Categoria: Autoestima

17.05.17

Embrace: corpo e comida

 

Essa semana finalmente assisti o documentário Embrace, disponível no Netflix, e encontrei alguns pontos muito importantes para compartilhar com vocês sobre a relação corpo e alimentação.

Taryn Brumfitt, a “protagonista” do documentário, visita alguns lugares do mundo em busca do porquê as mulheres são tão insatisfeitas com seus corpos. O documentário e o interesse de Taryn iniciam-se por uma vivência pessoal.

O seu ponto central foi a maternidade e as mudanças que ela provocou em seu corpo e com isso passou a odiá-lo em um primeiro momento. Em um momento seguinte ela toma medidas radicais – dieta rigorosa e exercícios físicos – e consegue modificar o seu corpo. Assim que o consegue faz uma séries de reflexões e acredita que o sacrifício para ter um “corpo perfeito” não vale a pena.

Acho importante ressaltar que a vivência de Taryn, na Austrália, não é diferente do que eu já vi aqui no Brasil ao longo destes anos de atendimento nutricional. Talvez porque mensagens como essa (imagem abaixo) são frequentes e imprimem uma forte cobrança sobre as mulheres: engravide mas esteja linda e feliz o mais rápido possível, afinal é só querer!

(A imagem mostra a frase “Qual é a sua desculpa” e a idade de cada um dos respectivos filhos)

O documentário segue falando sobre muito pontos importantes, alguns deles relacionados à alimentação.
Sobre o comer, o ponto mais importante no documentário é o não comer. Em diversos momentos, pessoas relatam que nesse percurso de odiar o próprio corpo, que às vezes se confunde com cuidar da saúde, é muito comum não comer.
Em um momento uma mulher com anorexia nervosa (uma doença grave do campo da saúde mental) dá um depoimento dizendo que não comer é, entre outras coisas, um jeito de não se tornar uma garota gorda que todas as pessoas ficam tirando sarro. O medo de ser alvo de preconceito é tão grande, que contribui para que pessoa fique com fome durante muitos períodos. A anorexia nervosa, assim como os outros transtornos alimentares, são casos extremos desse contexto. A maioria das pessoas não chega a esse ponto, mas não significa que não sofram.

Uma modelo também dá seu depoimento contando sobre comer coisas que não são alimentos como um método comum para evitar comer comida. No caso, ela dá o exemplo de bolas de algodão embebidas em Gatorade. Sim, elas comiam isso para enganar a fome, com medo de engordar, o que causava muitos problemas à saúde física. Percebam que medo de engordar, qualquer que seja a quantidade é visto como ruim.
Uma psicóloga traz um dado importante: o panorama da guerra contra a obesidade de muitas formas contribui para que as pessoas sintam medo terrível de engordar. Aqui se misturam as questões de saúde (“Eu tenho medo de engordar porque quero ter saúde”), questões de medo de ser alvo de preconceito (“Eu tenho medo de engordar porque não quero que as pessoas riam de mim”), questões de padrão de beleza (“Eu tenho medo de engordar porque não quero me sentir feia”).

A ativista e professora Linda Bacon também contribui explicando sobre o ciclo de como as dietas se relacionam com o peso de uma maneira muito ruim. Eu já falei sobre esse ciclo no post passado.
A alimentação que é fantástica. Ela nos ajuda a manter nosso corpo nutrido, ter prazer, compartilhar relações sociais, lembrar de nossas origens e tantas outras coisas… No documentário fica claro do quanto isso é arruinado na tentativa de não ficar gorda ou ter um corpo perfeito. E como a comida está presente em quase todos os campos da nossa vida é fácil entender como esse descontentamento com o corpo gera um efeito colateral importante em todos os âmbitos da vida.

A mensagem do filme é clara: aceite quem você é!
Aqui vou ser mais ousado: aceite quem você é, e se possível coma normalmente!
O que é comer normalmente?
“Comer normalmente é ser capaz de comer quando você está com fome e continuar comendo até você ficar satisfeito. É ser capaz de escolher os alimentos que você gosta e comê-los até aproveitá-los suficientemente – e não simplesmente parar porque você acha que deveria.
Comer normalmente é ser capaz de pensar um pouco para selecionar alimentos mais nutritivos, mas sem ser tão preocupado e restritivo a ponto de não comer os alimentos mais prazerosos.
Comer normalmente é dar permissão a você mesmo para comer às vezes porque você está feliz, triste ou entediado ou apenas porque é tão gostoso.
Comer normalmente é, na maioria das vezes, fazer três, quatro ou cinco refeições por dia, ou deixar a sua fome guiar quantas vezes vai comer ao longo do dia. É também deixar de comer algum pedaço de bolo porque você pode comer mais amanhã ou então comer mais agora porque ele é maravilhoso enquanto ainda está quentinho.
Comer normalmente é comer em excesso às vezes e depois se sentir estufado e desconfortável. Também é comer pouco de vezes em quando, desejando ter comido mais. Comer normalmente é confiar que seu corpo conseguirá corrigir os pequenos ‘erros’ da sua alimentação. Comer normalmente requer um pouco do seu tempo e atenção, mas também ocupa o lugar de apenas uma área importante, entre tantas, de sua vida.
Resumindo, o “comer normalmente” é flexível. Ele varia em resposta às suas emoções, sua agenda, sua fome e sua proximidade com a comida e seus sentimentos” tradução livre, adaptado de Ellyn Satter em Secrets os feeding a healthy family: how to eat, how to raise good eaters, how to cook.
Aceitar o corpo e comer normalmente precisam caminhar paralelos, pois eles fazem parte do mesmo sistema, então geralmente quando as coisas estão boas para um é mais provável que fiquem boas para o outro.
Reflita, pense e discuta sobre os padrões de corpo, mas também sobre os padrões do que é saudável ou não e do que é comer bem ou não! Assim vamos construindo um mundo mais plural, feliz e saudável!

 

09.05.17

Preconceito não é opinião!

A internet é um mundo paralelo maravilhoso (no meu ponto de vista), mas ela dá “poder” para as pessoas fazerem o que quiser, a parte ruim é que muitas pessoas escolhem despejar seus preconceitos (que julgam ser opiniões) nas mais diversas situações e isso é algo muito assustador.
Ao abrir qualquer matéria em grandes sites, é possível ver que nos comentários 90% são de pessoas que entraram exclusivamente para julgar e reclamar de algo, muitas vezes nem tem relação nenhuma com a pauta.
Em uma escala bem menor, o blog (incluindo as redes sociais), também é brindado com esse tipo de “opinião” constantemente. Como não aceito comentários anônimos e como o assunto do blog as pessoas ainda acham que tudo bem julgar (ainda não é comum processos relacionados a gordofobia) e vez ou outra vira um show de horrores.
Ontem foi um desses dias, eu postei uma foto que eu considero lindíssima com uma representatividade maravilhosa do amor, da vida e com uma mulher gorda.

Algumas seguidoras resolveram dar “sua opinião” que exalava preconceito. Disseram que a foto era feia, que era desnecessária, que nudez do corpo é ruim e outros comentários do tipo, mas o pior é que mais uma vez resolveram começar a julgar a saúde da moça da foto.

Essa é a foto em questão… Eu não consigo achar nada menos do que LINDA!

A Thais Carla que é uma dançarina sensacional, um pouco do trabalho dela pode ser visto aqui

Não existe nenhum meio de se medir a saúde de uma pessoa só observando seu corpo, não existe limite predefinido do que é um gordo saudável e um gordo doente, isso não é medido em balança nem em fita métrica.

Parem hoje mesmo de julgar a saúde alheia, saúde é algo pessoal e ninguém deveria se intrometer nisso.

Se vocês conseguem julgar a saúde de alguém só olhando uma foto, eu indico patentearem o método (contém ironia). 

Vamos entender que opinião que já define um só jeito de ser/fazer, nada mais é do que um preconceito “disfarçado”.

20.04.17

10 Motivos para ir ao HashTag Bazar Plus Size

No próximo sábado, acontece mais uma edição do HashTag Bazar Plus Size no Rio de Janeiro, o evento é mensal e acontece nos bairros Flamengo e Tijuca, mesmo já tendo ocorrido várias edições ainda vejo muita gente questionando se compensa ou não ir.
Pensando nisso, eu pedi ajuda para outras meninas que frequentam bazares plus size para contar para vocês os melhores motivos para irem a um e adaptei a realidade do #HashTagBazar.

 

1. Bazares são locais onde a grande maioria das peças estão disponíveis no nosso tamanho. No #HashTagBazar a grande maioria das marcas disponibilizam peças até o tamanho 60 e outras já chegaram ao manequim 70, mas algumas ainda ficam até no máximo 56.
2. Não vamos esbarrar em vendedoras tratando com desdém, por não nos enxergar como consumidoras em potencial, lá, nós gordas, somos o alvo delas.
3. Oportunidade de comprar de marcas que só possuem lojas virtuais, podendo experimentar e ainda economizando o valor frete.
4. Promoções! Sempre rolam peças com preços incríveis.
5. Muitas marcas contam com as proprietárias como vendedoras, então é possível bater papo e conhecer melhor o conceito da marca, e ainda ter uma ajudinha básica na hora de escolher suas peças.
6. Tendências de moda em primeira mão, em todos os bazares as marcas levam lançamentos. Algumas peças demoram dias até chegar às lojas virtuais.
7. A gastronomia do #HashTagBazar é um detalhe importantíssimo, os expositores de lanches/doces são super maravilhosos e todo mundo que vai adora e elogia.
8. Maior concentração de gordos do Rio de Janeiro hahaha, parece algo estranho de se ler assim. Mas é muito espetacular estar em um evento organizado por gordos, com expositores gordos para atender clientes gordos. Não se trata de nenhum tipo de segregação, é inclusão e fortalecimento dos gordos, mas os magros que vão tanto para trabalhar quanto para passear também curtem e são bem vindos.
9. Desfiles com pessoas comuns  e rodas de conversas, tudo focado em desconstruir e empoderar.
10. Entrada Gratuita, o evento acontece durante todo o dia, tem cerveja e é perto do metrô. Mesmo quem não pensa em renovar o guarda roupas pode passar por lá e curtir toda a programação.

Com todos esses motivos, não dá para perder. Não é mesmo?

Serviço:

HashTag Bazar Plus Size

22 de Abril |Sábado| de 11h às 19h
Rua São Salvador, 49 ICE Flamengo
Confirmem presença aqui.

Moda plus size:

ACKON –  Amaryllis Moda & Acessórios.AssensAteliê Cretismo Beauty In Curves – BELLE ROSE PLUS SIZECabidemix – Carlota-rio moda carioca PLUS size – CAZACO. – Cromo.somos – Desapegos da atriz Cacau Protásio –  Elai Plus – Flower Plus Size – Gordinha dos Sonhos – Maria Abacaxita –  NaBeca Tamanhos Reais   Nina Vazquez Moda E Estilo – Popy Moda Feminina (Jeans até o 64) – Rainha Nagô

Acessórios/Variedades:

AndarBem Sapatos – Aziza Abdullah Artesanatos – Cantinho de Retalhos – Clube da Meia Calça –Entrecores – Juntinho & Misturado – Luar da Prata – Mary Help, acessórios criativos 

Gastronomia:

Cerveja Trópica –  Crazy in Churros – Empório Delicias da Fazenda – Pausa 20 SalgadinhosRicco Sabores (Almoço e Lanche) – Taste Beer & Bacon 

 

Eu tenho certeza que essa edição será maravilhosa, quem for do RJ não pode perder. *_*

Vocês indicam outros motivos para ir aos Bazares Plus Size? Deixem aqui nos comentários.

18.04.17

Gordos Lindos e Estilosos – INSPIRAÇÕES PARA SEGUIR NO INSTAGRAM!

No mês passado, eu fiz um post (aqui) com várias gordas maravilhosas  com manequins maiores para serem seguidas no Instagram, fiz por saber o quanto pode ser uma forma simples e útil de ajudar no fortalecimento da autoestima e na “educação” do nosso olhar para a beleza em formas não padrões.

Agora é a vez de dar espaço aqui no blog para os homens gordos, fiz uma listona do amor. Tem homens de vários manequins, com estilos diferentes, dos básicos aos montados. Confiram abaixo.

@marciovaladaresoficial@o.plussize@bernardofala@felipecampus

@ricardotassilo @jonathanhc10@juliofz@ledcouto

@_manualvarez@felipe_chelles@timhenrique@gominho

@detalhemasculino@diegocapuchinho@jalmyrvieira@marcao_viking

@keenzao@tiagoabravanel@duduselect@marcaobaixada

@leocataldo@queissogordinho@rlabate@ohhoneymoon

@felipehintze@canaldosora@binhoro@bernardocosta

@kaiotibes@garoteinvisivel@marco.magoga@tafars

 

Viram quanta gente linda? São todos lindos do jeitinho que são!
Esse post também pode ser conhecido como coleção de fotos de homens fora do padrão de mídia haha. Concordam?

Convido todas vocês a conferirem cada um desses lindos e também a compartilhar este post com todo mundo.

Eu priorizei colocar na lista os gordos que postam fotos de corpo inteiro e que são contas abertas no Instagram.

Conhecem outros instas de gordos maravilhosos para serem seguidos?

É só indicar aqui nos comentários, quando eu for fazer um novo post incluirei todos os indicados.

17.04.17

Tirem seus padrões do meu Empoderamento!

Outro dia, compartilhei no meu Facebook uma postagem, onde uma moça abordava o fato de se estar sendo criado um padrão para o empoderamento, pude perceber que mais pessoas também concordavam com ela. Infelizmente, ela apagou, eu perdi o compartilhamento e também a frase exata, mas ficou a semente da problematização e irei plantar agora por aqui hahaha.

Enfim, as mulheres estão donas de si e aprenderam que a beleza fora dos padrões midiáticos também é beleza e poder, hoje em, dia ter um feed de rede social cheio de mulheres fora dos padrões é maravilhoso, mas como todo excesso é prejudicial, já é possível percebermos exigências para comprovar empoderamento.
Se repararmos bem, vamos perceber que existem vários padrões sendo cobrados das pessoas “fora dos padrões” e isso é simplesmente ridículo.
Eu poderia citar vários casos que vejo, mas vou citar apenas alguns pontos que tenho percebido quando o assunto é GORDA EMPODERADA.
É preciso postar fotos com roupas justas, estar sempre impecavelmente maquiada, muitas fotos de biquíni, precisam inclusive postar semi nudes…para que sua sua autoestima não seja questionada zZZz, se ela se ama mesmo por qual motivo não se mostra?
Por outro lado, a galera que se encaixa nesse “padrão empoderado” fica numa luta constante de likes, se um dia posta uma foto de biquíni e faz sucesso, no outro ela posta com lingeries e no outro nua… Muitas vezes, a pessoa só faz isso para manter o “sucesso” e não por vontade dela exatamente e isso é bem triste de observar.
O que quero dizer é:
Parem de cobrar que a mulher gorda esteja sempre maquiada e super arrumada, parem de cobrar que as gordas estejam sempre sensualizando, parem de cobrar um padrão para quebrar padrão.
POR FAVOR, PAREM!

Imagem: Julia Bbusato Photography

É lindo ver uma gorda super produzida, é lindo ver uma gorda pelada, mas lindo mesmo é quando isso não vira imposição.

Nosso empoderamento é pessoal e não pode ser medido em fazer ou não fazer algo para postar nas redes sociais, até pq a vida não pode ser limitada ao que fazemos na internet, ao menos não deveria…
Não permitam que a imposição deste “novo padrão” atrapalhe no REAL empoderamento, nós podemos ser o que quisermos e isso não precisa e não deve ser baseado em likes e looks, é preciso que seja de dentro para fora, não o oposto.
É necessário que sejamos livres de qualquer padrão!