar de Kalli, ok?


 

Sou essa da foto apesar de minha especialidade e entendimento de causa seja o mundo FAT/ Plus Size, eu tenho enorme admiração a outros tipos de “Diferenças” e é isso que pretendo trazer para vocês aqui no Beleza sem Tamanho. Tenho 20 e poucos anos, moro no interior de Minas Gerais e sempre fui atuante em fóruns de debates sobre a beleza gorda e preconceitos envolvidos.

Espero com sinceridade conseguir estar somando com o blog.

Por enquanto é só beijossss a todos que passarem por aqui,  nunca se esqueçam você é BELA e BELO por mais que o mundo e a sociedade não enxerguem, tenham convicção que cada um de vocês possuem uma BELEZA SEM TAMANHO.