Categoria: Comportamento

07.07.10

GORDA, GORDINHA, GORDONA

Jussara é uma moça jovem, bem clarinha, olhos verdes, sorriso largo e uma preocupação constante: perder peso. Vive obcecada pela perda de peso há aproximadamente três anos.
Não somos amigas, tão pouco a conheço muito bem, mas hoje pude conversar com ela por pouco mais de trinta minutos e escutá-la dizer por muito mais que trinta vezes o quanto precisava perder peso.
Contou-me que engordou dezessete quilos em um mês e ao mesmo tempo foi tirando fotos e mais fotos da bolsa, mostrava-me aflita o quanto era magra aos treze, aos dezoito, aos vinte e dois e aos vinte e três anos. E em seguida apontava-se e dizia : Mas agora olha isso!
Confesso que o sobrepeso de Jussara era visível, mas nada demais, já vi pessoas bem mais gordas que aquela moça e aquela ânsia pelo peso começou a me incomodar.
Falou que já fez milhões de dietas, já foi ao médico, já tomou remédios e nada adiantou. Esbravejou que o Centro de Saúde ainda não tinha liberado seus exames, pois na certa finalmente deviam ter encontrado a causa de seu aumento de peso.
Colocou a culpa na gestação e no mesmo instante desculpou-se: Todo mundo tem uma desculpa né? Essa bem que podia ser, mas não é a minha. Meu filho, tadinho, é um anjo não me causou esse mal.
E eu ali, meio sem saber o que falar quando ela me perguntava: Estou muito gorda, preciso emagrecer, não acha?
Questionei se ela tinha algum problema de saúde e ela negou todos, nada de colesterol alterado, nem diabetes, nem alteração hormonal, ou hipertensão nadinha que justificasse a preocupação incessante com a perda de peso.
Justificou a incompreensão do peso atual com seu cardápio saudável diário, detalhado item a item e por fim culpou o marido por sua “desgraça”: Quando separei dele perdi muito peso, mas foi só voltar para ganhar tudo outra vez. Voltar com marido engorda. Você tem marido?
Nem me atrevi a responder e tentando auxiliá-la a entender a causa de seu ganho de peso sugeri que passasse em atendimento psicológico. Mas que falha a minha, no mesmo instante ela me lembrou de que o problema dela era o peso e não a cabeça: Psicóloga para quê? Meu problema é com nutricionista, mas nenhuma delas acertou até hoje. Você conhece alguma boa?
Conheço várias pensei, inclusive uma de minhas melhores amigas, mas nem me atrevi a responder, pois definitivamente não poderia ajudar Jussara a perder seu excesso de peso. Não só pela minha falta de conhecimento específico no assunto, ou pelo excesso de compreensão com sua preocupação, mas principalmente pelo simples fato deste ser praticamente a única razão de sua vida neste momento.
Tirar de Jussara seu peso extra seria como tirar-lhe a vida. Só seria prudente tal ação depois de mostrar-lhe quantas coisas boas ela tem e que tornariam esta obsessão obsoleta.
Jussara é jovem, apesar do sobrepeso tem saúde, tem um filho lindo, tem um emprego, lindos olhos verdes e um sorriso contagiante, apesar de raro. Jussara poderia conquistar o mundo, mas para que isso ocorra, precisa antes de perder peso ganhar auto-estima.
Conheço muitas Jussaras e com certeza você conhece tantas outras, para esta marquei um atendimento de retorno para fortalecer o vínculo, ganhar sua confiança, mas para as outras gordinhas, gordas e gordonas resta a (falta de) atenção, desta sociedade que insiste em viver na era da revolução da beleza.
Para que perder peso quando se é feliz? Antes de perder peso e ganhar auto-estima, creio que Jussara precisa reencontrar a felicidade, nos olhos do filho, no abraço do marido ou no apoio de tantas mulheres que não se sentem completamente perfeitas com seu corpo, mas que como eu, conseguem viver perfeitamente bem com uns quilinhos a mais, sem se importar com as modelos de revista e com as artistas globais.
Jussara não feche a boca, abra, mostre seu sorriso lindo. Não feche os ouvidos, abra-os, e escute os incentivos e bons conselhos. Não feche os olhos, abra-os diante do espelho e descubra a maravilhosa mulher que existe em você.
É isso, para o ouvido mais perto que é o meu e para todas as Jussaras desta vida…

Taline Libânio

 Retirado daqui.
12.06.10

Prioridades.






Oi gurias…
Priorizar o que realmente importa faz a diferença.
Nesse ultimo mês tinha me programado para alguns trabalhos, mas que seriam confirmados mais próximos dos eventos.
Fiquei muito estressada, ou melhor, alimentei um estresse sem necessidade.
Silêncio total…
Nenhuma mensagem! Nenhum celular toca! Nenhuma confirmação! Bah!
As datas dos eventos se aproximando e eu estava ficando aborrecida… estava ligada na tomada.
Fazia tudo correndo para poder estar livre para o que “eu” achava importante…
Estava comendo um boi pela pata. (Afinal qual é o vício de uma gordinha? Comida!)
Bobeira total.
Pára tudo!
Meu marido e meus filhos, com uma paciência invejável, me alertaram que eu tinha passado a última semana mau-humorada…
Claro!! A TPM pegou, mas o maior motivo foram as expectativas “a mais” que eu alimentei em relação a estes eventos .
Então resolvi organizar a bagunça.
Crise de mau humor controlada?…OK!
Deliguei da tomada?…OK!
Alimentação normal?…OK!
Dia-dia normal?…OK!
Ai… após uns dias…”Gisele Total Relax”…abro meu MSN e a seguinte mensagem “ligar para agência fulano de tal urgente”…
Pronto!
Respirei fundo…
E pensei: – Não alimenta a ansiedade. É você que controla ela.
É assim meninas.
Quando você coloca limites, a ansiedade é controlada e as coisas funcionam.
Tudo deu certo, e até acima das expectativas!
Como uma típica mulher que chegou aos 32 anos, eu tenho responsabilidades.
Filhos, Marido, Família, Gato, Profissão e ainda por cima eu resolvi ser Modelo Plus Size.
Maluca né?!

Para não deixar nada de lado eu fiz uma lista de prioridades:
1º. Filhos amados e assistidos, adultos felizes.
2º. Maridão. Além de um super parceiro, ele me protege e me embala quando preciso.
3º. Família. Porque ela é a minha raiz. Foi através dela que aprendi meus valores.
4º. Profissão. Que eu adoro e à duras penas eu estou me aperfeiçoando mais.
5º. Modelo Plus Size. Porque se o resto não funciona, o meu rosto transparece, a minha voz não é a mesma eu fico sem cor, sem graça e assim não existe a verdadeira beleza.

Bom agora chega de trabalho vou namorar… 
Até a próxima gurias…
Um conjuntinho de beijinho e Abraço!
E não esqueçam a palavra de hoje é PRIORIDADE.




Gisele Veleda
Modelo Plus Size

03.06.10

A SAGA DA CALÇA JEANS

Planejamento:
Porque não é assim , você levanta de manhã e vai , nãããão.
Primeiro , gordinha só compra jeans quando PRECISA. Porque dá tanto trabalho, que a gente fica adiando e choramingando muito , antes de se decidir.
1º passo , precisa estar com a auto-estima em dia , precisa ser um daqueles dias que você assume seus quilos a mais e diz pro mundo , o peso é meu , o dinheiro é meu , eu faço o que quero!
2º passo , TEM que estar tempo frio , mais pra frente vocês vão entender porque.
3º passo , tem que separar uma boa grana , porque você não tem idéia de quanto vai custar AQUELA que vai te servir.
4º passo , precisa estar com espírito de aventura , porque vai ser uma longa jornada. NUNCA , a primeira calça que você experimenta fica boa. E nem na primeira loja.
5º passo , é uma tarefa de uma mulher só. Se você chama uma amiga , lá pela 15ª calça que você provar , ela não é mais sua amiga. Ou já te abandonou , ou está com uma cara tão azeda , que você se pergunta se a loja está dando limões de brinde.
6º e último passo , tem que esquecer a vaidade na hora de sair de casa. Roupas e sapatos fáceis de tirar , cabelo com rabo-de-cavalo , pouca maquiagem , lenços de papel e brincos pequenos.
Tudo isso , tem um porquê , e logo vocês vão saber…

Tudo preparado , você estufa o peito e vai…
Olha , 8.934 vitrines , tentando achar uma que tenha modelos de cintura mais alta. Porque , cintura baixa já não te pertence mais , faz teeeempo.
Achou , entra e pede pra moça da loja. É claro que , o modelo que você pediu não tem no seu número , ela então , abre 421 calças em cima do balcão , inclusive as de cintura baixa e aquelas clarinhas , que você disse logo que entrou que não gostava.
Você separa umas três de modelos diferentes e se joga no provador.
O provador é aquela coisa enorme e deliciosa , onde você tem que escolher entre , pôr a bolsa no chancho e não ter onde colocar as calças , ou colocar as calças e ficar chutando a bolsa durante a troca de roupas.
Você vira de frente para a porta , pois morre de medo de “dar uma bundada” e ela abrir. Tira suas roupas devagar pra não acabar batendo a cabeça nas laterais e pega uma das calças novas…

Veste com cuidado a primeira calça, para não pisar na barra e cair e acabar entalada naquele cubículo abafado , e vai subindo a calça , até ela ENTALAR no meio das suas coxas. Tudo bem , tira a calça , pede um número maior , enquanto prova as outras.

Segunda calça , você segura na frente do corpo e nota que ela é quase da largura do provador , desanimada , você começa a vestir , ela sobe facilmente pelas suas pernas e … fica enorme nos quadris , dá pra fazer uma feira sem precisar levar sacola , cabe um melão em cada bolso. Você tira e pede um número menor.

Terceira calça , sobe com esforço , mas não fecha. É nessa hora que você agradece o cabelo preso , você abaixa a cabeça , encara o zíper com olhos de pistoleiro de bangue-bangue e TENTA mostrar quem manda.
É claro que ele não se entrega fácil. Parece aquele programa de pescaria no domingo de manhã (êêêê bichão , ó como briga bem) , você joga o corpo para um lado , troca de perna de apoio , desiste , bufa , empina o peito , abaixa a cabeça e tenta lembrar se tem algum creme , manteiga ou lubrificante na bolsa , os dedos doem de puxar , você está suando , mas no SEU dicionário não consta a palavra desistir , torce mais um pouco , rebola , encolhe a barriga , estira os músculos do pescoço , tudo isso sem emitir nenhum som , porque o mico é maior se alguém ouvir , e , fecha o zíper.
Roxa , sem respirar , com os braços exaustos , dedos doendo , com um fio de suor escorrendo no meio das costas , você torce o corpo pra olhar a calça atrás e descobre que não foi sua barriga que encolheu , foi sua bunda. Tamanho maior , please!

Abre o zíper e na pressa de tirar , bate o cotovelo na parede , a única que não é de madeira, tira a calça e volta pra número Um tamanho maior , veste puxando bem pra passar pelas coxas , que estão justíssimas , e fica folgada na cintura , você fica pensando em levar na costureira e fazer umas pences , só pra levar aquela mesmo , aí lembra que não levou a que você comprou há um ano atrás pra fazer barra e até hoje usa só dobrada , com um alfinetinho pra não desdobrar enquanto anda. Tamanho do meio , tem?

Simbora pra , calça número Dois tamanho menor , veste , passa fácil pelas coxas , já dá até um ânimo , o zíper fecha fácil , você começa a ouvir um coro de anjos cantando “Achei a Escolhida”, levanta a cabeça , olha no espelho e nota que é cintura média , não é baixa , maaasss , você fica parecendo um panetone , com as banhas formando uma “sobra de massa” em volta do cós.
Com vontade de chorar , de dó de si mesma , e com raiva mortal da pizza que você comeu no fim de semana, você se despede da esperança número 5.

Chega a vez da , terceira calça tamanho maior , sobe fácil , está confortável na cintura e o zíper…
Peraí , tem certeza que este modelo é feminino? Porque , parece estar faltando um acessório pra encher essa calça na virilha , o que é este papo? Esta sobra de tecido , bem aí? Quando eu virar travesti , eu volto.


Você veste sua roupa , com dificuldade , porque agora está toda suada e colando , arruma os cabelos que estão escapando do rabo , limpa o lápis dos olhos que deram uma borrada , usa os lenços de papel pra enxugar o suor da testa e das costas , repara que , de alguma forma , seu batom borrou o ombro da sua blusa (como?) , procura o brinco que caiu durante a “pescaria” , pega a bolsa do chão , espana as marcas de pisadas e sai pra encontrar uma vendedora com cara de compaixão e desapontamento:
-Não ficaram boas , não gostou de nenhuma? (cadê minha comissão?)
-Não , obrigada.(beesha , se VOCÊ está desapontada , imagina eu)
Você sai da loja , com vontade de virar hippie e só usar vestidões daí pra frente , mas desiste de tentar escapar e assume: você é uma mulher com uma missão.
Estufa o peito , vai na próxima loja , e começa tudo de novo.


Esse texto é da Ro do Blog Gato Mia , achei muito REALISTA e tive que trazer para vocês lerem também, espero que curtam tanto como eu eu curti.

Aproveitando o tema Jeans, qual a marca preferida de vocês?
28.05.10

Preconceito – Digital

Um amigo muito querido me enviou essa imagem já faz um tempinho.

Ele sendo fã de nossas formas não achou graça e muito menos eu.
Outro dia em um destes blogs de bobeira me deparei com a mesma imagem, porém ela tinha uma legenda que dizia: Álcool o melhor amigo das gordinhas .

Hoje já é sexta deixo a imagem para vocês minhas leitoras baladeiras lembrarem-se disso antes de beijar um bêbado porque não compensa de forma alguma ficar com alguém que precisa beber para te aceitar, acho que todas já conheceram ou ouviram falar de casos assim.
E aproveitando da mesma imagem, alguém sabe me explicar como uma pessoa perde horas no Photoshop engordando e emagrecendo imagens para debochar de GORDOS?
Que coisa mais sem propósito, não consigo entender.
22.04.10

Fatorexia

A inglesa Sara Bird, de 44 anos, acredita sofrer de uma condição que a levou a acreditar estar magra e com um peso bem abaixo do que seu verdadeiro, um distúrbio que ela compara a uma “anorexia invertida” que batizou de “fatorexia”.


Tudo começou cinco anos atrás, quando foi diagnosticada como obesa num consultório médico, depois de anos sem subir numa balança.
Na consulta de rotina, ela descobriu que pesava quase 30 quilos a mais do que imaginava. Imagine que decepção! Agora, veja só o que ela disse que sentia quando se olhava no espelho, de preferência pequeno onde só via seu rosto:
“Eu me enxergava uma pessoa confiante, magra, quando na verdade eu estava obesa.

Tinha me convencido de que tinha o controle sobre o meu peso, quando, na verdade, era exatamente o oposto.”
Tudo conspirava para que Sara não se sentisse gorda. Como tinha variado de peso em vários momentos de sua vida, a inglesa tinha roupas de todos os tamanhos e não percebeu que estava engordando.

Agora depois de identificar seu engano e fazar um tratamento psicológico, Sara quer contar com o apoio dos médicos especializados para identificar oficialmente a síndrome que faz com que os portadores tenham uma imagem falsa ou distorcida de sua real forma física .

No seu site, Sara Bird explica que busca maior compreensão dos médicos ao lidar com pacientes obesos.

“Eu acredito que se as dietas não funcionam, então a pessoa tem que resolver a situação de um modo que a faça feliz. Para mim, essa resolução veio com a aceitação de quem e o que eu sou ao mesmo tempo em que, ao conquistar a fatorexia, não me torno ainda mais gorda”, diz ela.

“Se dar conta da fatorexia tem a ver com controle, moderação e escolha. Não quero passar horas sem fim na ginástica. Só quero ser o mais saudável possível e aproveitar minha vida ao máximo”, diz ela.

A pesquisa resultou no livro Fatorexia: What Do You See When You Look In The Mirror? (“Fatorexia: o que você vê quando olha no espelho?”), lançado em março passado, no qual a autora descreve sua experiência.


A organização
Beat, uma instituição que há 21 anos dá apoio a pacientes de distúrbios alimentares na Grã-Bretanha, afirmou que o único caso conhecido do transtorno no país é o de Sara Bird.

A entidade não acredita que a “fatorexia” venha a ser reconhecida como distúrbio alimentar pela medicina.

Eu não me vejo MAGRA quando olho no espelho, mais também não vejo uma mulher com OBESIDADE MÓRBIDA. Não sei se chega a ser algum distúrbio mais sempre digo que se eu fosse FEIA seria mais fácil seguir uma dieta, tenho extrema dificuldade em passar fome se quando me vejo no espelho adoro o que ele reflete.

E vocês como lidam com essa questão?